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Nascido em Miami, Emmo celebra volta para 2ª casa e exalta pai, Emerson Fittipaldi: “Sonho”

Nascido em Miami, Emmo celebra volta para 2ª casa e exalta pai, Emerson Fittipaldi: “Sonho”

Veja a entrevista de Emmo Fittipaldi, piloto da Fórmula 2 e filho de Emerson Fittipaldi
Pela primeira vez na história, a Fórmula 2 vai atravessar o Oceano Atlântico e promover duas corridas na América do Norte – em Miami, nos Estados Unidos, e em Montreal, no Canadá. A mudança, motivada pelos conflitos no Oriente Médio, coincide com uma temporada que tem no grid um brasileiro de sobrenome pesado e raízes justamente em Miami: Emmo Fittipaldi.
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Emmo Fittipaldi é piloto da AIX Racing na F2 2026
James Sutton – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Em entrevista exclusiva ao ge.globo, Emerson Fittipaldi Jr. revelou ter sido pego de surpresa com a decisão da Fórmula 2, e que a medida concretizou um sonho antigo: o de correr na cidade que considera como sua segunda casa. No bate-papo, o jovem de apenas 19 anos também deu detalhes da relação com o pai “coruja” e coach nas horas vagas, o bicampeão mundial Emerson Fittipaldi.
– Nossa família é a maior família da história da Fórmula 1. Carregar esse nome é uma honra, e poder um dia, talvez, levá-lo de volta à Fórmula 1 vai ser muito legal. O meu pai tá sempre comigo nas pistas. Qualquer treino, qualquer coisa que ele consegue ir, ele vai. Ele tá sempre dando dica, me ajudando. Óbvio, não pode falar não pra ele, né? O que ele tem de experiência, o que ele já ganhou na vida dele, nem precisa falar mais nada. Ele deve ser a pessoa mais experiente que tem aqui. Ele tenta às vezes ser meu coach; é difícil o pai ser coach, trabalhar com o filho. Mas a gente já tá fazendo isso há muito tempo, ele tá sempre me apoiando, sempre comigo – disse Emmo, acrescentando:
– É muito especial, né? Poder conversar com ele sobre essas coisas, que também é o meu sonho. Perguntar pra ele como que é, como ele se sentia, como é correr em uma pista, ter essa experiência de ganhar uma corrida, um campeonato. Eu tenho sorte, graças a Deus, de ter uma pessoa que possa me falar tudo sobre isso e que sempre tá lá, me ajudando, me apoiando.
Emerson Fittipaldi e o filho, Emmo Fittipaldi Jr, no GP da Áustria da F1 em 2025
Sam Bloxham/LAT Images
Emmo nasceu em Miami e retornou ao Brasil com a família, onde ficou por oito anos até voltar aos Estados Unidos para seguir a carreira no kart. Hoje, o piloto da AIX Racing vive na Europa. Mas apesar da distância, ainda divide espaço no coração com seu país de origem e sua terra natal:
– No começo desse ano eu não tinha a mínima ideia que a gente ia ter a chance de correr aqui alguma vez na história, né? Tinham conversas, ano passado, mas nunca saiu nada. Ninguém esperava. Correr em Miami vai ser uma oportunidade muito legal; correr praticamente na minha casa, minha segunda casa; eu nasci aqui, mas o Brasil é minha casa principal. Mas aqui foi onde eu cresci e nasci, então eu tenho muito amor por Miami. Todos os meus amigos, todas as pessoas que eu conheço são daqui, e vai ser muito legal. A gente viu que pra ter a chance de qualquer campeonato grande, tinha que sair do Brasil. Mas vai ser muito legal ver meus amigos aqui, vamos tentar organizar pra todo mundo vir.
Emmo Fittipaldi fala sobre relação com Miami antes de etapa da F2 2026 na Flórida
A conexão de Emmo com a cidade mais popular da Flórida, que recebe a F1 desde 2022, vai além de sua certidão de nascimento: foi lá que o jovem andou pela primeira vez em um carro de fórmula, guiando um modelo da Fórmula 4 no circuito de Homestead-Miami aos 13 anos, em 2020.
– Eu sempre tive isso na minha cabeça, de um dia correr em Miami. Eu sabia que a Fórmula 1 tá correndo em Miami, então falei assim: “Se um dia eu chegar na Fórmula 1, vou poder correr em Miami”. Só que esse sonho meu veio mais cedo do que eu esperava. O Emmo que tá aqui nesse fim de semana é o mesmo que foi andar pela primeira vez de fórmula; com o mesmo amor pelo esporte, o mesmo entusiasmo de poder guiar um carro – lembrou ele.
Emmo Fittipaldi em Melbourne, na estreia da F2 2026
Dom Gibbons – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Depois do teste nos EUA, Emmo estreou oficialmente nos monopostos com um terceiro lugar na Fórmula 4 da Dinamarca. Ele passou pela Fórmula Regional Europeia e a Eurocup-3 e, antes de chegar na F2, decidiu abdicar da Fórmula 3 para aproveitar a chance no último degrau de acesso à F1, seu grande objetivo da vida.
