Mancini mira virada de chave em jogo contra Flamengo e revela sonhos à frente do Bragantino
Mancini mira virada de chave em jogo contra Flamengo e revela sonhos à frente do Bragantin
Após seis jogos seguidos sem vitória, uma pausa de quase duas semanas sem partidas. Um período considerado precioso pelo técnico Vagner Mancini, do Red Bull Bragantino, que usou os dez dias sem jogos para fazer ajustes na equipe com o objetivo de fazer o time “virar a chave”.
Nesta quinta-feira, 2, o Massa Bruta volta a entrar em campo para enfrentar o Flamengo, às 21h30, no estádio Cícero de Souza Marques, pela nona rodada do Brasileirão. O comandante reconhece a qualidade do Rubro-negro. E, por isso mesmo, crê que um triunfo pode marcar uma retomada do time no campeonato.
– Nós temos uma sequência de Flamengo e Mirassol. Óbvio que vamos fazer de tudo para vencer, mas são dois jogos difíceis, novamente. Todas as equipes terão as oscilações durante o campeonato, mas eu tenho que me preocupar com a minha. Quero voltar a vencer o mais rápido possível. Temos o Flamengo em casa, que é um grande momento para isso, para virar uma chave. Respeitando, obviamente, uma equipe que é uma potência da América do Sul e do mundo. Mas vamos fazer de tudo para ganhar – destacou em entrevista ao ge.
Vagner Mancini, técnico do Bragantino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Reabilitar-se no campeonato é um dos passos para alcançar um objetivo maior. Vagner Mancini, que conquistou a Copa do Brasil com o Paulista de Jundiaí em 2005, quer voltar a erguer um caneco no interior de São Paulo.
– Tenho aqui nos meus sonhos. Sou um cara cheio de sonhos, e o meu sonho é, realmente, entregar um título aqui para essa empresa, para esse clube, para este time. Enquanto eu não conseguir, não vou desistir. Mas é óbvio que há uma dificuldade muito grande em tudo isso que nós estamos falando – comentou.
Em entrevista ao ge, Mancini comentou as semelhanças e diferenças entre o Paulista de 2005 e o Bragantino de 2026. O treinador também fez um balanço dos cinco meses no clube, como encarou o desafio de evitar a queda no Brasileirão de 2025 e o início desta temporada. Confira abaixo:
ge – O time está há seis jogos sem vencer. Como vê esse momento e como voltar a conquistar vitórias?
Vagner Mancini: Iniciamos bem, fomos até líderes, e de repente entramos em uma sequência de derrotas. Tivemos o jogo contra o Botafogo, que foi nossa terceira derrota seguida. O que me dá um alento e me deixa menos preocupado, porque sempre que a gente perde ficamos preocupados, é o fato de você estar jogando bem. Contra o São Paulo e contra o Botafogo, mesmo a gente sendo derrotados, tivemos o controle do jogo. Perdemos muito mais gols do que o adversário. Não diante do Bahia, que nós fizemos um mau primeiro tempo e melhoramos na segunda etapa, mas não foi o suficiente para virar a igualdade. Mas, contra o São Paulo e o Botafogo, acho que tivemos o domínio, jogamos melhor.
Contra o Botafogo, todos os detalhes do jogo foram desfavoráveis para nós. Aquele pênalti que até agora eu não vejo. Aquele lance que fizemos o gol e foi anulado. São lances que acontecem rotineiramente no futebol e os árbitros interpretam de forma aleatória. A única coisa que tenho a dizer deste jogo contra o Botafogo é que quem determinou não foi o árbitro dentro de campo. Foi o árbitro fora de campo. Essa é minha queixa. Os árbitros vão errar e nós temos que entender, porque eles são seres humanos. Agora, quem erra com o computador na frente, daí fica mais pesado.
Nós temos uma sequência de Flamengo e Mirassol. Óbvio que vamos fazer de tudo para vencer, mas são dois jogos difíceis, novamente. Todas as equipes terão as oscilações durante o campeonato, mas eu tenho que me preocupar com a minha. Quero voltar a vencer o mais rápido possível. Temos o Flamengo em casa, que é um grande momento para isso, para virar uma chave. Respeitando, obviamente, uma equipe que é uma potência da América do Sul e do mundo. Mas vamos fazer de tudo para ganhar.
Bragantino 1 x 2 Botafogo | Melhores momentos | 8ª rodada | Brasileirão 2026
ge – Qual a importância deste período de treinos da Data Fifa?
