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Fortalezas de todos: marroquino Jamal Soufane foi acolhido pela corrida na Beira Mar

Fortalezas de todos: marroquino Jamal Soufane foi acolhido pela corrida na Beira Mar

Fortalezas de Todos: Jamal Soufane, corredor marroquino, foi acolhido na cidade
Fortaleza chega aos 300 anos como uma cidade que não cabe em um único adjetivo. Ela é múltipla, diversa e construída por quem escolhe pertencer. Todos os dias, ainda antes de o sol subir completamente, Jamal Soufane cruza a Beira Mar correndo. Ele transforma quilômetros em raízes. Marroquino de nascimento, brasileiro por decisão, ele é um dos muitos rostos que revelam como a cidade se reinventa. A história dele inaugura a série “Fortalezas de todos”, do ge CE, pelos 300 anos comemorados nesta segunda-feira, 13 de abril. A cada novo mês, um personagem será o protagonista em pontos importantes de esportes pela cidade.
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– Eu digo com toda confiança que estamos no melhor lugar do mundo para praticar atividade física, especialmente com a inauguração dessa nova orla, com o espaço enorme que a gente tem, com espaço para correr, espaço para ciclista, para quem quer nadar. Tem skate, tem todos os esportes. Então, eu acho que não existe lugar no Brasil, com todo respeito a todas as outras cidades, que inclua todas essas atividades em um ambiente 100% monitorado e seguro – disse o corredor.
Jamal desembarcou em Fortaleza em um ambiente que também faz parte da história da cidade: a Universidade Federal do Ceará (UFC). O corredor chegou como palestrante da semana cultural da Instituição e, desde então, escolheu Fortaleza como casa.
– Eu sempre considerei a minha chegada aqui (em Fortaleza) um fato determinante em toda a história da minha vida. Eu vim de um país um pouquinho mais fechado que o Brasil. Costume de comida, hora de dormir, hora de acordar, o estilo de vida é completamente diferente – contou.
Jmal Soufane, corredor marroquino | Fortalezas de todos
Felipe Fontenele
Virada de chave
A virada de chave na vida de Jamal ocorreu na Terra do Sol. A cidade de Fortaleza o acolheu e vieram também os ensinamentos da vida. Um amigo de Jamal fez parte da mudança em sua vida: foi por meio dele que o marroquino se tornou corredor.
– Aqui em Fortaleza, eu virei um doidaço. Comecei a beber muito, minha vida mudou. Eu engordei muito. Meus comportamentos mudaram muito na época. Comecei a sair demais, não conseguia dormir à noite e eu vi meu rendimento no trabalho como professor cair. No meu aniversário de 29 anos, um amigo me viu dando um discurso no final da festa e chamou minha atenção. Falou: “cara, eu acho que tu está meio que saindo da linha, vamos ajustar. Eu sou nutricionista, então qual o esporte que você mais gosta?” – contou.
Eu só sei correr. Sou do interior, nasci em um interior muito isolado, no Marrocos, e a gente não tem campo de futebol ou campo de handebol, era mato e montanha. A gente corria lá. Então, escolhi a corrida e, desde aquele momento, eu comecei a ver meu rendimento melhorando, performance chegando, as pessoas me notando e tal, e comecei a crescer. Isso aconteceu de uma forma 100% espontânea, 100% natural, até chegar nesse momento onde eu estou agora.
Jamal Soufane, corredor marroquino | Fortalezas de todos
Felipe Fontenele
A rotina de Jamal Soufane passeia pela corrida, pelas salas de aula e pelo lazer em família. O desafio frequente na vida do corredor é conciliar tudo.
– Eu costumo dizer para meus amigos que, quando eu viajo, eu sinto falta da minha família. Mas eu sinto muita falta também da Beira-Mar. Assim que eu começo a correr em outro canto do mundo, eu começo a fazer comparação, tipo: “Se eu estivesse na Beira-Mar, eu teria o sol lá, eu teria a vista do mar…”. Então, é muito difícil sair daqui – contou.
A dificuldade em deixar Fortaleza não é só de Jamal. Os amigos de fora que visitam a cidade deixam emocionados Fortaleza.
– Eles sempre têm muita dificuldade de sair daqui e sempre vão embora chorando, especialmente, estou falando especificamente da Beira Mar de Fortaleza. Então, para mim, é meu lar. Tem minha casa e tem minha segunda casa, que é a Beira Mar – completou.
O recado nos 300 anos?
Questionado sobre o que Fortaleza diria nos 300 anos, Jamal é direto: a cidade pediria para que todos se respeitem.
– Eu acho que iria pedir para que todo mundo corra, se divirta e, principalmente, dê o espaço suficiente dentro daquele respeito entre as pessoas, entre tipos de esporte, entre ciclista e corredor, entre corredor X e Z, entre assessorias de esporte. Eu acho que o que a Beira Mar falaria é o seguinte: “Eu sou de todo mundo, eu cuido de todo mundo, eu divirto todo mundo e todo mundo cabe em mim” – disse o corredor.
Aos 300 anos, Fortaleza não é apenas cenário, é personagem viva nas histórias de quem chega, fica e escolhe recomeçar. Jamal Soufane revela que pertencer é também uma escolha diária. E, enquanto houver espaço para todos na Beira Mar, haverá sempre uma nova Fortaleza nascendo dentro de cada um que decide chamá-la de lar.
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Gefferson Bessa geRead More