O traiçoeiro Palmeiras ataca em solo baiano
Há muitas formas de contar a história da vitória do Palmeiras sobre o Bahia por 2×1 na noite deste domingo, na Arena Fonte Nova. O viés da arbitragem não pode ser ignorado. Houve falta clara de Gustavo Gómez em David Duarte no lance que decidiu o jogo. Mas isso não apaga a resistência alviverde para superar a pressão anfritrã e bater um dos melhores times do campeonato fora de casa.
O Bahia teve mais volume ofensivo e finalizações, mas também é verdade que caiu de produção na reta final dos dois tempos. Algo que o letal Palmeiras não costuma perdoar. Dentro das oscilações dos donos da casa, os paulistas somaram chegadas perigosas em períodos curtos, mas suficientes para a manutenção da liderança do Brasileirão.
Escalações
Rogério Ceni repetiu o mesmo time que entrou em campo na vitória sobre o Athletico na última quarta-feira. Já Abel Ferreira optou por Arthur na lateral-esquerda, já que não teve Piquerez e Jefté. O restante da equipe foi o mesmo que já vem atuando. Vitor Roque seguiu fora.
Como Bahia e Palmeiras iniciaram o duelo válido pela 10ª rodada do Brasileirão 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
Muita intensidade, jogadas duras e movimentações interessantes marcaram os primeiros minutos em Salvador. O Bahia tentou sufocar o Palmeiras. Rodou a bola com velocidade e buscou as combinações que está habituado em fase ofensiva. Teve mais uma vez Acevedo dando suporte em uma ”saída de três” com David Duarte e Ramos Mingo. Erick Pulga e Kike Olivera como pontas bem abertos.
Luciano Juba atacou por dentro, como um meio-campista, perto de Caio Alexandre. Revezando o setor com Jean Lucas. Everton Ribeiro ocupou a meia-direita e foi o responsável pelo melhores passes do Esquadrão no campo de ataque. Foi dele a bola para Caio Alexandre cruzar e Everaldo dividir com Gustavo Gomez na boca do gol logo aos dois minutos.
Pouco depois, Kike Olivera, também pelo lado direito tricolor, obrigou Carlos Miguel a fazer boa defesa em chute de média distância. Mas o ímpeto inicial dos donos da casa acabou se arrefecendo naturalmente. A intenção seguia. Do outro lado, contudo, havia um adversário forte e preparado para levar o jogo onde mais lhe parecia confortável.
Luciano Juba contra o Palmeiras na Arena Fonte Nova
Rafael Rodrigues/EC Bahia
O Palmeiras conseguiu reduzir a velocidade da partida. Seja ao retardar algumas reposições ou ao trabalhar a bola com competência. Conseguiu superar as fortes pressões que o Esquadrão tentava fazer em sua saída. Deu preferência a trocar passes pela direita. Com Giay, que lidou bem com o combate de Erick Pulga ou Jean Lucas, e achou linhas de passe para Allan, Flaco López e Maurício.
O trio oferecia apoio ao lateral em recuos bem coordenados, escorava a bola e colocava um dos volantes de frente no jogo. A inversão para o lado esquerdo era a preferência de Andreas Pereira ou Marlon Freitas, repetindo um roteiro que rendeu gols recentes ao Palestra. Mesmo que os ataques não terminassem em finalização, tirar a bola de seu campo já foi algo benéfico para reduzir a potência rival.
O Bahia marcava bem. Rapidamente reagia ao perder a posse. Também voltava com bastante gente atrás da linha da bola se a primeira pressão fosse vazada. Aos poucos, no entanto, foi perdendo a intensidade no combate. O suficiente para sofrer ante ao sorrateiro Palmeiras, que passou a finalizar depois dos 35 minutos e não demorou a abrir o placar.
O primeiro aviso foi dado em chute fraco de Arthur da entrada da área. Pouco depois, Léo Vieira impediu um gol de Maurício em jogada bem ensaiada por Andreas e Arias. O colombiano não se deu por satisfeito. Recebeu uma inversão do camisa 8 pela esquerda, aproveitou o cochilo de Acevedo, tabelou lindamente com Flaco López, e mandou no ângulo de Léo Vieira. Um golaço!
Arias Bahia x Palmeiras
Jhony Pinho/AGIF
Os encaixes de marcação alviverdes seguiram na volta para o 2º tempo. Gómez e Murilo dividiam a atenção a Everaldo. Um encostava no centroavante e o outro ”sobrava”. Giay e Arthur vigiavam de perto os pontas Erick Pulga e Olivera. Marlon Freitas combatia Everton Ribeiro. Andreas e Allan revezavam a perseguição a Jean Lucas e Luciano Juba. Maurício marcava Caio Alexandre. Arias pegava Acevedo.
Tal cenário ficou ainda mais nítido com a nova pressão buscada pelo Bahia com a bola no ataque. A marcação paulista, por sua vez, era forte, o que dificultava que vários jogadores tricolores alcançassem seus melhores níveis. Os donos da casa rondavam a área, mas doses de imprecisão e precipitação também traziam problemas.
Independente disso, o volume ofensivo baiano se tornou grande novamente. E o Palmeiras, a exemplo de jogos recentes, diminuiu muito sua frequência ofensiva no 2º tempo. Carlos Miguel impediu um gol de Kike Olivera em uma das poucas boas tramas coletivas encaixadas pelos donos da casa até aquele momento. Everaldo e Everton Ribeiro participaram do lance.
O talentoso e experiente meia foi decisivo mais uma vez na sequência. Recebeu pela esquerda em cobrança de escanteio curto e cruzou na cabeça de David Duarte, que ganhou o duelo com Murilo e empatou a partida. Abel começou a rodar o time. Fez quatro mexidas antes dos 20 minutos. Lucas Evangelista, Felipe Anderson, Luighi e Ramon Sosa substituíram Arias, Allan, Flaco López e Maurício.
Gustavo Gomez disputa bola com Jean Lucas em Bahia x Palmeiras
Rafael Rodrigues/EC Bahia
Rogério Ceni começou a fazer suas trocas pouco depois da metade do 2º tempo. Olivera, Everaldo e Caio Alexandre cederam espaço a Ademir, Willian José e Erick. O ”Fumacinha” entrou fazendo jus ao apelido, e já em sua primeira jogada quase criou um lance de gol. O cruzamento rasteiro encontrou Everton Ribeiro na área, que finalizou de calcanhar, e teve o belo tento impedido por Giay.
Michel Araújo substituiu o genial Everton Ribeiro logo depois. No Palestra, Arthur sentiu câimbras e foi substituído por Khellven. O ritmo do Bahia foi quebrado sem seu jogador mais criativo em campo. O Palmeiras aumentou um pouco o tempo de posse de bola e voltou a incomodar. Felipe Anderson e Sosa elevaram novamente o nível técnico da equipe. Luighi entrou de maneira agressiva!
Dell foi a última alternativa oriunda do banco anfitrião. O incansável Erick Pulga saiu. A vitória, no entanto, cairia no colo dos visitantes. Andreas Pereira bateu um escanteio pela esquerda aos 44′. Gustavo Gómez empurrou David Duarte quando o zagueiro subiu para cortar a bola, que bateu em Ramos Mingo e morreu no fundo da rede de Léo Vieira.
O Bahia ainda tentou voltar a pressionar, mas esbarrou na desconcentração e na afobação. Andreas Pereira levou perigo em nova bola parada e o resultado não se alterou até o apito final. geRead More


