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Colecionador revela que Ronaldo queria calção usado no Penta de volta: “Um dos melhores itens”

Colecionador revela que Ronaldo queria calção usado no Penta de volta: “Um dos melhores itens”

Colecionador tem 700 camisas da Seleção usadas por jogadores
Imagine ter em casa a camisa usada por Ronaldo na Copa do Mundo de 1998 ou a do lateral Branco na campanha do tetracampeonato de 1994? Ou ouvir um pedido do Fenômeno para ter um item de volta (e negar, ainda por cima)? O gaúcho Salomão Furer Júnior é personagem dos dois fatos e terá quatro camisas expostas no Museu do Futebol, em São Paulo.
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A exposição “Amarelinha” será aberta nesta sexta-feira e trará 18 uniformes originais da Seleção usados entre as Copas de 1958 e 2022. Entre elas, quatro da coleção do torcedor: a de Waldir Peres (1982), Sócrates (1986), Branco (1994) e Ronaldo (1998). O gaúcho tem 700 peças usadas por jogadores da seleção brasileira.
Para Salomão, ter as peças expostas em um dos principais espaços de preservação da história do futebol brasileiro faz valer a dedicação de mais de três décadas.
– É uma honra, porque dediquei mais tempo do que devia em cima de futebol e camisas. Então, hoje parece que, de certa forma, justifica todas as loucuras que já fiz. Se aquela criança que o Salomão era visse isso ele acharia legal – contou o gaúcho de 52 anos, natural de São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre.
Camisas da Seleção que estarão expostas no Museu do Futebol
Emerson Garcia/RBS TV
Na infância, os heróis do pequeno Salomão vestiam camisas de futebol, No lugar de carrinhos e bonecos, a preferência era por bolas e times de botão. A paixão pelo esporte nasceu justamente de uma Copa do Mundo, a de 1982, que teve a participação de nomes como Falcão, Sócrates e Zico.
Me sinto guardião de um tesouro, de peças que carregam o melhor do futebol brasileiro, com jogadores incríveis como Pelé, Rivelino, Everaldo, Sócrates e Zico.
Calção de Ronaldo
Em meio às peças raras, Salomão elege a camisa de Ronaldo como a mais valiosa. É também do atacante outro item especial da coleção: um calção vestido na Copa do Mundo de 2002, presente de um amigo de Santa Catarina.
– Ele me deu o calção, botei na minha mala e só quando cheguei em casa, olhei e chamei ele: “cara, tu me deu um calção usado pelo Ronaldo na Copa?” Ele falou que sim e provavelmente na final. Porque a pessoa de quem ele comprou passou uma camisa da final e mais o calção do Ronaldo.
Calção de Ronaldo Fenômeno usado na Copa do Mundo de 2002
Emerson Garcia/RBS TV
O calção foi vestido pelo atacante durante a Copa, mas Salomão não consegue precisar se foi na decisão contra a Alemaha, onde Ronaldo marcou os dois gols da vitória do pentacampeonato. Conforme ele, a história chegou até o ex-camisa 9, que pediu a peça de volta ao colecionador. Contudo, garantiu a permanência na coleção.
Estava em São Paulo junto com os meninos da Rede Ronaldo, eles gravaram o calção e mandaram para o Ronaldo. Ele queria o calção. Mas já era, não tem como
– Acho que é um dos melhores itens da coleção, porque esteve presente na nossa última conquista e pode ter sido com esse calção que ele fez os dois gols do título – acrescentou.
Salomão fala sobre sua coleção de camisas históricas da Seleção Brasileira
Outras raridades
Na coleção, há também a camisa de um amistoso contra o Chile, em 1987, quando a Seleção estampou no peito a primeira, e única, marca de uma companhia privada em partida oficial. Na época, o patrocínio surpreendeu os jogadores, foi mal visto pela torcida e acabou barrado pela Justiça, além de gerar punição por parte da Fifa, que libera apenas os símbolos das fornecedoras de material esportivo.
– Outra curiosidade é que esse jogo foi em Uberlândia, ou seja, o Brasil chegava a jogar em diferentes cidades e talvez isso também fizesse a seleção ter uma conexão maior com o povo. É uma camisa especialíssima da minha coleção.
Camisa da Seleção usada em amistoso em 87 com patrocínio
Emerson Garcia/RBS TV
Assim como a vestida por Zico nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1982. Segundo Salomão, ela foi utilizada apenas duas vezes pelo meio-campista, e em uma delas marcou gol. A assinatura do craque dá toque especial à peça.
– O Zico é um dos heróis da minha infância. Essa camisa dá muita felicidade, porque lembra dessa paixão de criança. Muito de tu colecionar é resgatar memórias, não só do futebol, mas da vida e da família – afirmou o Salomão.
Casaco da Seleção da coleção de gaúcho Salomão Furer
Emerson Garcia/RBS TV
A vida de colecionar, contudo, não é só felicidade. Guarda também arrependimentos. Antes da “brincadeira” ser levada tão a sério, Salomão conta que se desfez de algumas das primeiras camisas da Seleção, que hoje poderiam deixar a coleção ainda mais rara e maior.
– Há um momento da vida que tu não sabe que aquilo se tornaria uma coleção aí tu dá a camisa para alguém que iria usar e talvez essas pessoas também se tornaram colecionadores. (…) De forma geral, me arrependo de todas as camisas antigas que passaram na minha mão e me desfiz, não foram muitas.
– Ainda hoje tive uma proposta de troca em uma camisa minha que talvez até fosse vantajoso, mas não consigo me desfazer, crio um laço, um apego na camisa que é difícil mandá-la embora – completou.
Como tudo começou
O olhar de colecionador se desenvolveu ao natural e ganhou forma com o desejo de conseguir peças que fugissem da tradicional “camisa 10”. A coleção de Salomão é formada basicamente por camisas dos anos 80 e 90, período de atuação de seus maiores ídolos.
– Quando criança, percebi que as lojas não vendiam as camisas que os jogadores usavam. Raramente via alguma com número, e quando tinha era o 10. Quando via alguém usando uma camisa 13, 14, imaginava ter ganho de algum jogador. Aí comecei a perceber que essa seria a forma de conseguir camisas que de outra forma seria impossível – relembrou.
Salomão Furer, colecionador de camisas da Seleção Brasileira
Emerson Garcia/RBS TV
Além da numeração, Salomão explica que são observados detalhes das peças para confirmar a utilização em jogos, a exemplo da etiqueta, do local de fabricação, os bordado nos escudos e mesmo o tipo do tecido.
No total, a coleção é formada por mais de mil itens da seleção brasileira, incluindo flâmulas, chuteiras, agasalhos de viagem, uniformes de treino, autógrafos e até um pedaço de grama do Estádio de Yokohama, no Japão, onde o Brasil foi pentacampeão. Mas a parte preciosa é a das 700 camisas vestidas por jogadores.
– Aquilo que me emociona é a camisa ter o DNA do craque e o jogo. A glória é quando tu saber o jogo que o atleta a vestiu. Tem camisas de jogadores que fizeram gols usando elas. Se o Brasil for hexa, o Santo Graal dessa Copa é ter a camisa do jogador que fez o gol do título – afirmou Salomão. geRead More