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Quem é Viktor Orbán, ídolo da extrema direita mundial que pode perder o cargo de primeiro-ministro da Hungria

Quem é Viktor Orbán, ídolo da extrema direita mundial que pode perder o cargo de primeiro-ministro da Hungria

 O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, participa de uma coletiva de imprensa com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, durante encontro em Budapeste, Hungria, na terça-feira, 7 de abril de 2026.
AP Photo/Denes Erdos
Considerado um líder habilidoso, o primeiro-ministro Viktor Orbán vem moldando o sistema político da Hungria à sua imagem e semelhança há 16 anos, quando assumiu o cargo pela segunda vez.
No entanto, o ultranacionalista de 62 anos — aliado de primeira hora do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do russo Vladimir Putin — vê seu poder se enfraquecer aos poucos e, nas eleições deste domingo (12), pode perder o posto que ocupa há mais de uma década e meia.
As pesquisas de intenção de voto colocam seu oponente, o jovem e carismático Peter Magyar, de centro-direita, como favorito ao posto.
Apesar de liderar um pequeno país de 9,5 milhões de habitantes, Orbán é um ídolo da extrema direita, conhecido internacionalmente como um ferrenho opositor da União Europeia, da imigração, dos direitos LGBTQIA+ e do contínuo apoio ocidental à Ucrânia contra a invasão russa.
“Ele se destaca entre os líderes políticos europeus como alguém diferente”, diz à AFP Emilia Palonen, professora na Universidade de Helsinque. “Líderes antiliberais o veem como um modelo, alguém que teve sucesso e conseguiu tomar o poder”.
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Derrota e lições aprendidas
Orbán tornou-se conhecido durante o declínio do comunismo húngaro, em 1989, com uma retórica inflamada que exigia democracia e a volta das tropas soviéticas para casa.
Foi uma das estrelas em ascensão da “nova” Europa e assumiu o cargo de deputado no Parlamento, na Hungria otimista e recém-democratizada de 1990.
No entanto, Orbán logo se desfez de sua imagem de liberal radical e começou a remodelar o Fidesz, o partido que ajudou a fundar. Aos poucos, a sigla foi se transformando em uma nova força de centro-direita, defensora dos valores familiares e cristãos.
A aposta rendeu frutos: ele conquistou a classe trabalhadora e elegeu-se primeiro-ministro em 1998, aos 35 anos.
Seu primeiro mandato foi turbulento, resultando em uma derrota humilhante para os socialistas em 2002 e, novamente, em 2006.
Ele retornou em 2010, mais maduro e, também, mais astuto.
Apoiado por uma maioria de dois terços no Parlamento, empreendeu uma ampla reforma das estatais e introduziu uma nova Constituição em 2012, com valores conservadores e que lhe conferiu mais poderes.
O modelo Orbán
Orbán começou a redefinir o Estado húngaro e suas instituições, construindo gradualmente um sistema que, em 2014, batizou de “Estado antiliberal”.
Há anos, seus críticos o acusam de minar a independência do Judiciário, silenciar a imprensa e manipular o sistema eleitoral.
Bolsonaro e Orbán durante visita do então presidente brasileiro à Hungria em fevereiro de 2022.
Alan Santos/PR
O premiê limitou os poderes da Corte Constitucional, além de criar órgãos de controle da Justiça subordinados ao Executivo.
Mudanças no sistema eleitoral, como o redesenho de distritos e a criação de empecilhos para a formação de blocos opositores, também garantiram um domínio do Fidesz no Parlamento.
Finalmente, Orbán criou órgãos reguladores de mídia usados para coibir e intimidar veículos e jornalistas críticos. Pouco a pouco, seus aliados adquiriram jornais, formando blocos de mídia que atuam em consonância com seu governo.
Essas medidas deflagraram repetidos embates com a União Europeia, assim como sua postura anti-imigração, que demoniza solicitantes de asilo e restringe seus direitos.
No entanto, Orbán transformou tudo isso em vantagem, lançando extensas campanhas midiáticas centradas em seus constantes embates “com Bruxelas”, nas quais se retrata como o defensor dos interesses nacionais contra o “globalismo” representado pelo bloco.
Sua coalizão de governo, Fidesz-KDNP, foi reeleita com maioria de dois terços nas últimas três eleições.
Ao mesmo tempo — e por anos —, a filiação do Fidesz à maior família política da UE, o Partido Popular Europeu (PPE), protegeu Orbán de consequências mais severas em relação ao retrocesso democrático do sistema húngaro.
Em 2021, PPE e Fidesz romperam laços, após anos de tentativas de outros partidos-membros de pressionar Orbán a conter suas tendências autocráticas.
As repercussões desse divórcio foram sentidas em sua plenitude no ano seguinte, quando a UE suspendeu bilhões de euros destinados à Hungria, citando as preocupações de Bruxelas com a corrupção e o Estado de direito.
Embora o governo de Orbán tenha empreendido reformas que permitiram o desbloqueio de uma parcela desses fundos, cerca de 18 bilhões de euros (R$ 107 bilhões) permanecem congelados.
‘Chamam ele de homem forte. É uma pessoa durona’, disse Trump sobre Orbán
Reuters/ Carlos Barria
Desgaste
Após sua vitória eleitoral em 2022, Orbán posicionou-se cada vez mais como ator geopolítico, cultivando laços com Putin, Trump, líderes da extrema direita europeia e figuras latino-americanas próximas, como o presidente argentino Javier Milei, o chileno José Antonio Kast e a família Bolsonaro.
Seu governo gastou generosamente o dinheiro dos contribuintes para promover seu modelo político.
Orbán aproveitou a presidência semestral da Hungria no Conselho da UE, em 2024, para empreender uma autodenominada “missão de paz” a Moscou, iniciativa que irritou outros líderes do bloco.
No entanto, enquanto líderes de perfil semelhante ascendiam ao poder em diversas partes do mundo, a autoridade de Orbán começou a declinar internamente, em meio a estagnação econômica, escândalos e o surgimento do rival Peter Magyar.
O eleitor da oposição a Orbán tende a ser mais jovem, urbano e cosmopolita, com maior nível de escolaridade e concentrado em grandes cidades, sobretudo Budapeste e outros centros universitários.
A Parada do Orgulho LGBT+ na capital húngara, proibida por Orbán, se tornou um evento de opositores do Fidesz que atrai multidões maiores a cada ano que passa, com o apoio da prefeitura, de oposição.
Resta saber se o movimento anti-Orbán, finalmente reunido sob uma única candidatura, terá força para derrotar o Fidesz jogando pelas regras que ele mesmo escreveu.
Com informações da AFP.g1 > Mundo Read More