Avaí e Figueirense: passado glorioso, presente triste e futuro incerto
O pessoal da minha idade – sou da geração de 64 – costuma falar do futebol de antigamente com muita saudade. Se somos apaixonados pelo esporte bretão, muito desse fascínio é pelos grandes jogadores que vimos e pelos jogos inesquecíveis que assistimos. E não falo apenas dos principais times do Brasil. As atuações de Avaí e Figueirense nos últimos tempos são um convite irresistível ao saudosismo.
Avaí 0 x 2 Goiás pela Série B
Fabiano Rateke/Avaí F.C.
É claro que o futebol mudou muito, que hoje a parte física é bem mais importante, mas a qualidade técnica ainda deveria ser uma premissa mínima para jogar. O processo para virar jogador é longo, feito de várias etapas, e muitos não conseguem chegar ao profissional. E algumas vezes eu me pergunto como alguns atletas chegaram na elite.
Talvez a metodologia de trabalho nas categorias de base dos nossos clubes esteja equivocada. Os meninos têm que trabalhar exaustivamente os fundamentos. Passe, domínio, chute, usar a perna “não dominante”, que no meu tempo era apenas a perna ruim. Também tenho saudade do tempo que os termos eram mais simples. A tática é importante, claro, mas deve ser colocada mais tarde. Mas os professores parecem mais preocupados em aplicar suas concepções táticas, muitas delas aprendidas nos cursos da CBF.
Voltando ao saudosismo, não tem como não lembrar do passado glorioso de Avaí e Figueirense vendo os jogos de hoje. Mesmo quando nossos times não disputavam com regularidade as principais divisões do futebol nacional, lá pela década de 70 e 80, tínhamos jogadores com muito mais intimidade com a bola. E já neste século, tanto Avaí quanto Figueirense tiveram participações marcantes na elite do futebol brasileiro, com jogadores que marcaram época.
Eu poderia fazer um texto só com nomes dos craques que passaram por aqui, e outros que aqui nasceram e brilharam, mas vou lembrar só de alguns nomes que, sem dúvida, representam a qualidade de todos que jogaram em Florianópolis. Cléber Santana, Fernandes, Wilson e Marquinhos.
Eu sei, eram outros tempos. Hoje a realidade, dura e crua, bate na nossa porta. E cruzamos com ela em cada final de semana. Times fracos, clubes em graves situações financeiras e poucas perspectivas de uma melhora a curto prazo. Estamos em maio, e o objetivo do Avaí é não cair para a Série C, e o do Figueirense é tentar se manter nela.
É pouco, muito pouco. Não condiz com a história dos dois clubes, e por isso estamos cada vez mais saudosistas! geRead More


