RÁDIO BPA

TV BPA

Discurso de lideranças desafia a confiança na Seleção

Discurso de lideranças desafia a confiança na Seleção

O fã nº 1 do Neymar não é nenhum de nós… é o Raphinha! 😂🇧🇷
Não sei qual é a impressão do nobre leitor, mas me parece evidente que boa parte dos brasileiros vem fazendo um esforço enorme para confiar na Seleção. Faltando cerca de um mês para o Mundial, a intenção é esquecer do ciclo atribulado, dos traumas ainda presentes e da inconsistência do time para investir as esperanças possíveis na dificílima empreitada de conquistar o hexa.
Acontece que parte dessa confiança hesitante simplesmente se transforma em farelo quando nos deparamos com as declarações recentes de alguns jogadores que são referências na instável equipe de Carlo Ancelotti. Assim como vem acontecendo dentro de campo, impera a falta de harmonia.
Em entrevista para a TNT Sports, o meio-campista Casemiro falou sobre a possibilidade de Endrick ser convocado. “A gente não pode dizer que ele vai solucionar nosso problema na Copa. Temos que ser realistas porque ele ainda não é, assim, do grupo. A gente não pode botar uma pressão nele.” É uma entrevista confusa. É possível entender, com razão, como uma espécie de proteção ao jovem jogador do Lyon. Inclusive, Casemiro fala em “blindar” o atacante.
Casemiro comemora gol do Brasil sobre Senegal
Getty Images
Mas há muita margem para ambiguidades no embaralhado discurso, inclusive em suas entrelinhas. Não ser “do grupo” facilmente pode ser compreendido como intenção de exclusão de Endrick em um ambiente já estabelecido — ele não faria parte da panela, para usar o jargão futebolístico. Passa uma sensação ruim em um momento delicado, e decepciona sobretudo porque parte de quem usa a braçadeira de capitão. Na melhor das hipóteses, e torço por ela, Casemiro comunicou-se mal.
O jogador do Manchester United também apoiou o retorno de Neymar ao time brasileiro. Da mesma forma, se posicionou Raphinha há uma semana, em entrevista ao Domingão com Huck: “É o cara do hexa”. Não há problema nas preferências individuais, obviamente — todo brasileiro, jogador ou não, já nasce com a prancheta embaixo do braço. No entanto, tanto em relação a Neymar quanto a Endrick, são manifestações inoportunas faltando cerca de dez dias para a convocação final de Ancelotti, especialmente quando feitas por alguns dos principais jogadores do elenco.
Endrick ou Danilo? Bancada elege quem melhor aproveitou os amistosos do Brasil
Em 2002, o processo pré-Copa foi muito semelhante ao que vemos agora, marcado por resultados preocupantes e com inúmeras incertezas. O técnico Luiz Felipe Scolari resolveu bancar a não convocação de Romário, que na época já era uma verdadeira lenda devido ao protagonismo no tetra — e havia marcado oito gols nas duas semanas anteriores à convocação. Pode ser que a memória me dê uma rasteira, mas não recordo de tamanha comoção de grandes representantes da equipe.
Quando vemos expoentes da Seleção manifestando-se publicamente sobre presenças e ausências, fica a impressão de um grupo incapaz de assumir protagonismo, que coloca a disputa pelo título em segundo plano — o que importa é a companhia.
Em um momento crítico para o Brasil, com um time desacreditado que pode repetir o maior jejum de títulos da história, sente-se falta de um discurso que transmita convicção e otimismo. Aquela mensagem de “vamos com o que temos e vamos dar tudo”, tão básica e tão necessária. Até porque a atual Seleção não está em condições de exigir fé cega da torcida, cuja adesão emocional hoje é alimentada quase por obrigação e sustentada a duras penas.
Endrick tem que estar na Copa? 👀 geRead More