Vagner Mancini: Se a gente tivesse sempre esse período a cada 60 dias, seria maravilhoso. A sua equipe, quando começa a jogar demais, ela vai perdendo o padrão tático. É engraçado falar isso. As pessoas acham que quanto mais joga, mais melhora. Você melhora em termos técnicos, mas em termos de compactação, de organização, de disciplina tática, você perde. O atleta tem que fazer repetidas vezes aquele movimento no treino para fazer no jogo. Quando você deixa de fazer, ele começa a cometer erros. Por isso que, quando paramos de treinar um pouco, as equipes mais qualificadas levam vantagem. É importante que a gente tenha um período de treinamento.
Eu vou tentar usar para isso, para organizar melhor, para fazer as subidas de marcação, de linha, de zaga, de tudo com mais sincronismo. É isso que me dá a garantia que meu time será forte, agressivo e intenso dentro de campo.
ge – Nessa temporada, você tem esse sonho de conquistar o título. Você tem a Copa do Brasil, a Sul-Americana e o Brasileiro em disputa. Como você vê as chances da equipe nessas competições?
Vagner Mancini: A Copa do Brasil, que eu já conquistei com o Paulista de Jundiaí, que era uma situação muito adversa, muito diferente da que nós temos aqui. Nós não tínhamos essa estrutura, nós não tínhamos o dinheiro que temos aqui. A gente não tinha, por exemplo, os atletas com potencial que temos aqui. Lá nós tínhamos um bom time, um time jovem, que foi, ao longo da competição, crescendo. E por que a gente não pode vencer aqui também? Aconteceu lá com o Paulista, aconteceu com o Santo André, aconteceu com outras equipes também.
Técnico Vagner Mancini em treino do Bragantino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Acho que tudo depende do momento. Além de nós termos a Copa do Brasil, nós temos a Sul-Americana também, que as outras equipes aqui do Brasil e de alguns países da América do Sul também vão competir com os campeonatos nacionais. Por isso, talvez a gente tenha também uma dificuldade, que, por exemplo, eu não posso abrir mão do Campeonato Brasileiro, mas tem algumas equipes que podem abrir do campeonato, por exemplo, do Paraguai e do Uruguai, para jogar a Sul-Americana.
Por isso, é sempre mais difícil. Mas eu estou muito confiante nesse ano em levantar um caneco com o Bragantino.
ge – Você citou a conquista com o Paulista e citou que era um contexto diferente. Mas o que dá para tirar aquela conquista para tentar uma com o Bragantino?
Vagner Mancini: Estou esperando até chegar um pouquinho mais perto da competição para começar a falar para os atletas as coisas similares que nós tínhamos e que nós temos aqui. Lá também era um time muito jovem, com a maioria dos jogadores feitos dentro do Paulista, que naquela época era tocado pela Parmalat. Nós tínhamos uma estrutura muito boa e esses atletas fizeram parte da era Parmalat. Quando eles chegaram ao profissional, a Parmalat já não estava mais, mas os atletas foram bem formados, porque nessa época tinha estrutura, dinheiro e tudo mais.
Esses atletas chegaram ao profissional e, quando eles chegaram, nós tínhamos um bom time. Um time que tinha sido campeão paulista no sub-17. Tinham vários atletas ali. Era uma geração vitoriosa do Paulista.
Em 2005, Paulista empata com Fluminense e é campeão da Copa do Brasil
A similaridade é que aqui eu tenho uma equipe jovem, com alguns atletas experientes que, com certeza, vão ser importantes na caminhada. Agora, o formato da Copa do Brasil tornou-se mais difícil, porque os times que jogam a Libertadores também entram. Quem joga a Libertadores, tem um orçamento, muitas vezes, quatro vezes maior do que as outras equipes.
É óbvio que esses atletas que estão jogando Libertadores voltam para jogar uma Copa do Brasil, eles estão acostumados a grandes jogos. Quando você está numa equipe que está disputando, por exemplo, só o campeonato nacional, você tem uma complexidade muito maior. Mas eu vejo semelhanças nas pessoas, vejo semelhança em como pensam os profissionais do clube e eu espero que isso seja um gatilho importante nessa batalha que nós vamos enfrentar.
ge – Outra similaridade é que, no ano seguinte, você foi para a Libertadores com o Paulista e caiu no grupo do River Plate. Agora, tem o River na Sul-Americana. Como você vê agora também reencontrar o River Plate?
Vagner Mancini: Eu fiquei feliz na hora em que eu vi o River na nossa chave. Muita gente deve achar estranho isso, mas eu acho que isso é o futebol. O futebol é você jogar contra grandes clubes. É você enfrentar o Monumental, que vai estar lotado com mais de 90 mil pessoas após a reforma que o River Plate fez.
