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Palmeiras molda jogo à sua feição para implodir o Flamengo

Palmeiras molda jogo à sua feição para implodir o Flamengo

Flamengo 0 x 3 Palmeiras | Melhores momentos | 17ª rodada | Brasileirão 2026
Havia uma certa lógica sugerindo vitória do Flamengo sobre o Palmeiras na noite deste sábado. Ela era sustentada pelo retrospecto recente nos encontros entre os times, pelo mando de campo, por um repertório de jogo mais vasto no lado rubro-negro. Mas era uma lógica meio constrangida, algo ressabiada, cheia de “veja bem…”, de “e se…”, de “vai que…”.
Veja bem, e se um jogador é expulso aos 20 minutos de primeiro tempo? Até ali, até Carrascal erguer a perna e levar vermelho direto, o jogo seguia a lógica imaginada. O Flamengo dominava, ocupava o campo de ataque, acumulava finalizações (quatro contra uma), farejava o primeiro gol, enquanto o Palmeiras ficava à espreita, preparando um daqueles botes que ninguém no Brasil sabe dar com tamanha eficiência.
+ Veja os principais lances de Flamengo x Palmeiras
Quem assistia ao jogo até aquele momento, até o instante decisivo em que Carrascal ergueu a perna, reconheceria a coerência em uma eventual vitória rubro-negra. Mas o futebol é um esporte de acidentes – um sobressalto, um passo em falso, e todos os pavimentos de nossas convicções vão abaixo.
Carrascal é expulso em Flamengo x Palmeiras
André Durão
Acontece que a expulsão de Carrascal fez mais do que mudar a lógica da partida: ela a inverteu. O Palmeiras, antes refratário à posse, começou a ter a bola; o Flamengo, antes contundente no ataque, perdeu volume e priorizou a segurança defensiva. Por alguns minutos, o Palmeiras flamengou-se, e o Flamengo se palmeirizou.
Mesmo assim, os visitantes demoraram a agredir, como se antes precisassem compreender a vantagem que o jogo lhes dava. Só aos 35 minutos, 15 depois da expulsão, o Palmeiras criou uma boa chance, em finalização de Andreas Pereira. Aos 38, porém, saiu o gol, com Flaco López concluindo uma bonita trama ofensiva.
O 1 a 0 com um jogador a mais em um jogo tão importante foi o mundo dos sonhos, o cenário ideal para o Palmeiras. Ele pôde mudar mais uma vez, voltar à posição de origem, deixar a bola com o Flamengo e agredir em contra-ataques – facilitados pela ousadia de Leonardo Jardim ao colocar Bruno Henrique, um atacante, no lugar de Evertton Araújo, um volante, no intervalo.
Com a troca, o Flamengo foi para o tudo ou nada. Deu o tudo ao Palmeiras, ficou com o nada. Aos 11, em contra-ataque rápido, Allan disparou no meio da marcação, acionou Arias e pegou a sobra para ampliar. Aos 49, Paulinho recebeu na área e fechou o placar em 3 a 0.
Andreas Pereira, Flaco López e Allan comemoram gol do Palmeiras contra o Flamengo
André Durão
Jardim exagerou ao se expor tanto. Não era um jogo qualquer, não era um adversário comum. Foi uma decisão altamente contestável, mas também compreensível. Ele precisava tentar alguma cartada. De negligência, não poderá ser acusado.
A medida não seria necessária sem a expulsão de Carrascal. Mas sabe-se lá o que aconteceria no restante do jogo sem aquele vermelho tão precoce. Poderia suceder qualquer coisa, inclusive um 3 a 0 para o Palmeiras. O que temos é a concretude dos fatos: o Flamengo era melhor até a expulsão e implodiu depois dela.
E implodiu especialmente porque o Palmeiras apertou o detonador. Vencer com um a mais também exige estratégia. A equipe de Abel Ferreira, feito uma artesã, pegou a matéria-prima do jogo e a moldou à sua feição – primeiro buscando a vantagem, depois atraindo o Flamengo para a armadilha que resultou no placar final.
Como prêmio, levou sete pontos de conforto sobre o rival e a certeza de ir para a pausa da Copa do Mundo com a liderança do Campeonato Brasileiro. geRead More