Pai de Antonelli diz que piloto assiste Senna desde pequeno: “O amor pelo Ayrton foi natural”
Italiano Kimi Antonelli domina a Fórmula 1 com apenas 19 anos
Com mudanças significativas no regulamento e novos carros em 2026, as expectativas pela temporada da Fórmula 1 eram enormes no início do ano. Mas quem apostaria que um piloto de 19 anos, em seu segundo ano na categoria, ganharia quatro das cinco primeiras corridas do ano e lideraria a tabela com mais de 40 pontos de vantagem sobre o segundo colocado? Com tais feitos, Kimi Antonelli vem ganhando fãs no mundo todo após esse início espetacular nas pistas. Os brasileiros vêm se interessando pelo piloto da Mercedes desde que o italiano se declarou fã de Ayrton Senna.
Marco Antonelli e Veronica Antonelli comemoram vitória de Kimi
Brian Snyder/Reuters
O maior responsável para que Kimi conhecesse o legado do tricampeão certamente foi seu pai, Marco Antonelli, que já foi piloto e é dono de equipe de categorias de base e GT. Orgulhoso e comemorando muito o momento do filho, ele falou com exclusividade ao ge sobre o início da carreira, o momento em que descobriu o dom de Kimi para se tornar um bom piloto, a paixão por Senna e o momento mais emocionante desde que o garoto está na Fórmula 1.
Marco e Kimi Antonelli e a paixão pelo kart
Reprodução Instagram
Quando Kimi começou no kart, qual foi a principal característica que viu nele que indicava que seria um bom piloto?
– Quando coloquei o Kimi no kart nas primeiras vezes já vi que imediatamente tinha uma pré-disposição a reconhecer as trajetórias, as linhas da pista. E isso certamente é a base pra entender o dom de um piloto: quando você não precisa ensinar nada e ele já vê com os próprios olhos a trajetória que deve fazer na pista.
E ele era pequenininho, então na primeira vez que foi para a pista já começou super bem?
Sim. Foi exatamente assim. A primeira vez que eu o coloquei na pista fiquei impressionado porque vi esse menino que já tinha a ideia clara de onde precisava colocar as rodas do kart. Isso rapidamente me fez imaginar que ele tivesse talento.
Marco e Kimi Antonelli
Reprodução Instagram
Depois, já fazendo um salto no tempo, quando foi o momento especial e crucial que você pensou: “É, talvez realmente ele possa chegar à Fórmula 1”?
-Pensar em chegar na Fórmula 1, honestamente não, porque é sempre uma coisa difícil de acontecer e chegamos até a Fórmula 1 graças à Mercedes, que acreditou nele desde criança. Mas tenho uma história para contar: entendi que o Kimi tinha algo a mais quando um dia estávamos na pista de Adria – uma pista de treinos de karts e também carros na Itália – eu estava com a minha equipe (de carros de turismo) e ele estava lá para fazer uma corrida de kart. Era um dia de treinos livres, ele tinha terminado os trabalhos dele, eu tinha terminado o meu. Ele tinha dez anos, e brincando eu perguntei “Você quer testar uma Lamborghini?”. O ano era 2017, meados de junho, ele tinha dez anos e meio. E ele me disse “Tá bem, papai, quero tentar”. Peguei ele pelos braços, já havia acabado as atividades de pista. Coloquei o cinto em nós dois, eu acelerava e freava enquanto ele dirigia e mudava as marchas do câmbio automático no volante. Começamos a andar sempre mais rápido e mais rápido, e em alguns momentos ele já controlava o carro de uma maneira perfeita – ele foi pegando o ritmo, e eu fui acelerando mais. Ali eu entendi que ele tinha algo a mais porque eu não via a pista – ele estava no meu colo, compartilhando o cinto de segurança e os dois de capacete. Eu via só de lado as placas que apareciam antes das curvas. Em um certo momento disse que era hora de parar porque estávamos indo muito rápido. Mas naquele momento eu vi que talvez ele tivesse alguma coisa especial.
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Você disse que ele chegou à Fórmula 1 graças à Mercedes. Você se lembra da primeira vez que falou com alguém da Mercedes, que alguém se aproximou para falar sobre o Kimi? Como foi essa conversa?
-Eu me lembro que o Gwen Lagrue, o chefe do programa júnior da Mercedes, era novamente em Adria, também em 2017. Ele veio ver uma corrida do Kimi. Nos apresentamos, eu estava lá treinando com a minha equipe para uma corrida, conversamos um pouco, trocamos contatos, e dali fomos estreitando relações.
Marco e Kimi Antonelli comemorando as primeiras vitórias no kart
Arquivo pessoal
Você sabia que aqui no Brasil o Kimi faz muito sucesso? Ele fala muito do Ayrton Senna.