É você dar para o seu povo, para Bragança Paulista, para Atibaia, para Itatiba, para as cidades da região, até para outras cidades, até mesmo o pessoal de Campinas, que possam vir para cá assistir realmente um espetáculo. Quem já viu o River Plate jogar de perto? Acho que isso faz parte da nossa história dentro da Sul-americana. Nós vamos enfrentar o River Plate? Vamos.
Em 2006, Paulista de Jundiaí vence o River Plate por 2 a 1 pela Libertadores
No Paulista, tive a oportunidade de enfrentar. A gente venceu a partida em Jundiaí, perdemos em Buenos Aires. Foi um marco para a cidade. Até hoje as pessoas falam disso. E por que a gente não pode repetir isso? Quando você está no futebol, você tem que lutar pelo futebol. E lutar pelo futebol é exatamente você tentar fazer o melhor que você pode a cada dia, tentando melhorar, estudar, se qualificar para que o futebol seja cada dia melhor.
A minha vida, eu tenho 59 anos, sendo 43 de futebol. Ou seja, a minha vida é o futebol. Não posso desassociar. Quando eu tenho a possibilidade de enfrentar equipes fortes, em um cenário maravilhoso e como um amante do futebol, eu quero. Felizmente, deu certo. A gente vai enfrentar o River Plate. Tenho certeza que serão dois grandes jogos, porque são duas equipes que jogam futebol. Eu espero que a gente leve vantagem, claro.
ge – Qual o balanço desses primeiros cinco meses de clube?
Vagner Mancini: O balanço é significativo para mim. Quando chego ao Bragantino, nós tínhamos ainda uma chance de queda. Era necessário, naquele momento, que tivéssemos uma reação. Faltavam oito jogos. Estreamos no jogo contra o Bahia, ganhando até o fim do jogo, sofremos o empate e perdemos. Depois, tivemos uma sequência de três derrotas em casa, que dá uma aliviada. Mas, mesmo assim, com os outros resultados, tivemos que confirmar em um jogo contra o Vitória em casa.
Vagner Mancini, técnico do Bragantino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Termina o ano, voltamos para o Paulista e fizemos um excelente Paulista. Nós chegamos a sonhar, realmente, que este era o ano em que chegaríamos à final. Em um jogo contra o São Paulo, onde a equipe dá uma bobeada muito grande, nós havíamos previsto tudo o que ocorreria na partida e a gente cai para o São Paulo. Inicia o Brasileiro bem e, de repente, tem uma sequência de resultados infeliz, que pode acontecer com qualquer equipe no Brasileiro.
De maneira geral, tivemos vitórias expressivas, algumas derrotas em momentos que não esperávamos, até porque a gente quer subir a régua do Red Bull. Sabemos que dá para fazer algo diferente, algo melhor, algo novo, que é não só viver de vitórias pontuais, mas ter conquistas. Acho que o Red Bull Bragantino já chegou neste patamar. Já pode sonhar com algo mais forte, mais pesado, que a gente possa comprovar toda essa estrutura e todo esse cenário de profissionalismo diferente. Uma conquista vai direcionar melhor isso tudo que está acontecendo.
ge – Como você encontrou o Bragantino quando chegou? O time estava com risco de queda. Por que decidiu aceitar esse desafio?
Vagner Mancini: Eu sempre tive um sonho de vir para cá, porque você, estando dentro do futebol, analisa tudo aquilo que está acontecendo no cenário dentro do país. Eu via, não só os profissionais que estão aqui, mas o time do Bragantino, a mentalidade. E eu sempre quis que as minhas equipes jogassem assim.
Por onde eu passei, às vezes eu não conseguia fazer isso, porque a característica da equipe que havia sido montada não batia com aquilo que eu queria, como treinador, executar. Aqui, eu via como uma grande possibilidade. Cheguei a falar até que era o casamento perfeito, de você ter os atletas à disposição para fazer aquilo que você quer.
Vagner Mancini fala sobre desafio do Bragantino no Brasileirão
Acho que houve uma sinergia, uma conexão muito forte no começo com aquilo que os atletas pensavam, com aquilo que eu penso sobre futebol, e o que a empresa como si representa. Isso rapidamente fez com que a gente tivesse muita conexão e foi desenvolvido esse trabalho. O fato de eu ter aceitado tem muito a ver com este lado.
ge – Você tinha um período curto quando chegou. Eram oito jogos, muito pouco tempo para implantar a filosofia. Foi um trabalho mais de conversa?
Vagner Mancini: Quando eu chego naquele momento, percebo que os atletas estavam um pouco intimidados emocionalmente. Porque, óbvio, você já tinha feito parte naquele campeonato do G-4, tinha feito um primeiro turno excelente e um segundo turno em queda. Eu tinha que dar um choque para que eu tivesse o time do primeiro turno. Isso aconteceu, talvez porque os atletas enxergaram em mim, dentro da minha sinceridade, do meu direcionamento para aquilo que eu quero.
