Nascar é o sonho, mas projeto de autódromo em estádio desativado prevê outras categorias antes
Estádio abandonado Sessinzão vai virar autódromo
O plano para transformar o estádio Antônio Braz Sessin, o Sessinzão, em Cidreira, em um autódromo com pista oval prevê execução em etapas. O sonho é receber a Nascar, mas a primeira fase pensada pela Federação Gaúcha de Automobilismo (FGA) aposta em pistas de terra e kart para fomentar a cultura da modalidade na região.
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A FGA já tem desenhado o projeto. A entidade é a principal interessada em assumir o controle da área, mas precisa superar entraves financeiros e jurídicos. Qualquer outra empresa ou entidade, no entanto, poderá participar da licitação.
A obra está estimada em R$ 50 milhões e pode levar até 10 anos para ser finalizada. A duração da concessão prevista é de 30 anos.
– Conversamos com a prefeitura, que se colocou à disposição. O processo está em andamento. O município precisa promover a desinterdição junto ao Ministério Público – diz o arquiteto Fernando Bittencourt, membro do comitê de desenvolvimento da FGA.
Projeto em etapas
Até pelo montante, a entidade pretende executar o plano em etapas. Também não se projeta que o circuito seja asfaltado de imediato. Iniciará com uma pista de terra.
– Queremos começar com a pista de terra porque somos fortes no rali e no veloterra – diz o dirigente.
Projeto para transformar o Sessinzão em pista
Arquiteto Fernando Bittencourt – Divulgação, FGA
Bittencourt aposta em criar uma cultura de automobilismo, com diferentes categorias, como kart cross, rally sprint, encontro de jipes e prova de motos com obstáculos.
A expectativa é que o processo resulte em uma adesão maior, o que gerará visibilidade. A consequência será a chegada de novos parceiros, o que permitirá melhorias no autódromo.
Projeto para transformar o Sessinzão em pista oval
Arquiteto Fernando Bittencourt – Divulgação, FGA
O presidente da FGA, Arlindo Signor, afirmou ao ge que o projeto e a busca por investidores devem caminhar mais rápido a partir da autorização da Justiça.
– Quando conseguirmos uma melhor estrutura, área comercial, arquibancada e pista de asfalto, o projeto crescerá. Se o investidor for de kart, podemos mudar o projeto e destinar mais pista de kart do que para carros – revela Bittencourt.
E a Nascar?
O sonho de ter a categoria americana no litoral move o projeto. A pista oval terá 498 metros de extensão, pouco superior aos 400 m do Bowman Gray Stadium, na Carolina do Norte, inspiração da ideia.
Projeto para transformar o Sessinzão em pista oval
Arquiteto Fernando Bittencourt – Divulgação, FGA
Caso o projeto avance, os gaúchos discutirão com a Nascar se a pista terá inclinação e outras características técnicas. A capacidade do Sessinzão é de 17 mil pessoas, a mesma do Bowman Gray. A FGA avalia uma redução para 12 mil no futuro autódromo.
Para quando?
Bittencourt entende que o fato de ser um ano eleitoral é um complicador, mas espera os apoios público e privado na empreitada. A ideia é a construção de escolas técnicas para os jovens sem condições financeiras.
– Já temos empresários interessados, mas precisaremos da parte governamental. Há o lado social, inclusão e educação, para formação técnica de jovens, com cursos de mecânica e base no automobilismo – relata o arquiteto.
Por que no litoral?
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que Cidreira tinha 17.071 pessoas em 2022. Ou seja, o autódromo receberia quase a totalidade do local.
Estádio abandonado será transformado em pista e busca receber provas da Nascar
O dirigente alega que o período da enchente que devastou o Rio Grande do Sul em 2024 fez o litoral virar um refúgio das pessoas de Porto Alegre e proximidades. A distância de 113 km da capital até a praia é outro trunfo em cativar o povo a frequentar a pista.
– Muitas pessoas migraram ao litoral naquele período e são apaixonadas. Há um enorme grupo de kartistas que sente falta de um lugar para correr. Precisam vir a Porto Alegre. Cidreira está a cerca de 1h40. Dependendo de onde a pessoa mora em São Paulo, demora duas horas para chegar a Interlagos – completa Bittencourt.
O processo
Em 23 de abril, a Justiça do Rio Grande do Sul autorizou que a Prefeitura de Cidreira prossiga com os trâmites para a concessão do estádio à iniciativa privada. A estrutura, abandonada há 19 anos, pertence ao município.
Estádio Sessinzão está interditado
Emilio Botta
Em novembro de 2025, a Câmara de Vereadores de Cidreira já havia aprovado a autorização para a prefeitura ceder a área do estádio.
Sessinzão está interditado
O estádio abandonado está interditado pela Justiça desde 2010 em razão de problemas estruturais. Em audiência recente, o Município de Cidreira manifestou o desejo de ter garantia de que haverá a desinterdição do local para quem vencer o procedimento licitatório.
O Ministério Público (MP) afirmou que a interdição existe com relação à utilização do estádio para eventos – mas somente até que pendências sejam resolvidas, seja diretamente pelo município ou por um parceiro.
Estádio Sessinzão está abandonado
Emilio Botta
O órgão se comprometeu a encaminhar a documentação para viabilizar a análise. O material incluirá a correção técnica dos laudos apresentados e a avaliação da viabilidade das reformas e adaptações necessárias para a desinterdição do estádio, além de eventuais exigências adicionais relacionadas à segurança.
Estádio já recebeu jogos da dupla Gre-Nal
O estádio Antônio Braz Sessin, apelidado de Sessinzão, foi inaugurado em 1996 ao custo de pouco mais de R$ 2 milhões. O objetivo era movimentar a atividade econômica e colocar Cidreira, cidade distante quase 150 quilômetros da capital Porto Alegre, no mapa do futebol brasileiro.
Estádio Sessinzão foi tomado por entulhos
Emilio Botta
Os pouco mais de 17 mil habitantes da cidade, segundo o último Censo, não ocupariam todos os lugares do estádio. Atualmente, o local parece mais um monte de entulho do que uma alternativa para receber jogos de Grêmio e Inter. A dupla Gre-Nal chegou a mandar alguns jogos do Gauchão no local.
Quase três décadas se passaram desde a inauguração, e o estádio recebeu apenas 19 partidas oficiais de futebol, a última delas em 2007. Pouco tempo depois, em 2010, foi interditado por problemas estruturais e de alvarás. Virou mais um problema do que uma opção de lazer na pacata cidade do litoral gaúcho. geRead More


