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Desgaste começa a cobrar o preço no Brasileirão

Desgaste começa a cobrar o preço no Brasileirão

Na volta de Paulinho, Palmeiras empata com o Santos pelo Brasileirão
A rodada deste fim de semana foi apenas a segunda em que tanto Palmeiras quanto Flamengo, os favoritos ao título brasileiro, ficaram sem vitórias – a anterior havia sido a primeira, lá em janeiro. No sábado, o time de Abel Ferreira empatou com o Santos por 1 a 1; no domingo, a equipe de Leonardo Jardim empatou com o Vasco por 2 a 2.
Há semelhanças. Os dois jogaram como mandantes, os dois enfrentaram clássicos, os dois foram a campo como favoritos contra rivais em situação ruim na tabela. Mas a principal conexão entre as duas partidas esteve no desempenho: o Palmeiras jogou abaixo do normal e chegou a ser controlado pelo Santos em alguns momentos; o Flamengo oscilou entre fases de domínio e períodos irreconhecíveis, que culminaram com o empate do Vasco no final do jogo.
Flamengo x Vasco Campeonato Brasileiro 2026
Jorge Rodrigues/AGIF
É preciso sublinhar os méritos dos adversários nos tropeços dos dois primeiros colocados. O Santos teve atuação bastante corajosa em boa parte do confronto; o Vasco não aceitou o nocaute quando o jogo estava 2 a 0, farejou uma oportunidade e conseguiu um empate admirável. Mas também é necessário analisar o contexto da queda de rendimento de Palmeiras e Flamengo.
Ambos haviam enfrentado, na quarta-feira, jogos duros, como visitantes, em um momento no qual a fase de grupos da Libertadores começa a afunilar – o time paulista empatou com o Cerro Porteño por 1 a 1, mesmo resultado da equipe carioca contra o Estudiantes. Para os dois, o jogo deste fim de semana foi o décimo em um intervalo de um mês. Eles tiveram no máximo quatro dias de distância entre partidas no período.
Isso não é exclusividade deles. O mesmo panorama se aplica inclusive a seus últimos adversários, com algumas pequenas ressalvas: o Santos jogou um dia antes, na terça, e o Vasco atuou em casa – ambos pela Sul-Americana.
A questão aqui não é fazer uma corrida entre desgastados para determinar quem sofre mais. Todos sofrem, como sabíamos que aconteceria desde o começo de uma temporada espremida pela pausa para a Copa do Mundo. A questão, isso sim, é tentar entender o efeito desse desgaste. E reconhecer que ele começa a cobrar o preço no Brasileirão.
Não é razoável exigir que o Palmeiras, nessa sequência insana, mantenha intocado seu patamar de concentração e eficiência, assim como não é razoável demandar do Flamengo que aplique sua excelência o tempo todo, sem hesitações. Eles jogarão mal. Quanto maior o desgaste, mais frequentemente isso acontecerá.
Palmeiras x Santos Campeonato Brasileiro 2026
Marcello Zambrana/AGIF
E se acontece com eles, acontece com todos. Nenhum dos oito primeiros, considerada a tabela no começo da rodada, conseguiu vencer neste fim de semana. O Fluminense, terceiro colocado, foi ao Beira-Rio e levou 2 a 0 do Inter, uma equipe inferior, em parte porque sentiu necessidade de preservar alguns titulares – essa praga que desequilibra o campeonato ano após ano. Outros times farão o mesmo conforme os jogos por Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil forem se tornando mais decisivos. E aí os beneficiados de hoje serão os prejudicados de amanhã – e vice-versa.
A consequência do desgaste se vê na queda de qualidade das partidas, no estreitamento da diferença entre os times e no amplo cardápio de lesões. Contando problemas musculares (mais diretamente vinculados ao cansaço) e outros tipos de contusões, a rodada do fim de semana nos privou de jogadores como Arrascaeta, Lucas Paquetá, Vitor Roque, Piquerez, Arthur (Grêmio), Marcos Antônio, Memphis Depay, Lucho Acosta e tantos outros.
Lucas se machuca e sai de campo sendo carregado em partida do São Paulo x Bahia
Precisamos de menos jogos para que eles sejam melhores. A CBF fez um bom movimento inicial ao reduzir os Estaduais e espichar o Brasileirão ao longo da temporada – efeito que será mais sentido no ano que vem do que neste, por causa da Copa do Mundo. Mas é necessário cortar mais.
O problema é que gostamos de jogos, de jogos aos montes, mesmo de jogos ruins. Dica: na quarta-feira, o Inter, um dos poucos times com o esporádico luxo de semanas livres para treinar, fará a imperdível final da Recopa Gaúcha contra o Brasil de Pelotas – uma partida que reúne o campeão estadual e o campeão do interior.
Detalhe: o atual campeão gaúcho é o Grêmio. A taça que estará em jogo é um prêmio aos campeões… de 2025. E lá estará Paulo Pezzolano, técnico do Inter, comandando alguma espécie de time reserva, gastando horas que poderiam ser dedicadas à preparação para a próxima rodada do Campeonato Brasileiro. geRead More