Emmo conta com a questão afetiva como um impulso extra no fim de semana. Mas, na realidade, o Circuito Internacional de Miami será uma grande novidade para ele e todos os pilotos do grid da F2. O piloto da AIX Racing aponta esse status de igualdade como um fator importante para a etapa, mas assegurou já estar se preparando no simulador e se disse ansioso para a estreia na pista.
Emmo Fittipaldi detalha convívio com o pai, o bicampeão da F1 Emerson Fittipaldi
Devido aos cancelamentos das rodadas de Sakhir (Bahrein) e Jeddah (Arábia Saudita), a F2 só correu em Melbourne, na Austrália. Lá, Fittipaldi conquistou um 14º e um 15º lugar, respectivamente, na corrida sprint e a prova principal.
Emmo Fittipaldi em ação na etapa de Miami da F2
Dom Gibbons – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
– Foi um fim de semana de muito aprendizado, era uma pista que eu não conhecia. Todos os pilotos praticamente já tinham corrido lá, porque eles já tinham feito Fórmula 3 e alguns a Fórmula 2. Essa pista é muito difícil; eu nunca tinha ido pra Austrália, então tive que me adaptar muito rápido. Eu estava sempre lá, competitivo, já na frente do meu companheiro de equipe, lutando com pessoas que eu me surpreendi de poder lutar no primeiro fim de semana. O resultado em número não é que ninguém quer, só que em telemetria foi muito bom e muito produtivo. A gente tá aqui pra aprender, mas também pra ter o melhor resultado possível – detalhou o brasileiro.
Emmo Fittipaldi analisa estreia na F2 e projeta etapa de Miami
Emmo vem de uma família com muita tradição no esporte a motor e quatro representantes na F1: seu pai, Emerson Fittipaldi (1970-1980); seu tio, Wilson Fittipaldi (1972-1973, 1975); o primo Christian Fittipaldi (1992-1994); e o sobrinho Pietro Fittipaldi (2020) – filho de uma das irmãs mais velhas de Emmo.
A boa relação com nomes do automobilismo, porém, não se limita à família, mas também inclui os compatriotas Gabriel Bortoleto, na F1, e Rafael Câmara, rival na F2:
– A gente se conhece desde o kart. Estamos em gerações diferentes mas a gente sempre se encontra na pista, conversa. Na Austrália, eu encontrei com o Bortoleto, ele me deu dicas, me ajudou. O (Andrea Kimi) Antonelli; o Fernando Alonso eu conheço bem; não são pessoas para quem eu ligo todo dia e falo, mas que eu encontro e a gente conversa.
Emmo agradece torcida do Brasil em nome da família Fittipaldi
Confira outros tópicos da entrevista com Emmo Fittipaldi
Sobre pular a F3 e disputar a F2:
“Não foi uma má ideia. A Fórmula 3 é um campeonato extremamente competitivo, mas a gente vê uma oportunidade pra Fórmula 2, não vai poder falar não. Não é um risco, é um challenge (desafio), é uma dificuldade a mais, mas que te dá mais motivação de trabalhar e melhorar”.
Trazer a F2 para o Brasil:
“Qualquer brasileiro queria correr em Interlagos. Seria muito legal poder trazer a Fórmula 2, os fãs de automobilismo no Brasil são muito grandes e eu acho que seria muito, muito legal poder talvez correr em Interlagos. Mas vamos ver. Isso é o que a gente acha. Tem que ver o que eles querem”.
Presença de mais brasileiros na base da F1:
“Tem muitos pilotos brasileiros agora na Europa e no mundo inteiro, só que eu acho que a Fórmula 1 ainda vai continuar tendo um acesso extremamente limitado; no final das contas são só 22 pilotos. Seria um sonho ter muitos brasileiros competindo na Fórmula 1. Mas a gente sabe que a realidade é que a gente ficou com um gap do Bortoleto, pro (Felipe) Massa, de oito anos, pelo lado financeiro e de oportunidade com equipes. Mas seria um sonho ter um grid inteiro de brasileiros.
Agradecimento aos fãs brasileiros:
“Vai ser um ano complicado, intenso, de muito trabalho por trás, para poder recuperar todo esse chão que eu não tenho, comparando com os outros pilotos de experiência na Fórmula 2. Muito simulador e muito trabalho mental pra estar sempre melhorando, cada dia me levando ao meu limite. Eu agradeço a todos os fãs, vamos dar o nosso melhor. Muito obrigado por me apoiarem e também apoiarem a família Fittipaldi. A gente é uma família que deu muito pelo automobilismo brasileiro, e a gente agradece muito pelo que vocês fizeram para a gente também, desde que meu pai começou a correr, até agora. Eu e meu pai, a gente é muito grato, e todos nós da família: pelos fãs e todos os tipos de memórias que a gente têm do povo brasileiro. geRead More