Praia Clube sobrevive a roteiro caótico, derruba gigantes na Superliga e vive redenção no Ibirapuera
Praia Clube 3 x 0 Minas | Melhores Momentos | Final | Superliga Feminina 25/26
A trajetória do Praia Clube rumo ao título da Superliga Feminina teve um roteiro digno da expressão “lavar a alma”. Como em uma peça de teatro contada em três atos, a equipe mineira lutou em um começo de temporada marcado por altos e baixos, cresceu nos momentos decisivos da jornada e viveu a redenção no Ginásio do Ibirapuera.
Diante do maior rival Minas – oponente que ainda não havia vencido – o Praia Clube teve atuação dominante e desfrutou na comemoração de um título catártico. Relembre a saga do time na temporada.
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Praia Clube campeão Superliga Feminina 2025/26
Wander Roberto/Inovafoto/CBV
1º Ato: “A Luta”
O começo de temporada do Praia Clube foi marcado por irregularidade e desconfiança. O treinador português Rui Moreira, contratado para substituir Marcos Miranda, precisou lidar com um elenco que sofreu com problemas físicos desde a pré-temporada. Michelle sofreu uma fratura no dedo, enquanto Carol Gattaz batalhou contra uma lesão no joelho que a levou à aposentadoria. Caffrey, Fingall, Koleva, Monique, Ju Carrijo e Milka também se ausentaram em diferentes momentos nos últimos meses.
No primeiro mês de competições, o time caiu diante do Minas nas decisões da Copa Brasília e do Campeonato Mineiro. Pela Superliga, sofreu três derrotas consecutivas pela primeira vez em quase cinco anos. Depois, ainda ocorreram as eliminações no Mundial de Clubes e na Copa Brasil, e a Superliga se transformou na última oportunidade do clube de erguer um troféu.
Minas Praia Clube semifinal Copa Brasil
CBV/Divulgação
Os maus resultados aumentaram a cobrança sobre o elenco e, principalmente, a comissão técnica. Rui Moreira foi o principal alvo da torcida, que chegou a publicar um abaixo-assinado pedindo a saída do técnico da equipe ainda na fase classificatória.
O último jogo do returno – uma vitória por 3 sets a 1 sobre o Tijuca – marcou a despedida oficial de Carol Gattaz das quadras. Sem que as jogadoras ou que os torcedores soubessem, o triunfo também se tornou um divisor de águas para o Praia Clube rumo ao segundo ato do roteiro de redenção.
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2º Ato: “A Volta por Cima”
Um bom herói de uma história de aventura é aquele que brilha nos momentos mais críticos da jornada. Foi isso que o Praia Clube fez nos playoffs da Superliga Feminina.
O primeiro oponente foi o Sesi-Bauru, rival que havia eliminado a equipe aurinegra na semifinal da Superliga 2024/25. Após uma vitória contundente na primeira partida das quartas, o Praia Clube perdeu na casa do adversário em um jogo marcado pela ausência de Payton Caffrey, que passou mal com uma intoxicação alimentar.
No jogo 3, novamente em Uberlândia, uma atuação de gala garantiu o time mineiro na semifinal e ajudou o elenco a “fazer as pazes” com a torcida. Diante de um UTC lotado, as jogadoras passaram o recado: não haviam desistido.
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A resiliência foi colocada à prova mais uma vez na semifinal contra o Sesc-Flamengo, dono da melhor campanha da fase classificatória. Em Uberlândia, o último jogo em casa na temporada terminou com vitória avassaladora do Praia Clube.
Mas a série melhor de três reservava fortes emoções. No segundo duelo, no Maracanãzinho, o time mineiro abriu 2 sets a 0 e ficou a poucos pontos da final. Em uma reviravolta na trama, o Sesc-Flamengo ressurgiu das cinzas e virou a partida, com direito a reverter um placar adverso de 14 a 10 no tie-break.
Com a virada sofrida, a desconfiança retornou, e a expectativa era de que o lado mental afetaria o desempenho do Praia no jogo 3. Não foi o que aconteceu. No mesmo Maracanãzinho, a equipe aurinegra venceu os dois primeiros sets, perdeu os dois seguintes, mas devolveu a virada sofrida no tie-break, saindo de um 11 a 8 para um 15 a 12. Vaga na final assegurada com emoção e “plot twists” até o último segundo.
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3º Ato: “A Redenção”
O último ato do roteiro do Praia Clube trouxe um adversário à altura das provações enfrentadas na temporada. As derrotas para o Minas representaram os momentos de maior pressão da equipe no ano, e foi justamente o time de Belo Horizonte o último obstáculo antes da consagração.
Diante de um Ginásio do Ibirapuera abarrotado de torcedores dos dois lados, o Praia Clube se sentiu mais em casa do que nunca. À vontade do primeiro ao último ponto, o time de Adenízia, Caffrey e companhia devolveu as cinco derrotas no clássico nesta temporada com uma atuação irretocável. Com 3 sets a 0 no placar, a temporada se encerrou com lágrimas de alegria no lado aurinegro da quadra.
O Praia Clube é campeão da Superliga! 🏆
Pela terceira vez na história, o pódio da Superliga Feminina teve seu lugar mais alto colorido pelas cores amarelo e preto. Um título que demonstrou a perseverança do grupo moldado na dificuldade e na entrega. O Praia Clube saiu do “fundo do poço” para o topo da montanha em um roteiro digno da alcunha “heroico”. geRead More


