Um Corinthians sem brilho, pobre de ideias, justifica demissão de Dorival
Voz do Setorista: Dorival demitido, Fernando Diniz e Tite no radar; as últimas do Timão
A derrota de 1 a 0 para o Inter, neste domingo, pareceu feita em laboratório para demonstrar, com rigor científico, a pobreza de ideias do Corinthians.
Contra um adversário com enormes limitações, mas dedicado a defender suas trincheiras até o limite, a equipe treinada por Dorival Júnior não encontrou solução alguma – nem pelo meio, nem pelos lados; nem pelo alto, nem por baixo. Durante mais de 100 minutos, passou ao largo de qualquer iluminação ofensiva. E ainda conseguiu ser vazada por um oponente pouco disposto a atacar. As vaias em Itaquera serviram como prenúncio para a demissão do treinador, confirmada uma hora depois.
Os títulos recentes, sustentados em uma postura copeira, mascararam o fracasso do Corinthians como um time confiável a longo prazo. Dorival deixa o clube com mais duas conquistas em seu respeitável currículo – a Copa do Brasil do ano passado e a Supercopa do Brasil desta temporada. Mas entrega ao seu sucessor, a ser escolhido, uma herança muito tímida.
Dorival Júnior em Corinthians x Inter
Marcello Zambrana/AGIF
O Corinthians tem elenco e time para jogar mais do que vinha jogando, a despeito dos recorrentes problemas políticos do clube e da série de lesões que vitimou o elenco – incluindo destaques como Memphis Depay. Às vezes fazia boas partidas, como um nadador que tirava a cabeça da água para pegar ar, e então submergia novamente em uma rotina de atuações caretas, protocolares. Era um time sem brilho.
Os resultados começaram a cobrar o preço de tamanha mediocridade. Já houve um aviso na campanha no Brasileirão passado, finalizado com apenas quatro pontos à frente da zona de rebaixamento. E desde o começo do ano vieram a derrota no Dérbi, a quase eliminação para a Portuguesa, a queda para o Novorizontino no Paulistão, os nove jogos sem vencer, o flerte com o Z-4 no Brasileiro. A situação de Dorival ficou insustentável.
A troca no comando ocorre em momento delicado: às vésperas da estreia na Libertadores, quinta-feira, contra o Platense, e diante de mais um Dérbi, domingo, em Itaquera, pelo Brasileirão. O clube entendeu que não havia sinais de que o rendimento pudesse melhorar. E tem razão: não havia mesmo.
Veja o pronunciamento de Marcelo Paz após a demissão de Dorival Júnior do Corinthians
Agora, ao escolher o sucessor, a diretoria precisa definir a identidade que busca para a equipe. Graças à chacina habitual do futebol brasileiro, há no mercado um amplo cardápio de treinadores – de Crespo a Tite, de Vojvoda a Fernando Diniz. Mas a questão é: o Corinthians sabe como quer jogar? O Corinthians consegue ler as características de seu elenco? Ou a estratégia é empilhar jogadores, alguns deles midiáticos, e torcer para que o próximo técnico resolva?
O clube dará agora um passo decisivo para o futuro da temporada. A situação é atípica, para o bem e para o mal: o treinador escolhido precisará sobreviver a uma sequência de jogos a cada três dias e depois terá (se chegar lá, claro) o luxo da pausa para a Copa do Mundo. Um erro de avaliação neste momento poderá causar um estrago ainda maior.
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