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Jovem se recupera de pênalti na final da última Taça das Favelas: “Quase desisti do futebol”

Jovem se recupera de pênalti na final da última Taça das Favelas: “Quase desisti do futebol”

Um erro no futebol pode custar uma carreira. E Kelvyn precisou ter muita resiliência para superar um pênalti cometido na final da última edição da Taça das Favelas Campinas para seguir o sonho de virar jogador.
O lateral se escorou no apoio de sua mãe, presente em todos os jogos do atleta e a quem dedica sua carreira. Hoje, ele é um dos destaques do Anchieta na busca pela segunda final seguida na competição campineira.
Kelvyn, de 16 anos, tem forte relação com o Padre Anchieta. Ele começou seu sonho de ser jogador de futebol no time do seu bairro, com apenas 12 anos, e está na quarta participação da Taça das Favelas.
– Representar meu bairro onde cresci significa muito.
Kelvyn em ação pelo Anchieta na Taça das Favelas
Claiton Maier/ Taça das Favelas
A última edição da Taça se desenhava para coroar a trajetória de Kelvyn no futebol. Titular da equipe, ajudou a levar o Anchieta à primeira final da história na competição. Mas o roteiro foi cruel com o jogador.
Na semana da final, veio uma notícia arrasadora. A bisavó de Kelvyn viria a falecer. Era uma perda logo antes do jogo mais importante da vida do atleta.
– Isso me desestabilizou muito. Porém, decidi prosseguir para poder honra-lá mesmo de longe.
No duelo decisivo contra o Vila Bela, o jogo estava empatado por 2 a 2 e caminhava para a decisão por pênaltis. Faltavam três minutos. Foi aí que o lance mais complicado da vida de Kelvyn aconteceu.
O lateral cometeu um pênalti e deu a chance de título ao Vila Bela. A equipe converteu a cobrança, segurou o resultado nos minutos finais e se sagrou bicampeão da Taça das Favelas.
– Quase parei de jogar. Ver o time perder por um erro meu é desesperador. Fiquei duas semanas sem encostar em uma bola de futebol e lembrar do momento. Me senti incapaz. Muitos viraram as costas para mim e me culparam. Não esperava isso.
– Nem sempre vamos ser campeões, mas aceitar isso é muito difícil. Temos que saber lidar.
Kelvyn busca a segunda final seguida com o Anchieta
Claiton Maier/Taça das Favelas
Mas Kelvyn não desistiu. Ele encarou os olhares de insegurança e reverteu a situação dentro de campo. O jogador contou que só venceu as cobranças pelo apoio da mãe – que o acompanha em todos os jogos desde seu início no futebol.
– Minha maior inspiração é minha mãe. Ela sempre está presente a cada partida, sendo na arquibancada, vestiário e até mesmo na organização dos torcedores. Mesmo quando estava grávida de nove meses da minha irmã Kemilly, ela não deixou de me incentivar em nenhum jogo.
– Eu só me levantei por conta de muito incentivo da minha mãe. A todo momento esteve do meu lado fazendo com que eu não largasse o futebol de vez. Se não fosse por ela e alguns amigos, eu não teria voltado a fazer o que eu mais amo.
A irmã, presente nas arquibancadas ainda na barriga da mãe, hoje também ajuda a apoiar o irmão nos estádios.
– Ver minha irmã de apenas 2 anos na arquibancada gritando “Anchieta” é o combustível que me levanta antes de cada novo desafio.
A remontada
Um ano depois, ele é um dos destaques da equipe semifinalista e está focado no título. O Padre Anchieta faz uma campanha perfeita até o momento na competição, com 100% de aproveitamento e classificação convincente nas quartas de finais para fazer 2 a 0 contra o Nilópolis.
– Essa minha remontada está sendo assustadora até para mim mesmo. Eu podia ter desistido e hoje estou construindo uma nova história com essa camisa, acredito que esse ano possa ser diferente a história e quem sabe o fim dessa história seja o título.
Fontes de combustível: Kelvyn com a mãe e a irmã
Arquivo Pessoal
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O Anchieta enfrenta o Santa Lúcia neste domingo (17) pela semifinal da Taça das Favelas, às 11h20.
– Será um jogo muito difícil e resolvido nos mínimos detalhes. Queremos estar na final novamente. Um título desse peso para nossa favela seria algo incrível e muito festejado. Só Deus sabe as dificuldades que passamos para chegar até aqui. geRead More