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Após doença rara no coração, fisiculturista retorna de pausa de 3 anos e conquista top 2 no Arnold

Após doença rara no coração, fisiculturista retorna de pausa de 3 anos e conquista top 2 no Arnold

Wellington Nescau retorna aos palcos após doença cardíaca e fica em 2º no Arnold Brasil
Wellington Baptista, o “Nescau”, foi um dos grandes personagens do Arnold Classic Brasil, disputado no último fim de semana, em São Paulo. Diagnosticado com uma doença autoimune rara no coração, o fisiculturista voltou a competir após quase três anos afastado dos palcos e surpreendeu com um segundo lugar na categoria Open, que o colocou na briga por uma vaga no Mr. Olympia.
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Nescau descobriu o problema quando estava no auge da forma física. Sua última competição havia sido o Empro Classic Pro, na Espanha, em junho de 2023, quando foi terceiro colocado. Depois disso, o atleta de 37 anos iniciou um período de off-season (período fora de competições focado em ganho de massa muscular) e chegou a pesar 140 kg, mas precisou interromper a carreira para cuidar da saúde.
Wellington Nescau no Arnold Classic Brasil
Giba Jr./Equipe Alpha/Musclecontest
Em março de 2024, pouco antes de voltar aos palcos, uma virose evoluiu para uma pericardite – inflamação na membrana que reveste o coração – e, após meses de recorrência, internações, procedimento cirúrgico e exames, veio o diagnóstico de uma sarcoidose cardíaca, doença inflamatória sistêmica, caracterizada pelo crescimento de pequenos aglomerados de células imunes no coração.
– É uma doença muito difícil e rara. Poucas pessoas têm, e eu não conheço nenhum fisiculturista com algo parecido. Não sabia como fazer o tratamento de início até que, depois, descobrimos o corticoide. Ela é bem chata e sistêmica, então pode afetar pulmão, pele e córnea. Tem que tomar muito cuidado. Faço exames a cada três meses: holter, ressonância do coração, exames de sangue, tudo para monitorar e evitar riscos maiores – explicou Nescau ao ge.
– O único tratamento é o corticoide. Até hoje faço uso. Usei uma dose mínima para competir. É o corticoide que mantém a minha autoimune dormindo. Minha equipe, minha família e Deus me deram forças – falou. – É algo que não tem cura, então preciso conviver com isto e conseguir fazer as outras coisas da vida da melhor maneira possível.
Wellington Nescau na academia durante uma das internações pela pericardite
Reprodução/Instagram
Durante o período mais delicado da doença, Nescau chegou a ser internado quatro vezes e ficou seis meses longe da academia. Por conta de dores muito fortes na região torácica ao se inclinar ou deitar, o atleta chegou a dormir sentado em alguns dias.
Após iniciar o tratamento, ainda precisou respeitar um tempo sem treinar até entender como o organismo reagiria. A retomada aconteceu em 2025, quando o quadro já estava mais estável. Foi a partir daí que, ao lado de Fabrício Pacholok, ele começou a planejar o retorno às competições, tendo o Arnold Brasil como principal objetivo.
– Quando a gente percebeu que estava tudo bem e os exames ok, o médico liberou para iniciar uma preparação. Os treinos subiram com intensidade, pensamos em uma data e preparamos um pré-contest. Fizemos uma preparação mais longa, extremamente cuidadosa, sem a necessidade de utilizar estratégias mais agressivas, porque tinha cuidado com o coração dele – falou Pacho.
Fabrício Pacholok, Wellington Nescau e Adam Abbas
Reprodução/Instagram
Mesmo sem competir, Nescau seguiu próximo ao esporte. Enquanto não podia competir, atuou como uma espécie de auxiliar de Pacholok, ajudando na preparação de Ramon Dino para o Mr. Olympia enquanto o treinador estava nos Estados Unidos – seja para acompanhar o americano Derek Lunsford ou para preparar seus atletas para as competições.
– Sempre que eu viajo, o Nescau é o cara que eu confio para acompanhar o Ramon. Trabalhamos juntos há 12 anos, ele é a pessoa que mais conhece minhas estratégias e minha metodologia de treino. Ele acompanhou o Ramon no período pré-Olympia – disse Pacho, campeão do Olympia na Classic Physique e na Open.
– Foi muito importante para todo mundo. Como era um momento em que eu não podia servir como atleta, a Max Titanium me realocou dentro do time. Sou formado em Educação Física e já trabalhei como treinador, e para mim foi uma válvula de escape – comentou Nescau, que também enfrentou um quadro leve de depressão durante o período.
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No Arnold, mesmo fora da lista de favoritos em uma categoria que contava com nomes como Leandro Peres e o nigeriano Blessing Awodibu, Nescau surpreendeu. Com cerca de 110 kg no palco e físico bem condicionado, destacou-se desde as prévias e terminou na segunda colocação – atrás somente do compatriota, que se classificou para o Olympia.
– Estou muito feliz e grato. Muita gente falava em top 5 e top 3, e eu entendia, porque fiquei muito tempo sem competir. Mas, no fundo do meu coração, eu sabia que vinha pra brigar pelo título, mesmo depois de tanto tempo parado, sem as melhores condições por causa da minha doença autoimune e das lesões que tive no caminho. Tudo isso faz parte do processo para deixar a gente mais forte. Cheguei campeão e saí muito vitorioso – afirmou.
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Divulgação/Max Titanium
Apesar dos riscos envolvidos por conta de um problema cardíaco, Nescau garante que a situação está controlada com o tratamento e segue motivado para dar continuidade à carreira. Ele quer tentar se classificar para disputar seu primeiro Mr. Olympia, considerada a “Copa do Mundo do fisiculturismo”, ainda este ano.
– Minha fé em Deus e minha coragem são muito maiores que o medo. Muita gente falou que eu era louco, que deveria parar e cuidar da família. Mas acredito que Deus tem propósitos na minha vida. Independente de continuar competindo ou não, quero atingir pessoas com a minha história e mostrar que, quando você tem uma base forte, as coisas acontecem – disse.
Nescau já tem novos compromissos marcados. Ele competirá no Pittsburgh Pro, em 16 de maio, e no California State Championships, no dia 23. O atleta precisa vencer uma competição para garantir vaga no Mr. Olympia 2026, marcado para ocorrer entre 24 e 27 de setembro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. geRead More