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Sem EUA, Reino Unido reúne 40 países para discutir bloqueio do Estreito de Ormuz e diz que Irã faz ‘economia global refém’

Sem EUA, Reino Unido reúne 40 países para discutir bloqueio do Estreito de Ormuz e diz que Irã faz ‘economia global refém’

 A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, ao centro, discursa durante uma cúpula virtual no Ministério das Relações Exteriores e da Commonwealth, em Londres, na quinta-feira, 2 de abril de 2026, com cerca de 35 países para discutir formas de reabrir o Estreito de Ormuz.
Leon Neal/Pool via AP
O Reino Unido acusou o Irã nesta quinta-feira (2) de “manter a economia mundial como refém”, enquanto diplomatas de mais de 40 países participaram de uma reunião para discutir formas de reabrir o Estreito de Ormuz, rota marítima vital afetada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Os Estados Unidos não participaram do encontro virtual. A ausência ocorre após o presidente Donald Trump afirmar que garantir a segurança da via marítima não é responsabilidade americana (veja no vídeo abaixo). Ele também criticou aliados europeus por não apoiarem a guerra e voltou a ameaçar retirar o país da Otan.
A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, disse que o encontro demonstra “a força da determinação internacional” para reabrir o estreito por meios políticos e diplomáticos, e não militares.
Segundo ela, o Irã “sequestrou uma rota internacional de navegação” e está impactando a economia global. Cooper afirmou que a alta “insustentável” nos preços do petróleo e dos alimentos já afeta famílias e empresas em todo o mundo.
Trump diz que cabe a outros países buscar e tomar o petróleo bloqueado pelo Irã no Estreito de Ormuz
Tráfego marítimo quase paralisado
Ataques iranianos a navios comerciais — e a ameaça de novos ataques — praticamente interromperam o tráfego no Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico aos oceanos e é essencial para o transporte global de petróleo.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques diretos a embarcações comerciais na região, com 11 tripulantes mortos, segundo a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence.
O fluxo de navios caiu drasticamente. Os poucos petroleiros que ainda cruzam a área são, em sua maioria, embarcações que tentam driblar sanções para transportar petróleo iraniano. Segundo a empresa, o Irã mantém controle rigoroso sobre quem pode atravessar o estreito.
Em discurso na noite de quarta-feira (1º), Trump afirmou que países dependentes do petróleo da região “devem cuidar disso”, indicando que os EUA não vão intervir.
LEIA TAMBÉM: As questões que Trump não respondeu sobre a guerra do Irã em discurso sobre o conflito
Sem ação militar no curto prazo
Nenhum país demonstrou disposição de reabrir o estreito pela força enquanto os combates continuam. O Irã tem capacidade de atingir navios com mísseis antinavio, drones, embarcações de ataque e minas marítimas.
Cooper disse que militares de alguns países devem se reunir futuramente para planejar a segurança da rota após o fim dos combates, incluindo operações de desminagem e medidas para dar segurança à navegação comercial.
Enquanto isso, mais de 30 países — entre eles Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Emirados Árabes Unidos — assinaram uma declaração exigindo que o Irã pare de bloquear o estreito e se comprometeram a contribuir para garantir a passagem segura.
Segundo Cooper, os países também discutiram medidas diplomáticas para reabrir a rota com segurança e formas de proteger cerca de 20 mil marinheiros em 2 mil navios afetados pelo conflito.
Guerra e petróleo: declarações de Trump e do Irã movem o mercado
Arte/g1
Pressão indireta sobre Trump
A mobilização internacional lembra a chamada “coalizão dos dispostos”, liderada por Reino Unido e França para apoiar a segurança da Ucrânia após um eventual cessar-fogo na guerra com a Rússia.
A iniciativa também busca mostrar ao governo Trump que a Europa está assumindo mais responsabilidades em sua própria defesa, em meio a críticas do presidente americano à OTAN.
O analista David B. Roberts, do King’s College London, afirmou que esses esforços estão ligados à postura crítica de Trump em relação à aliança militar e à cobrança para que outros países aumentem sua contribuição.
Ele destacou ainda que os impactos imediatos da crise energética atingem mais a Europa e a Ásia do que os Estados Unidos, que hoje são exportadores de petróleo.g1 > Mundo Read More