Oscar não foi o melhor, mas com certeza o maior jogador de basquete da história do Brasil
Oscar Schmidt: a despedida do maior jogador brasileiro de basquete de todos os tempos
Nas discussões esportivas sobre as principais estrelas de determinadas modalidades, existe a clara diferença entre melhor e maior. O melhor é aquele que é mais técnico, hábil e tático dentro de quadra. O maior é aquele que joga muito bem, mas tem um “quê” a mais fora das quatro linhas. É uma grandeza histórica diferente. E é por isso que Oscar é sim o maior jogador da história do basquete masculino do país.
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Oscar Schmidt atuando pela Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996
Andrew D. Bernstein/NBAE via Getty Images
Dentro de quadra, o basquete brasileiro teve sim jogadores melhores que Oscar. Poucos, é verdade, dá para contar nos dedos. Especialistas que viram a seleção brasileira bicampeã mundial de 1959 e 1963 cravam que Wlamir Marques e Amaury eram mais técnicos, hábeis e táticos que Oscar. No 1×1, como gostam os fãs de basquete, venceriam o duelo. Talvez o Camisa 14 perdesse também para Algodão e Rosa Branca, e tivesse uma disputa parelha com outros dois ou três jogadores históricos da nossa seleção.
Oscar foi um exímio arremessador e pontuador, mas ao mesmo tempo não defendia bem, tão pouco conseguia pegar rebotes defensivos. Muitas vezes Oscar fazia 40 pontos em uma partida, mas o jogador que ele tinha o dever de marcar fazia 30.
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Mas Oscar tinha aquele “quê” que o deixa como o maior da história do basquete masculino nacional. O amor que ele demonstrava ao jogar pela seleção, o espírito de liderança que ele teve em três gerações diferentes e um jeito encantador de vender suas próprias conquistas.
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A medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, vencida de virada contra os Estados Unidos em Indianápolis foi histórica, sem dúvida. Mas ouvir os pormenores da partida nas centenas de entrevistas que Oscar deu sobre o assunto deixa tudo mais mágico. O grau dos detalhes sobre cada jogada e até um certo salto alto americano no segundo tempo é encantador. Esse, aliás, era o principal tema de suas palestras, tão desejadas por empresas distantes do esporte.
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Quando Oscar conta, com um baita orgulho, que escolheu não jogar na NBA, a maior liga de basquete do mundo, para poder continuar vestindo a camisa da seleção, qualquer fã de basquete fica com lágrimas nos olhos. A história da despedida olímpica em Atlanta 1996, em que todos os jogadores americanos o reverenciaram em quadra é uma das provas de seu tamanho. A relação com Kobe Bryant, que chegou a afirmar que Oscar era um de seus ídolos de infância, o deixa maior ainda.
Pílula olímpicas: despedida Oscar nas Olimpíadas de Atlanta em 1996
O camisa 14 sabia como agir também nas derrotas. Assumiu o erro que tirou o Brasil da briga pela medalha olímpica nos Jogos de Seul 1988, quando teve a chance de colocar a seleção perto da vitória contra a União Soviética nas quartas de final. E isso o deixou ainda maior perante aos companheiros, técnicos e torcedores.
Tudo que permeava Oscar tinha algo de diferente, um algo a mais que o deixava ainda maior a cada história.
Oscar foi um dos melhores jogadores do basquete brasileiro e, sem dúvida alguma, o maior.
Guilherme Costa Brasil em Tóquio blog
Reprodução geRead More