Técnico Vagner Mancini em treino do Bragantino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Acho que eles entenderam e se sentiram parte do processo. Quando você consegue convencer um grupo, é porque eles se sentem parte do processo. Isso foi o quesito mais forte para que a gente tivesse tido aqueles nove pontos em sequência e ter distanciado um pouco daquela zona.
Depois, diante do Vitória, a gente confirmou com quatro vitórias e acabou ainda com chance de chegar à Libertadores naquele último jogo diante do Internacional, onde a gente comete alguns erros dentro do campo que são fatais.
ge – O Bragantino começou a temporada muito bem. E a pré-temporada foi curta. Como foi o trabalho para ter esse bom início?
Vagner Mancini: A pré-temporada, na verdade, não foi curta. Como nós demos as férias para os atletas de, aproximadamente, 20 dias, nós começamos uma fase enquanto eles estavam de férias ainda, com uma semana de preparação, com todos os exercícios filmados. A minha equipe já tinha feito isso em outras equipes e a gente implentou aqui também de uma forma que eles não chegassem zerados. A gente começa uma semana antes. Enquanto o atleta estava de férias, ele tinha que disponibilizar uma hora do seu dia para que a gente fizesse algo que favorecesse quando ele voltasse. Tínhamos apenas nove dias para a estreia, mas, na verdade, tivemos 16 dias. Não é o tempo suficiente para quem fica 20 dias parado, mas é um tempo que você consegue, pelo menos, dar uma cara. Quem não fez isso, entra no campeonato defasado. Sei que tem algumas equipes do interior de São Paulo que voltam muito antes e conseguem fazer um planejamento de 40 dias de pré-temporada. Mas daí entra a parte técnica, tática, e nós conseguimos igualar rapidamente com essas equipes que voltaram antes e fizemos um início muito bom.
Bragantino ajusta últimos detalhes para a temporada 2026
ge – Você falou que acreditava que o Bragantino poderia chegar à final do Paulista neste ano. O que está faltando para o clube, realmente, conquistar um título?
Vagner Mancini: Algumas coisas que são diferentes dos outros clubes. A gente só pode ter um elenco jovem ou contratar atletas até 23 anos. Normalmente, as nossas equipes são as equipes mais jovens do campeonato, o que não acontece com outras equipes. Quando você vai disputar um campeonato de tiro curto, que é o Campeonato Paulista, que ainda foi reduzido para este ano, você tem que contar com aquele momento muito bom.
A gente achava que, pelo início, nós teríamos uma boa possibilidade, que, na verdade, tivemos. No jogo das quartas contra o São Paulo, onde a gente é desclassificado, controlamos as ações do jogo praticamente os 90 minutos. Perdemos gols enquanto estava 0 a 0. A gente sabia que o São Paulo não perderia esses gols, porque o São Paulo tem atletas dotados de uma capacidade de decisão maior do que as nossas. Em dois momentos, a gente acabou tomando dois gols. E, mesmo tendo oportunidade para empatar, a gente acabou sucumbindo, o que pode acontecer.
Elenco do Bragantino reunido antes de treino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Agora, você tocou num ponto… Por que o Red Bull Bragantino ainda não conquistou um título com seis, sete anos de existência? Porque realmente é difícil. Você chegar a um título não é fácil, seja o título que for, na competição que for, na modalidade que for, é sempre muito difícil. Existem times grandes, entre aspas, em São Paulo, do Rio de Janeiro, que não conquistam títulos há mais de dez anos.
Veja como isso também é muito complexo. A gente fala: “nós temos que ganhar um título, a gente tem que ganhar um título”. Mas é difícil. Por exemplo, nós temos chances de ganhar uma Libertadores, uma Sul-Americana. Temos. Porém, ela é paralela com o Campeonato Brasileiro, onde eu não sei se vou conseguir jogar com a mesma equipe. Ela (Sul-Americana) tem times que ficaram de fora da Libertadores, que normalmente são potências sul-americanas, como, por exemplo, o River Plate, que está na nossa chave. Então, há uma complexidade muito grande, há uma dificuldade muito grande, mas eu não vou desistir.
Eu tenho aqui nos meus sonhos. Sou um cara cheio de sonhos, e o meu sonho é, realmente, entregar um título aqui para essa empresa, para esse clube, para este time. Enquanto eu não conseguir, não vou desistir. Mas é óbvio que há uma dificuldade muito grande em tudo isso que nós estamos falando.
Técnico Vagner Mancini em treino do Bragantino
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
+ Clique aqui e saiba tudo sobre o Bragantino geRead More


