Pressão no Grêmio: o que pesa contra e a favor de Luís Castro às vésperas do Gre-Nal 452
Grêmio joga mal e começa campanha na Sul-Americana com derrota
Em um mês, o Grêmio saiu do melhor para o pior momento da temporada: de 8 de março, quando levantou a taça do Gauchão no Beira-Rio, a 8 de abril, data da derrota para o Montevideo City Torque na Sul-Americana. Às vésperas de um novo clássico na casa colorada – no sábado, às 20h30, pelo Brasileirão –, o time se vê pressionado a melhorar não só os resultados, mas também o desempenho.
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Os dois últimos jogos, empate com o Remo na Arena, com um jogador a mais, e derrota para os uruguaios por 1 a 0, desencadearam uma fase de cobranças internas e externas. Luís Castro sabe que o trabalho passou a ser visto com desconfiança.
– Podemos estar trabalhando muito bem, mas se não apresentarmos resultados, somos sempre avaliados com alguma desconfiança. A confiança que existiu até muito pouco tempo talvez tenha agora se transferido para uma zona de não tanta confiança, mas eu continuo a confiar no que faço – afirmou em entrevista coletiva em Montevidéu.
Luís Castro saiu pressionado da derrota para o Montevideo Torque City
EFE/ Gastón Britos
Depois da conquista do estadual, o Grêmio regrediu ao invés de deslanchar. São sete jogos desde então, com uma vitória, três empates e três derrotas – 28,5% de aproveitamento. No geral, o aproveitamento do time na temporada está em 47%.
O índice é inferior, por exemplo, ao de Gustavo Quinteros, demitido em 16 de abril de 2025 com 53,7% dos pontos ganhos. O argentino perdeu o Gauchão para o Inter, o que catalisou a sua saída.
Mano Menezes, ao deixar o cargo em dezembro por opção da nova diretoria, tinha os mesmos 47% de aproveitamento. Contudo, não comandou o Grêmio no Gauchão, o que costuma inflar os dados.
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A direção sustenta que os pontos fora da curva do trabalho de Luís Castro são os dois jogos mais recentes. Por serem adversários tecnicamente inferiores, esperava-se seis pontos, mas veio apenas um, na Arena, e com grande atuação do goleiro Weverton. Além dos resultados, a atuação da equipe preocupou, e os jogadores saíram de campo vaiados em ambas as partidas.
Internamente, dirigentes esperam que a reação venha de forma imediata, no Gre-Nal. O desafio no Beira-Rio, entretanto, levanta outro fantasma do time em 2026: vencer fora de casa. Nos últimos nove jogos longe da Arena, são seis derrotas e três empates. A última vitória foi em 21 de janeiro, diante do Guarany de Bagé, pelo Gauchão.
Luís Castro em treino do Grêmio
Rodrigo Fatturi / Grêmio FBPA
Projeto e base resguardam Luís Castro
Luís Castro mergulhou de cabeça na missão de utilizar jovens da base no grupo principal. O objetivo da direção é ter novos ativos para venda e reforçar o caixa do clube, que está à bancarrota.
Diante do City Torque, eram 10 atletas da base entre os 25 relacionados, sem contar Tetê e Arthur, crias do Grêmio, mas que foram recontratados mais tarde. Riquelme, que estava com o time sub-20, ganhou chance como titular no Uruguai devido às preservações feitas por Castro.
A dupla de zaga principal, com Gustavo Martins e Viery, ambos da base, é símbolo desse trabalho. Contra o Remo, o volante Zortéa ganhou chance entre os 11 iniciais, assim como o lateral-esquerdo Pedro Gabriel.
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Ambos foram soluções em momentos que as posições perderam jogadores por lesão, casos de Leo Pérez e Marlon, respectivamente. Gabriel Mec, Roger e Tiaguinho também receberam mais oportunidades em 2026, embora ainda não tenham se afirmado.
O treinador português entende que está no Grêmio para um projeto que não se resume ao resultado imediato. Em outras entrevistas, já definiu que a temporada será “difícil”, mas assumiu a responsabilidade de levar o time a brigar por uma vaga na Libertadores.
Ao mesmo tempo, a direção, por meio do presidente Odorico Roman e do vice de futebol Antonio Dutra Junior, demonstrou-se tolerante com oscilações em ano considerado de reestruturação.
Luís Castro com vice de futebol Antônio Dutra Jr. e presidente Odorico Roman
Pedro Tesch/Grêmio
O elenco teve uma série de desfalques recentes por lesões ou dores musculares. Somente no meio-campo, ao menos seis jogadores perderam partidas por algum problema físico (Arthur, Noriega, Leo Pérez, Dodi, Willian, Zortéa). O treinador coloca nisso parte da dificuldade para encontrar a formação ideal do setor.
Diante do Inter, o português terá novamente à disposição titulares como Gustavo Martins, Viery, Pavon e Carlos Vinicius, preservados da viagem ao Uruguai. Quem não atuou os 90 minutos contra o Montevideo City também deve começar o clássico, entre eles Pedro Gabriel, Arthur, Monsalve e Amuzu.
Números de Luís Castro no Grêmio
22 jogos
8 vitórias
7 empates
7 derrotas
35 gols marcados
24 gols sofridos
Aproveitamento: 46,97%
Campeonatos: Gauchão (campeão), Brasileirão (11º colocado), Sul-Americana (4º colocado no Grupo F)
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