Ex-presidente Andrés Sanchez é expulso do Corinthians por uso irregular do cartão corporativo
Torcedores do Corinthians protestam e pedem expulsão de Andrés Sanchez
Andrés Sanchez não faz mais parte do quadro de associados do Corinthians. O Conselho Deliberativo expulsou o ex-presidente do clube, em votação realizada no Parque São Jorge nesta segunda-feira, pelo uso indevido do cartão corporativo para despesas pessoais.
Dos 167 conselheiros presentes, 112 votaram pela expulsão e 49 votaram pela não expulsão. Houve ainda seis abstenções.
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O Conselho seguiu parecer da Comissão de Ética, elaborado pelo presidente em exercício, Leonardo Pantaleão, que recomendou a expulsão de Andrés.
Torcedores protestam em frente ao Parque São Jorge e pedem expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez do Corinthians
Michael Anjos/Gaviões da Fiel
Foi um dia de movimentação intensa no Parque São Jorge, a sede social do Corinthians, que teve segurança reforçada, com centenas de profissionais do clube e integrantes da Polícia Militar e da Polícia Civil.
Parque São Jorge tem manifestações por expulsão de Andrés Sanchez do Corinthians
Membros de torcidas organizadas do Corinthians começaram a chegar no meio da tarde ao local e estenderam faixas de protesto com mensagens como “quem prejudica o clube não nos representa”, “não há mais espaço para tolerância” e “conselheiros, a história vai lembrar quem protegeu o Corinthians… e quem se omitiu!”
De manhã, faixas de defesa ao ex-presidente tinham sido estendidas. Mensagens como “quem tem história não pode ser expulso” e “expulsão não, política suja” foram retiradas por torcedores.
Torcedores estendem faixas em frente ao Parque São Jorge antes de o Conselho do Corinthians julgar a expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez
Gabriel Oliveira
Um caminhão de som posicionado na entrada do clube tocou o hino do Corinthians e outras músicas, como “Reunião de bacana”, do Fundo de Quintal, que tem o refrão “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”.
Três advogados de Andrés chegaram por volta de 17h30 ao Parque São Jorge e entraram no teatro, onde aconteceu a votação dos conselheiros.
No início da reunião, o ex-presidente Mario Gobbi pediu que a reunião tivesse voto secreto e fosse colocada a opção de uma pena alternativa, de suspensão. Os pedidos foram negados.
Pantaleão insistiu, como previa desde antes da reunião, para a votação ter voto aberto, com registro de como cada conselheiro votou.
Rodrigo Bittar, conselheiro da Comissão de Ética, leu as conclusões do relatório. Na sequência, a defesa de Andrés teve a palavra. Depois, começou a votação.
Movimentação à tarde no Parque São Jorge, antes de votação de expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez
Gabriel Oliveira
Qual é a acusação contra Andrés
O procedimento interno de investigação, iniciado na Comissão de Justiça, apontou que Andrés utilizou o cartão de crédito do Corinthians para despesas pessoais – a mesma irregularidade que rendeu denúncias do Ministério Público à Justiça contra o ex-presidente.
Seriam R$ 480.169,60 indevidamente utilizados entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, em valores corrigidos pela inflação e com juros, conforme as contas do promotor Cássio Conserino.
Entre as despesas classificadas como indevidas pelo MP estão aquisição de dois relógios de luxo; compras no duty free, em lojas de roupas, em farmácias e em frigoríficos; atendimento em hospital; exames em laboratório de análises clínicas; serviços de barbearia; refeições em churrascaria e outros restaurantes.
Também constam na lista passeio de barco, hospedagem em hotel e refeição em restaurante em Tibau do Sul (RN), onde Andrés costuma passar o Réveillon. Ele admitiu o uso indevido, alegou ter confundido o cartão corporativo com o seu pessoal e ressarciu o clube em R$ 15 mil.
O cartão corporativo também serviu, como revelou o ge, para o pagamento de um restaurante em Fernando de Noronha (PE), onde o Corinthians não teve agenda. Na época, o ex-presidente disse que ressarciria o clube caso o gasto irregular fosse comprovado.
Em sua defesa, Andrés sustentou que não há política interna que discipline o uso do cartão corporativo, que os gastos estavam inseridos “em ambiente institucional de informalidade pretérita”, que por vezes se confundiu com o uso do cartão pessoal, que não teve dolo ou má-fé, que parte das despesas apontadas como irregulares era compatível com as atividades institucionais e que ressarciu outra parte das despesas.
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Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians
Marcos Ribolli
Uso do cartão corporativo
Por causa do uso indevido do cartão corporativo, Andrés também responde a processos na Justiça, em denúncias apresentadas pelo MP.
Em um dos processos, Andrés é acusado de apropriação indébita. Em outro, a Justiça rejeitou, em uma primeira decisão, as denúncias de que o caso caracterizaria lavagem de dinheiro e crime tributário.
O MP também denunciou o ex-presidente Duílio Monteiro Alves (2021-2023). Neste caso, a Justiça acatou a denúncia por apropriação indébita e o tornou réu.
Já quanto a Augusto Melo (2024-2025), o MP pediu o arquivamento da investigação por não ter identificado o uso do cartão corporativo pelo ex-presidente entre janeiro de 2024 e maio de 2025.
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