– Bom, quem é que não fala do Ayrton Senna? Eu acho que ele foi, e ainda é, um mito. Era um piloto fantástico, eu era um grande fã e ainda tenho tantas corridas dele em DVDs que quando o Kimi era pequenininho a gente assistia juntos e por isso ele se apaixonou pelo piloto – pelo estilo mas também pela pessoa. Porque Ayrton era grande em todos os sentidos. Ainda hoje quando falo sobre o Ayrton eu me emociono, e acho que transmiti também esses sentimentos ao Kimi, porque ele não conheceu o Ayrton, mas lendo, assistindo e se informando foi entendendo quem era o Ayrton, e por isso que se tornou seu ídolo.
Imagino que ele virou o ídolo do Kimi porque você já tinha Ayrton como ídolo, certo?
– Sim, eu já tinha Ayrton como ídolo, mas quando assistimos às corridas vemos outros pilotos também. Não é que eu tenha dito: “Este tem que ser seu ídolo”. Era o Ayrton que tinha uma capacidade de transmitir alguma coisa fora do normal às pessoas. Não só o Kimi, acho que muitos pilotos – se não todos – amam o Ayrton. Também os pilotos em atividade na Fórmula 1 sempre o homenageiam. Não sabemos o porquê, mas ele tinha esse dom de cativar as pessoas e transmitir coisas que outros pilotos não conseguiam transmitir. O amor do Kimi pelo Ayrton foi uma coisa natural, ninguém o obrigou. Até hoje ele continua a ler as coisas do Ayrton, continua a assistir o que ele fazia, não só na pista mas também fora dela. É uma coisa que nasceu sem querer, por tudo o que eu disse antes.
Por acaso tem alguma corrida preferida que vez ou outra vocês assistem juntos?
-Donington 93 foi uma corrida mítica.
Kimi Antonelli na classificação para o GP do Canadá de F1
Mathieu Belanger/Reuters
Uma outra pergunta que ainda fala sobre Ayrton Senna: a escolha do número 12 pelo Kimi. Foi uma escolha que tem a ver com o Ayrton?
-Eu nunca falei sobre isso com ele, sinceramente. Acho que foi uma escolha que aconteceu naturalmente para homenagear o Ayrton. Ele começou com o número 99 nos fórmulas e depois quis muito o número 12 em todas as categorias onde correu. Nunca perguntei, mas imagino que seja apenas para homenagear Ayrton, digamos que é para tê-lo no carro com ele.
Já que Kimi é tão fã de Ayrton, o senhor saberia dizer se ele gosta do GP de São Paulo, de correr em Interlagos, que é um dos circuitos mais tradicionais e um dos antigos?
-Acho que ele gosta muito porque já em seu primeiro ano de Fórmula 1, em Interlagos, ele teve um resultado fantástico. Foi super veloz desde os treinos livres. Quando um piloto entra em sintonia tão rapidamente, mesmo que tenha pouca experiência na Fórmula 1 como o Kimi tinha naquele momento, quer dizer que o traçado te entusiasma e te entra rápido no sangue.
Kimi Antonelli iniciando no kart
Reprodução Instagram
Tem alguma história do começo da carreira dele, alguma memória, um momento difícil, ou engraçado, emocionante que poderia nos contar?
-Momentos difíceis aconteceram e são sempre lembrados porque te fazem entender como superá-los e te dão força no futuro para enfrentar outros. E um momento divertido aconteceu quando Kimi tinha três anos, durante a folga do natal – quando todo mundo fica um pouco em casa – levei um simulador de corrida e à noite estava ali. Ele me pedia sempre para guiar. Eu dizia que ele era muito pequeno, mas ele insistiu, eu o peguei no colo, eu acelerava e freava porque ele era pequeno e não alcançava os pedais enquanto ele guiava. Só que ele não se cansava nunca, chegou a um ponto em que eu cochilava. Ele ficava bravo, me dava uns socos para me acordar e falava “Vai, pai, acorda senão vamos causar um acidente!” É um momento que sempre lembramos, foi um momento muito fofo no qual ele era muito pequeno.
Desde que o Kimi começou na Fórmula 1, qual foi o momento que mais te emocionou?
-O momento que mais me emocionou foi com certeza a primeira vitória. Eu não entendi logo aquilo ali. É um momento que faz parte do trabalho do piloto, é um momento em que deve dar seu melhor e ganhar a corrida. E quando eu estava no avião a caminho de casa, repensando em tudo – de tantas viagens, de quando ele começou a correr de kart até a Fórmula 1 – as dificuldades e tudo mais, foi que eu entendi o sacrifício de todo mundo, das pessoas da equipe, o empenho do Kimi…e aí me emocionei. geRead More


