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Guarani completa 115 anos com títulos, feitos históricos e busca por volta por cima

Guarani completa 115 anos com títulos, feitos históricos e busca por volta por cima

Guarani faz testes antes da estreia na Série C, e renova contrato com Ralf
“A sua história é de raça e tradição.” O trecho do hino oficial nunca foi tão atual para o Guarani, que completa 115 anos nesta quinta-feira, dia 2 de abril. Dono de uma das trajetórias mais ricas do futebol paulista, o único campeão brasileiro do interior celebra mais um aniversário lutando para se reorganizar dentro e fora de campo, em busca de resgatar o protagonismo de outros tempos.
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O Bugre assopra velinhas em um momento de reconstrução. A festa acontece justamente às vésperas do início do principal objetivo do ano: a Série C. A caminhada na terceira divisão nacional começa neste sábado, diante do Maranhão, no estádio Castelão, em São Luís. É o primeiro passo na tentativa de devolver o clube a um cenário mais condizente com o seu passado.
Bandeira do Guarani; Brinco de Ouro
Raphael Silvestre/Guarani FC
E que peso. Construída “através de muita devoção”, a história alviverde é repleta de momentos inesquecíveis, ídolos eternos e vitórias épicas. Para celebrar os 115 anos, o ge separou recortes especiais que ajudam a entender o tamanho do Guarani no futebol nacional.
Tradição nas competições
O currículo bugrino impõe respeito. No Campeonato Paulista, o clube soma 73 participações na elite, com dois vice-campeonatos (1988 e 2012). Na Série A2, foram 11 presenças e duas taças levantadas (1949 e 2018).
No cenário nacional, o Guarani desfilou pela Série A em 29 oportunidades. Além do inesquecível título de 1978, bateu na trave com os vice-campeonatos de 1986 e 1987.
Elenco do Guarani que conquistou o título nacional em 1978
Antônio Lúcio
Na Série B (em seus diversos formatos), foram 18 participações, com destaque para a conquista da Taça de Prata de 1981. A equipe ainda acumula 20 participações na Copa do Brasil e sete na Série C (com dois vices, em 2008 e 2016).
Internacionalmente, o Bugre levou o nome de Campinas para o continente em três edições da Copa Libertadores (1979, 1987 e 1988), chegando a disputar a fase semifinal em sua estreia no torneio e terminando em um honroso quarto lugar geral, além de uma participação na Copa Conmebol (1995).
Os primeiros passos e a casa própria
A primeira vitória da história alviverde tem ares de pioneirismo. Ocorreu no dia 16 de julho de 1911, diante do Corinthians campineiro (também recém-fundado), por 1 a 0. O duelo foi disputado no antigo campo do Guaranabara. Segundo registros históricos, o Guarany – ainda grafado com “Y” – foi a campo com: Oliveira, Bertoni, Gonçalo, Marotta, Lick, Panattoni, Miguel, Tranim, Fritz, Romeo e Grecco.
O salto para a prateleira de cima do estado ocorreu em 12 de fevereiro de 1950. No estádio da Rua Javari, na capital, o Bugre venceu o Batatais de virada por 2 a 1, garantiu o título da divisão de acesso e a tão sonhada vaga na elite do Paulistão.
Estádio Brinco de Ouro, em Campinas
Raphael Silvestre
A consolidação veio três anos depois, com a inauguração do Brinco de Ouro. Em 31 de maio de 1953, a nova e imponente “taba” foi aberta com uma vitória por 3 a 1 sobre o Palmeiras em um amistoso festivo. Nilo, Dido e Augusto marcaram os primeiros gols da história do estádio.
Atuação de gala contra Pelé e o topo do Brasil
Entre os feitos gigantes do Guarani, uma noite de 1964 tem lugar especial na memória. Em 18 de novembro, o Bugre aplicou um sonoro 5 a 1 sobre o Santos. Não era qualquer Santos: era o esquadrão de Pelé, Coutinho, Pepe e companhia.
Pelé, do Santos, ao lado do zagueiro do Guarani, Eraldo, em 1964
Reprodução
Diante de mais de 25 mil pagantes no Brinco de Ouro, Carlinhos, Joãozinho, Babá, Américo Murolo e Nelsinho construíram a goleada. Para coroar, o goleiro bugrino Sidnei ainda defendeu um pênalti cobrado pelo Rei do Futebol.
A coroação máxima do Guarani, contudo, chegaria em 1978. Com um time mágico comandado por Carlos Alberto Silva e liderado em campo por um jovem chamado Careca, o Alviverde superou o Palmeiras nas finais e conquistou o Campeonato Brasileiro, feito até hoje inalcançado por qualquer outro clube do interior do país.
Careca faz o gol do Campeonato Brasileiro de 1978 para o Guarani
Anos mais tarde, em 1981, o clube voltaria a levantar uma taça nacional importante com a conquista da Taça de Prata (equivalente à Série B), liderado pelo talento de Jorge Mendonça.
A maior rivalidade do interior
Não é possível contar a história de 115 anos do Guarani sem citar a Ponte Preta. O dérbi é o grande clássico do interior do Brasil e um dos mais equilibrados do mundo.
Em 213 encontros ao longo de mais de um século de rivalidade, o retrospecto é um atestado de equilíbrio absoluto: são 72 vitórias do Bugre, 70 empates e 70 derrotas (o resultado do primeiro confronto é desconhecido).
Último dérbi foi vencido pelo Guarani, em janeiro, pelo Paulistão
Raphael Silvestre/ Guarani FC
A igualdade é tão impressionante que se reflete até no número de gols: o Alviverde marcou 276 vezes e sofreu os mesmos 276 gols do rival.
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Agora, aos 115 anos, o Guarani busca inspiração nessa jornada centenária de resiliência e glórias para superar a Série C e voltar a sorrir. A bola rola no sábado, e um novo capítulo começa a ser escrito. geRead More