Protestos e defesas divergentes marcam votação de expulsão de ex-diretores do São Paulo
“São Paulo não teve dificuldade”, diz Richarlyson após vitória contra o Boston River
O Conselho Deliberativo do São Paulo se reuniu nesta quarta-feira, no Morumbis, para dar início à votação que pode expulsar Mara Casares e Douglas Schwartzmann do quadro social do clube. Ambos são investigados por participação em um esquema de exploração clandestina de um camarote no estádio.
+ Siga o canal ge São Paulo no WhatsApp
A reunião começou por volta das 19h, com a apresentação do relatório da Comissão de Ética, que recomendou a expulsão da dupla. Em seguida, houve a defesa dos acusados e espaço para questionamentos dos conselheiros. A votação, realizada de forma online, começou apenas às 22h e tem previsão de término às 17h desta quinta-feira. Para a exclusão, são necessários dois terços do quórum, estimado em 171 conselheiros.
Antes mesmo do início, a reunião mobilizou o clube. Cerca de 30 sócios do grupo Nova Era Tricolor levaram faixas pedindo a expulsão de Mara e Douglas e entoaram gritos de protesto. Do lado de fora do estádio, três viaturas policiais reforçaram a segurança, como medida preventiva para possíveis manifestações de torcidas organizadas, que não se concretizaram.
Dentro do Salão Nobre, o clima foi tenso. As acusações têm como base um áudio obtido e divulgado pelo ge em dezembro, no qual Douglas e Mara, em conversa com Rita de Cássia Adriana Prado, mencionam a venda clandestina do camarote 3A, conhecido como presidencial, para shows no estádio.
Diretores do São Paulo tinham esquema de venda ilegal de ingressos de camarote
O material passou por perícias que atestaram sua veracidade e se tornou alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil. Mara e Douglas tiveram depoimentos divergentes em suas defesas.
Em sua fala, Mara reconheceu a autenticidade do áudio, disse respeitar o relatório e adotou um tom mais emocional, destacando sua relação com o clube.
Douglas, por outro lado, adotou uma postura mais combativa. Classificou o relatório como político, voltou a contestar o áudio, afirmou que o conteúdo foi tirado de contexto e declarou inocência.
Mais do São Paulo:
+ Conselho do São Paulo aprova acordo com novo patrocinador; veja valores
O relator da Comissão de Ética, Luiz Braga, descreveu o ambiente da reunião:
– A Mara e o Douglas são controversos desde o início. Há no processo o parecer de uma empresa contratada para auditoria externa. No próprio relatório, um contradiz o outro. Nas audiências foi a mesma coisa. A Mara foi honesta ao admitir que o áudio é verdadeiro, que os 44 minutos são fiéis ao que foi descrito. Já o Douglas disse não ter noção do conteúdo – relatou.
Além da expulsão, o Conselho pode aplicar punições mais brandas, como perda de mandato, inelegibilidade, suspensão e obrigação de ressarcimento ao clube.
+ Leia mais notícias do São Paulo
Torcedores protestaram no Morumbis
Ulisses Lopresti
Relembre o caso
Em dezembro do ano passado, uma reportagem do ge revelou um esquema clandestino de comercialização de camarotes do Morumbis em dias de show com envolvimento de Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, então presidente do São Paulo, e diretora cultural e eventos, e Douglas Schwartzmann, então diretor adjunto de base.
Em áudios obtidos com exclusividade, Douglas e Mara admitem que participaram de um esquema de exploração clandestina, pelo menos no show da Shakira, em fevereiro do ano passado. Na gravação, Schwartzmann diz que ele e outras pessoas ganharam dinheiro.
Mara Casares, diretora do São Paulo
Reprodução / Instagram
– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem.
A exploração clandestina de camarotes do Morumbis em dia de shows é investigada em uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público desde o início do ano. O camarote que motivou a gravação e um processo judicial ao qual o ge teve acesso foi o 3A, no setor leste do estádio. Em documentos internos do clube, esse espaço consta como “sala presidencial”.
Douglas Schwartzmann, vice-presidente de comunicação e marketing do São Paulo
Rubens Chiri / São Paulo FC
Pela repercussão, ambos deixaram seus cargos e culminou na renúncia de Julio Casares do cargo de presidente do clube, em meio a um processo de impeachment.
Segundo o áudio, o direito de uso do camarote foi transferido por dirigentes a Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como intermediária no esquema e terceira pessoa presente na conversa. Cabia a ela explorar o espaço e comercializar os ingressos, que chegaram a ser vendidos por até R$ 2,1 mil na apresentação da cantora colombiana. Apenas com o camarote 3A, o faturamento estimado foi de R$ 132 mil.
🎧 Ouça o podcast ge São Paulo🎧
+ Assista: tudo sobre o São Paulo no ge, na Globo e no sportv geRead More


