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Goleiro brasileiro é convocado para defender o time sub-21 da Palestina após observação à distância

Goleiro brasileiro é convocado para defender o time sub-21 da Palestina após observação à distância

Diogo Samara, goleiro brasileiro, explica convocação para a Palestina sub-21
O futebol de seleções vem sendo marcado nos últimos anos pela relativização das fronteiras. Tornou-se comum ver muitos times nacionais contarem com atletas que nasceram em outros países e, por algum tipo de relação, passaram a defender seleções de locais muito distantes de suas terras originais. E mais um caso do tipo deve se concretizar com um brasileiro: o jovem goleiro Diogo Samara, que foi convocado para defender o time sub-21 da Palestina.
Diogo, de 19 anos, é atleta do Azuriz, que disputará a Série D em 2026. Natural de São Lourenço do Sul, no Rio Grande do Sul, o atleta é mais um daqueles que tentam escalar na carreira de jogador de futebol profissional. E ganhou um presente “inusitado”: uma convocação para defender a Palestina, terra natal de seu avô, onde jamais pisou.
Diogo Samara é goleiro do Azuriz, que disputa a Série D
Divulgação
Tudo começou nas redes sociais. O técnico Sajed Karakra, que trabalha nas categorias de base da Palestina, achou Diogo entre os seguidores de uma página no Instagram, que faz postagens sobre atletas palestinos. Na época, há cerca de quatro anos, Diogo ainda buscava se firmar como jogador profissional, e recebeu uma mensagem do treinador, que o seguiu na rede.
O contato seguiu de forma pontual, com o técnico interagindo em algumas postagens. Até que Sajed Karakra passou a pedir links com a transmissão dos jogos em que Diogo participava. Então, no ano passado, o interesse se intensificou.
– No meio do Gauchão do ano passado, ele me chamou pedindo documentos que comprovassem que meu avô nasceu na Palestina. Eu conversei com minha família, consegui os documentos e enviei. Ele conseguiu validar, para ver que estava tudo certo com a origem do meu avô – conta Diogo.
O avô de Diogo, Abdelrahmann Samara, foi um dos milhões de imigrantes que viu no Brasil uma oportunidade de iniciar uma nova vida. Ele morava na Palestina, e viajou mais de 10 mil quilômetros até a cidade de São Lourenço do Sul, no interior do Rio Grande do Sul – talvez atraído por histórias de conterrâneos que foram para Pelotas, cidade vizinha, que tem uma grande comunidade de imigrantes palestinos.
– Como na Palestina minha família era humilde, ele veio para cá tentar uma melhoria financeira. Ele conseguiu abrir uma loja de roupas. Aqui, ele conheceu minha avó, que é brasileira. Eles namoraram e se casaram – relembra.
Diogo ao lado de Nely, sua mãe, e Samira, sua avó
Arquivo pessoal
São Lourenço do Sul, então, se tornou a cidade onde Abdelrahmann estabeleceu sua família e teve filhos, incluindo Nely, mãe de Diogo. Ela se casou com Luciano Lourenço, que compôs o restante das raízes para que o jovem um dia pudesse ser um jogador de futebol chamado para defender a Palestina.
– Minha história no futebol começou ainda pequenininho. Meu pai foi goleiro profissional, então eu tive convívio com ele ainda na escolinha, de ele me treinar. Desde pequeno a gente fazia os treinos em um campinho do lado de fora de casa. Fui crescendo e indo para escolinhas.
Diogo chegou a ter uma passagem pelas bases de Inter e Sport, e disputou campeonatos no Rio Grande do Sul. No ano passado, integrou o elenco do Pelotas, subindo para o time profissional, e neste ano recebeu a proposta do Azuriz, de Pato Branco, no Paraná. Ele aguarda para fazer a estreia do time, que iniciará a série D no próximo fim de semana.
Relação com a Palestina
Além dos passos como profissional dentro de campo, Diogo também tem planos fora dos gramados: quer intensificar a relação com o país que escolheu defender. Ele nunca pisou na Palestina, mas mantém contato com a parte da família que vive no Oriente Médio.
– Meus tios todos seguem a religião (Islamismo), o Ramadã, tudo. Minha tia mora na Jordânia há uns 20 anos. Todos seguem a religião. A minha mãe, não, até porque ela tinha 15 anos quando o meu avô faleceu. Ela nunca foi muçulmana. Respeita, mas não segue. Eu nunca fui à Palestina, mas ela já foi visitar meus tios quando era menor. Eu tenho muita vontade de conhecer. Quero começar a seguir a religião – diz o jogador.
Diogo quase pisou pela primeira vez no Oriente Médio no mês passado. Ele foi convocado para participar de um período de treinamentos no Catar e um torneio amistoso que seria disputado no Kuwait. Porém, os desdobramentos da guerra no Irã levaram ao cancelamento dos planos. A convocação, porém, segue de pé, para quando houver menos tensão na região.
Defender a Palestina concretizará o sonho de diferentes partes da família de Diogo: o pai, nascido no Brasil, e o avô, nascido no país asiático – ambos já falecidos.
– Meu pai foi um espelho muito grande, desde pequeno, de acompanhar os jogos dele. É meu sonho, para o meu pai, para o meu avô. Eu tenho certeza que eles estão muito felizes lá em cima, torcendo também. Vestir a camisa da Palestina e poder ajudar o povo da minha família vai ser uma experiência muito grande. Representar um país abrange muita coisa, os sonhos de milhares de pessoas. Vai me deixar mais maduro – avalia Diogo. geRead More