Artilheiro da Lusa disputou posição com Yuri Alberto e Guerrero, rodou pela Espanha e agora busca acesso
Água Santa 0 x 1 Portuguesa l Gols l 4ª rodada l Campeonato Brasileiro Série D 2026
O atacante Matheus Cadorini vive seu melhor momento desde que chegou na Portugeusa, no início do ano, para a disputa do Campeonato Paulista. Na Série D, até o momento, já são oito jogos, sendo sete como titular, com quatro gols marcados. Ele é o artilheiro do time.
Na última partida, a vitória contra o América-RJ, por 4 a 1, Cadorini marcou duas vezes e ajudou a equipe a garantir a sua classificação para a fase de mata-mata da competição.
Cadorini em Portuguesa x América-RJ
Victor Bessa / Portuguesa SAF
Começo no Internacional e amizade com Yuri Alberto
Cadorini começou sua trajetória no Santo André, aos 14 anos. Ainda no Sub-15, chegou ao Audax, de Osasco, onde ficou três anos, até ser chamado pelo Internacional.
Pelo Inter, o atacante completou sua formação, sendo um destaque das categorias de base do Colorado, marcando cerca de 100 gols. Em 2021, foi chamado para fazer parte do elenco principal. A estreia foi diante da Chapecoense, sendo coroada com o primeiro gol no futebol profissional.
— As coisas aconteceram muito rápido. Cheguei no Inter com o Fábio Matias, que estava na Portuguesa até pouco tempo atrás. Fui jogando, fazendo gols, até que o Diego Aguirre me sobe para o profissional em 2021. Minha estreia como profissional no Inter foi contra Chapecoense, nesse mesmo dia eu marquei meu primeiro gol — relata o atacante.
Porém a promoção não traria desafios mais fáceis. Quando chegou ao grupo dos profissionais, Cadorini teve que disputar posição com mais cinco centroavantes de oficio. Entre eles, estavam Yuri Alberto, hoje no Corinthians, e Paolo Guerrero, também ídolo do Timão, além de ter passagens marcantes pelo futebol brasileiro.
— Tinha muitos centroavantes, eram cinco na minha frente. Tinha o Yuri, o Thiago Galhardo, um pouco do Guerreiro, mais dois estrangeiros e ainda o Vini Mello, que subiu comigo da base. Mas aí o Vini é vendido, os dois saem, e eu começo a ganhar oportunidades. A disputa ficou com o Yuri, que até hoje é meu amigo. Me ajudou bastante naquela época. Até hoje a gente conversa. A gente não se fala diariamente. Mas, por exemplo, no Paulistão teve jogo contra o Corinthians, a gente se falou. Eu sempre soube da capacidade dele, nunca duvidei do que ele podia fazer, deu no que deu — conta.
Matheus Cadorini e Yuri Alberto no Inter
Ricardo Duarte/Divulgação, Internacional
Terceira divisão da Espanha
Após sair do Internacional, Cadorini foi emprestado para o Coritiba e Ituano, mas sem receber muitas chances. Até que na temporada 2024/2025 decidiu se transferir para o Real Murcia, da terceira divisão da Espanha.
Apesar da divisão inferior, o Real Murcia é um clube tradicional no futebol espanhol, sendo o maior campeão da segunda divisão, além de contar com um estádio próprio e uma torcida apaixonada.
Logo quando chegou na Europa, Matheus conseguiu uma marca impressionante. Virou o atleta com a melhor média de gols por minutos jogados na Espanha, superando Mbappé, Lewandowski, Arda Guller e companhia, balançando as redes a cada 48 minutos.
— Ter essa passagem lá foi uma das melhores coisas que eu fiz. Apesar de ser um time de terceira divisão, o Real Murcia é um clube é o maior campeão da segunda divisão, muitos anos na primeira também. O estádio cabia 30 mil pessoas. No derby lá dava 25, 30 mil pessoas. Mudou muito a minha cabeça, vi que eu tinha que ser um atleta e não um jogador de futebol. Eu cheguei achando que estava bem, mas estava abaixo dos caras. A mentalidade dos jogadores é de primeira divisão. Trouxe de lá tudo que eu aprendi. Tenho vontade de voltar para a Europa um dia — disse.
Matheus Cadorini no Real Murcia
Reprodução
Sequência na Lusa
Apesar do bom começo na Espanha, Cadorini não teve sequência como titular da equipe, fazendo apenas 15 jogos em mais de um ano no Real Murcia.
Buscando novos ares e um projeto onde pudesse conseguir minutos, o atacante foi chamado por Fabio Matias, então treinador da Portuguesa, para fazer parte do elenco do clube no Campeonato Paulista de 2026.
— O Fábio me ligou e me falou do projeto. A gente já era muito próximo, lembrou de mim, e disse que queria contar comigo aqui. Não pensei duas vezes, um clube gigante de São Paulo. Estava precisando de uma sequência de jogos na minha carreira, até então eu não tive, nunca tive uma temporada que eu pude falar: “fui titular e consegui desempenhar”. Todo lugar que eu passei eu marcava gols, mas não conseguia ser importante. Aqui eu sinto que estou conseguindo isso — revela Cadorini.
Matheus Cadorini é a nova contratação da Lusa
Divulgação / Portuguesa SAF
Relação com o novo técnico
O trabalho com Fábio Matias não durou muito. O treinador saiu do comando da Lusa no começo de abril, para comandar a Chapecoense, de onde já foi demitido após pouco mais de um mês no cargo.
O atacante, que já tinha a confiança do treinador, teve que “conquistar” um novo. Ademir Fesan foi o escolhido, vindo da Inter de Limeira, onde conseguiu o acesso da Série D para a Série C, em 2025.
— Fesan é um baita treinador, está me dando total confiança. Ele tem características parecidas com o Fábio. Quando ele veio, sabia que eu podia ser importante para ele e acho que a gente está no caminho certo — disse o atacante.
Ademir Fesan estreou com vitória no comando da Portuguesa
Divulgação/Portuguesa SAF
Mata-mata e desafios da Série D
Com o novo comandante, a Portuguesa conseguiu garantir a sua classificação para a fase de mata-mata da Série D, após a vitória contra o América-RJ, jogo onde Cadorini marcou dois gols, voltando a balançar as redes após quatro partidas.
— O clube estava precisando da vitória e eu precisando voltar a marcar. Foi uma cobrança interna que a gente teve também, estavamos dois jogos sem marcar gols. Também me cobrei bastante, trabalhei muito e pude ajudar o time com esses dois gols — conta.
Agora, restam mais dois jogos até o fim da fase de grupos, quando a Lusa conhecerá o seu adversário na próxima fase. Para conseguir o acesso para a divisão superior, a Portuguesa precisará vencer quatro series de jogos ida e volta. Os quatro semifinalistas garantem a caga na Série C.
Para o atacante, é justamente nesta fase que a grande dificuldade da competição se encontra.
— Quem fala que a Série D é fácil não entende de futebol. Joguei Série A, Série B, na Europa, e é um futebol diferente. Mas não quer dizer que é fácil. Os caras estão dando a vida deles, para ganhar o pão de cada dia. Depois da primeira fase, são quatro mata-matas para subir, que campeonato você tem que ganhar quatro finais para subir? A Série D, para mim, é até mais difícil que a Série C, ou até mesmo que a Série B. Porque, para você subir, são quatro finais, é muito difícil — argumenta.
*Colaborou sob supervisão de Diego Ribeiro
Cadorini comemora gol contra o Primavera, em Indaiatuba
Rebeca Reis/ Ag. Paulistão
+ Clique aqui e saiba tudo sobre a Portuguesa geRead More


