GP do Canadá tem previsão de frio intenso, ultrapassagens e disputa na Mercedes; veja análise
Rodrigo França traz a prévia do GP do Canadá da F1 2026
O Canadá recebe a quinta prova do Mundial de Fórmula 1 de 2026, e a grande novidade deste ano é uma inédita corrida sprint em Montreal. Com a nova configuração da etapa, o único treino livre, na sexta-feira (22), promete ser bastante movimentado. Outra mudança é a realização do GP em maio, três semanas antes do usual, o que em território canadense significa frio mais intenso, com temperaturas de até 5ºC na previsão para sexta-feira – e também com possibilidade de chuva no domingo.
O Circuito Gilles Villeneuve costuma trazer boas corridas, incluindo a primeira vitória de diversos pilotos, como Daniel Ricciardo, Robert Kubica, Lewis Hamilton, Jean Alesi, Thierry Boutsen e o próprio Villeneuve. Surpresas também são comuns, como o triunfo da Mercedes no ano passado, com George Russell em primeiro e Kimi Antonelli em terceiro, no primeiro pódio do italiano na F1.
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George Russell e Kimi Antonelli celebram pódio duplo da Mercedes no GP do Canadá de 2025
Mark Sutton – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Em 2025, a prova foi bem interessante, inclusive com a batida de Lando Norris em Oscar Piastri no finalzinho da prova, no ponto mais baixo da temporada para o britânico, que acabaria se sagrando campeão mundial.
Se no ano passado a Mercedes era “zebra”, a escuderia alemã chega com total favoritismo em 2026, até por conta do pacote de atualizações que a equipe deve levar para Montreal. Em Miami, o time foi um dos poucos sem upgrades significativos. Com isso, McLaren, Ferrari e até a Red Bull de Max Verstappen se aproximaram em performance nos treinos e na sprint. Na corrida, o ritmo superior de Antonelli prevaleceu, mas, ainda assim, Norris brigou pela vitória até a volta final.
Antonelli, Norris e Verstappen disputaram liderança em determinado momento do GP de Miami
Brett Farmer/LAT Images
Será interessante notar o comportamento da McLaren no Canadá, porque a equipe também já anunciou uma série de novidades no carro, incluindo assoalho, carenagem, chassi, asa dianteira e traseira. O time britânico não vence em Montreal desde 2012 e, mesmo no ano passado, em uma temporada de domínio, não conseguiu superar a Mercedes.
O favoritismo de Russell e Antonelli, no entanto, não significa que devemos ter uma corrida previsível no domingo. Pelo contrário: Montreal também é uma pista que proporciona boas provas, com muitas ultrapassagens, um clima instável e alto índice de safety car, já que há pouca ou nenhuma área de escape em várias curvas. Essa imprevisibilidade é exemplificada pelo famoso “Muro dos Campeões”, batizado assim após receber as batidas de Damon Hill, Michael Schumacher e Jacques Villeneuve no GP de 1999.
Schumacher bateu no Muro dos Campeões em 1999
Getty Images
Por ser dentro de um parque urbano (localizado na bela Ilha de Notre-Dame), mas sem um desenho “travado”, o Circuito Gilles Villeneuve tem trechos de alta velocidade, exigindo muito dos freios para suas chicanes e “hairpins” (curvas fechadas em 180 graus).
O traçado também vai demandar muito do gerenciamento de energia. Será, então, um ótimo teste para saber o quanto as medidas implementadas pela FIA em Miami serão de fato relevantes neste GP (nos EUA, os pilotos minimizaram os efeitos, dizendo que “estavam no caminho certo”, mas com pouco impacto na maneira de pilotar).
Com o amplo favoritismo da Mercedes, é de se esperar um interessante duelo interno entre Russell e Antonelli em Montreal. O britânico foi sincero ao dizer que não costuma se dar bem na pista de Miami, mas no Canadá a história tende a ser bem diferente.
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Kimi Antonelli venceu o último GP da temporada da F1, em Miami; veja melhores momentos
O problema é que Antonelli cresceu em rendimento e moral dentro da Mercedes e pode mostrar em Montreal que tem condições de lutar pelo título. Será que teremos uma disputa real de liderança entre eles, como já aconteceu em GPs nessa mesma pista? Vale lembrar que, em 1988, Ayrton Senna ultrapassou Alain Prost e conquistou uma importante vitória em terras canadenses para ficar com o título daquele ano.
Enquanto a Mercedes segue favorita, com a McLaren parecendo ser a única a poder quebrar este domínio no curto prazo, Ferrari e Red Bull buscam novas atualizações para descontar a diferença. Já no pelotão intermediário, a expectativa é de que a Alpine siga como “a melhor do resto”, mas com a Haas prometendo mudanças, após ter ficado um pouco para trás em Miami.
A Audi também deve trazer novidades, o que é sempre ótima notícia para Gabriel Bortoleto. O rendimento do brasileiro em treinos tem sido bom, ficando sempre próximo do top-10, mas a confiabilidade é um ponto que ainda incomoda o time alemão.
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Audi, equipe de Gabriel Bortoleto, tem lidado com problemas técnicos ao longo da temporada
Chris Graythen/Getty Images
É verdade que Bortoleto já pontuou na Austrália, ajudando a tirar de cara uma pressão pelo primeiro top-10 da equipe, mas o objetivo no Canadá é um final de semana competitivo com os dois carros em todos os treinos e corridas, sem quebras.
O mês de maio terminará com apenas cinco GPs da temporada disputados até aqui, por conta do adiamento das provas no Bahrein e Arábia Saudita. Em compensação, a Fórmula 1 emenda do Canadá até julho, na Bélgica, sete provas em 10 finais de semana, começando a “temporada europeia”.
Por isso, o GP do Canadá também marca o início de uma maratona, na qual os times encaram um desafio: quem ficar para trás agora dificilmente conseguirá recuperar terreno até a pausa de férias de verão na Europa, no fim de julho. geRead More


