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Oscar Schmidt deu ao impossível os ares de uma cena caseira

Oscar Schmidt deu ao impossível os ares de uma cena caseira

Morre Oscar Schmidt, o ‘Mão Santa’, maior ídolo do basquete brasileiro
Oscar Schmidt parecia saído de uma mesa de café da tarde na casa da avó em alguma cidade do interior. Chamava atenção nele essa sensação de intimidade: que, olhando de perto, ele era algum dos nossos tios falando alto e contando piada em um domingo qualquer, meio bonachão, meio ranzinza.
Ao contrário de Pelé, um rei, ou de Ayrton Senna, uma entidade mítica a bordo de carros voadores, Oscar era uma figura essencialmente terrena. Quando se tentou atribuir sua habilidade a fatores excepcionais, ele rejeitou o apelido de Mão Santa: disse que suas cestas eram resultado de treinamentos obsessivos, não de ajuda divina.
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Oscar Schmidt, em 2019, ao receber o troféu Adhemar Ferreira da Silva, durante o Prêmio Brasil Olímpico, na Cidade das Artes, o Rio
Buda Mendes / Getty Images South America / Getty Images/AFP
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Essa sensação de realidade, essa ligação caseira, estreitou a relação entre Oscar e o público. E tornou o jogador uma personagem admirada mesmo por quem não tinha (não tem) grande proximidade com o basquete. No fim das contas, o que tornava Oscar tão brasileiro não eram as lágrimas nas conquistas ou o discurso patriótico: era a sensação de que nele, em seus acertos e erros, havia um pouquinho de cada um de nós.
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Por isso, o sentimento é de que morreu um dos nossos. A notícia da perda de Oscar, nesta sexta-feira, aos 68 anos, mistura duas sensações: a de que partiu alguém muito íntimo e, ao mesmo tempo, inalcançável.
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Porque Oscar, nas quadras, fez o impossível. Capitaneou, com 46 pontos, a lendária vitória do Brasil sobre os Estados Unidos na decisão do Pan-Americano de 1987, se tornou o maior cestinha da história das Olimpíadas, foi parar no Hall da Fama do basquete, rejeitou a NBA para poder continuar defendendo seu país, foi aplaudido pelos jogadores do Dream Team ao se despedir da seleção. Teve, por anos, o recorde de pontos no basquete mundial.
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Arquivo/CBB
E isso tudo em um país de tradição limitada no esporte – bicampeão mundial e três vezes medalha de bronze em Olimpíadas. Oscar não inventou o basquete no Brasil, antes dele houve nomes como Amaury Passos e Wlamir Marques, mas conseguiu projetá-lo como nenhum outro atleta.
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Foi um exemplo de obstinação e perfeccionismo. Em quadra, compensava os defeitos (na marcação ou nos rebotes) com uma precisão assombrosa nos três pontos – habilidade que desenvolveu antes de a regra da pontuação diferenciada entrar em vigor, graças a repetições diárias, de 500 bolas, após os treinos.
Faltou-lhe uma medalha olímpica. Foi cinco vezes aos Jogos e esteve perto das semifinais em 1988, mas errou o arremesso final – e passou o resto da vida se remoendo pela falha.
Ela não impediu, porém, que ele se tornasse o maior jogador de basquete que o Brasil já teve. E um dos maiores ídolos do esporte no país em todos os tempos – alguém que será lembrado gerações afora.
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