Da Copa a palco de shows: como a Arena da Amazônia deixou de ser a casa do futebol amazonense
Qual é a prioridade dos estádios de Manaus?
Construída para ser um símbolo do futebol na Região Norte após a Copa do Mundo de 2014, a Arena da Amazônia volta a ser motivo de debate no futebol amazonense. Doze anos após a realização do Mundial, o principal palco esportivo do estado está novamente fora de uma decisão envolvendo um clube local.
Desta vez, a final da Copa Norte entre Nacional-AM e Paysandu, que acontecerá nesta quinta-feira (28) não será disputada na Arena porque o estádio, com gramado castigado, está tomado pela estrutura de shows.
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Gramado da Arena da Amazônia deteriorado e estrutura para shows tiram final da Copa Norte.
Divulgação
O cenário escancara uma realidade que vem se repetindo nos últimos anos: o futebol amazonense perdeu espaço dentro da própria casa.
Quando Manaus foi escolhida como sede da Copa do Mundo, ainda existiam dúvidas sobre a viabilidade de um estádio de quase R$ 600 milhões em um estado que vivia baixa relevância no cenário nacional.
A Arena da Amazônia recebeu apenas quatro partidas do Mundial, mas, anos depois, viu o futebol local crescer de forma inédita.
Arena da Amazônia
Divulgação/Parintins
O maior público da história do estádio não veio da Copa de 2014. Foi do futebol amazonense. Em 2019, a final da Série D do Brasileirão, entre Manaus e Brusque, levou 44.896 torcedores à Arena.
Quatro anos depois, o Amazonas colocou 44.509 pessoas no estádio contra o Botafogo-PB, pela Série C, superando inclusive públicos do Mundial.
Desde o acesso do Manaus ao cenário nacional e o crescimento meteórico do Amazonas, o futebol local passou a frequentar competições nacionais, enfrentar gigantes do país e ganhar visibilidade. Mesmo assim, os clubes amazonenses seguem perdendo espaço no principal estádio do Norte do Brasil, o único da região a receber uma Copa do Mundo.
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Amazonas x Flamengo – Arena da Amazônia
Arquivo Pessoal
Decisão muda de local
A situação ganhou um novo capítulo na final da Copa Norte. Após 24 anos do retorno da competição organizada pela CBF, o futebol amazonense chegou à sua sexta final em sete edições, reforçando sua posição como maior força do torneio regional, do qual possui três títulos, todos do São Raimundo-AM.
Nesta edição, o Nacional-AM levou o estado novamente à decisão. Depois da derrota por 1 a 0 para o Paysandu, em Belém, o clube esperava decidir o título na Arena da Amazônia nesta quinta-feira, mas recebeu a negativa de que o estádio não teria condições de receber a partida por causa do gramado, deteriorado pelos eventos realizados no local.
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Final da Copa Norte fora da Arena da Amazônia.
Divulgação
O problema vai além do campo. Para o sábado seguinte à decisão, a Arena já tem outro evento marcado, com estrutura montada sobre o gramado para um festival de boi-bumbá. A prioridade foi definida antes mesmo da bola rolar.
O presidente do Nacional-AM, Saullo Vianna, usou as redes sociais para lamentar a situação da Arena da Amazônia. Segundo ele, após vistoria técnica, ficou constatado que o estádio não teria condições de receber uma partida da dimensão da final regional.
O dirigente destacou ainda que, diante do cenário, a melhor alternativa encontrada foi a transferência da decisão para o estádio Carlos Zamith.
A pergunta que fica é inevitável: o estádio construído para o futebol ainda pertence ao futebol?
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Problemas de conservação
Os problemas estruturais também se acumulam. Desde 2021, a Arena sofre com falhas na iluminação. Para receber Brasil x Uruguai pelas Eliminatórias da Copa, refletores do estádio Ismael Benigno, a Colina, foram retirados e levados para a Arena.
Os equipamentos nunca retornaram. Desde então, a Colina deixou de receber jogos noturnos.
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Estádio da Colina não tem iluminação adequada
Rômulo Almeida
O que também chama atenção é o silêncio político em torno do caso. Presidente da Federação Amazonense de Futebol e vice-presidente da CBF, Ednailson Rozenha assumiu o posto cercado pela expectativa de fortalecimento do futebol local nos bastidores nacionais. Clubes esperavam maior articulação junto ao Governo do Estado e à própria CBF para defender os interesses do futebol amazonense. Contudo, diante da retirada de uma final regional da Arena da Amazônia, não houve posicionamento público nem solução apresentada.
A reportagem procurou a assessoria da Federação Amazonense de Futebol e o presidente da entidade, mas também não recebeu resposta até o fechamento deste material.
Ednailson Rozenha e Samir Xaud
Bia Pereira
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E o problema não é novo. Em 2023, o Manaus teve um jogo contra o Remo, pela Série C do Brasileirão, retirado da Arena por causa de um show de pagode e transferido para a Colina. Neste ano, a partida contra o São Raimundo-RR, pela Série D, saiu da Arena por conta de um show sertanejo e foi levada para o Carlos Zamith. Até a final do Campeonato Amazonense precisou deixar o principal estádio do estado por causa de um show do cantor Pablo.
Pablo do Arrocha lota Arena da Amazônia
g1 AM
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Agora, a final da Copa Norte também será disputada longe da Arena da Amazônia. O duelo entre Nacional e Paysandu acontecerá no estádio Carlos Zamith, que comporta pouco mais de cinco mil torcedores, capacidade muito inferior à da Arena.
Enquanto o futebol amazonense tenta ganhar protagonismo nacional dentro de campo, fora dele a sensação é de retrocesso. O estádio que nasceu para colocar Manaus no mapa do futebol mundial hoje parece ter outro papel definido. O espetáculo continua. Mas nem sempre com bola rolando.
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Nacional x Paysandu – Arena da Amazônia.
João Normando/PSEC
A reportagem procurou o Governo do Amazonas, que administra as praças esportivas do Estado, como a Arena da Amazônia. A resposta veio atrás da Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel). Segundo eles, o estado ruim do gramado da Arena se dá por conta das fortes chuvas em Manaus.
Veja a nota do Governo na íntegra:
A Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel) informa que, devido às fortes chuvas, a drenagem dos gramados ficou temporariamente comprometida. Apesar disso, a manutenção dos campos é realizada diariamente.
Entre abril e maio, a Arena da Amazônia recebeu nove jogos de campeonatos nacionais, enquanto o Estádio Ismael Benigno (Colina) sediou seis partidas, e o Estádio Carlos Zamith, oito jogos.
A Sedel segue intensificando os trabalhos de conservação para garantir as melhores condições possíveis aos estádios. geRead More


