Promessa do tênis, paranaense de 13 anos estreia em Roland Garros com frases do pai na raquete
Duda Gomes na preparação para desafios em Roland Garros e Wimbledon
Aos 13 anos, Duda Gomes se prepara para viver o maior momento de uma carreira ainda no começo. Promessa brasileira do tênis, a paranaense vai estrear no torneio juvenil de Roland Garros, levando na raquete mensagens motivacionais escritas pelo pai e treinador, Sullevan Bueno, em um ritual que a acompanha antes das partidas.
O Brasil passou a olhar com mais atenção para a tenista em abril, quando Duda venceu o Roland Garros Junior Series, em São Paulo, e garantiu vaga na chave juvenil do Grand Slam francês. Disputada por atletas sub-17, a competição teve a paranaense como campeã mais jovem da história do torneio.
Duda Gomes campeã de torneio qualificatório para Roland Garros
Reprodução
Natural de Palmas, no sudoeste do Paraná, Duda encara a ascensão precoce com a mesma leveza que demonstra dentro de quadra.
– Só fui jogar, tipo, “ah, torneio legal, vamos jogar então”, daí acabei ganhando – resumiu a jovem sobre a campanha do título.
A naturalidade também aparece quando ela fala sobre enfrentar atletas mais velhas. Em Roland Garros, Duda disputará um torneio sub-18, mesmo tendo apenas 13 anos.
– Eu não achei diferença. É só o tamanho e a força da menina. Para mim foi normal – afirmou.
Duda Gomes 2 x 0 Maria E.Carbone | Melhores momentos | Final | Roland Garros Junior Series
O início
A relação de Eduarda Gomes com o tênis começou cedo e dentro de casa. A família inteira já praticava o esporte quando ela começou a brincar nas quadras, aos 7 anos.
– A minha família toda jogava tênis, meu avô, meu tio, minha mãe, o Sullevan. Comecei jogando tênis com 7 anos, só brincando uma vez por semana, uma hora. Fui jogando, com os 10 anos comecei a jogar torneio, comecei a ganhar. Aí disse, quero ser profissional, isso que gosto de fazer – contou.
Duda Gomes, promessa do tênis brasileiro
Everton Franco/RPC
A história da família com o tênis começou ainda nos tempos de Gustavo Kuerten em Roland Garros. Pai e treinador de Duda, Sullevan lembra que foi a geração do tricampeão francês que despertou a paixão pelo esporte.
– O tênis para nós começou com o Guga. As pessoas começaram a jogar quando ele teve aqueles resultados em Roland Garros. Eu era pequeno ainda, e foi naquela época que eu me apaixonei pelo esporte – relembrou.
Com o crescimento da carreira, Sullevan passou a acompanhar a filha nas viagens e assumiu também o papel de treinador. Hoje, além dos treinos e do planejamento das competições, é ele quem escreve frases motivacionais na raquete da jovem antes dos jogos.
– O Sullevan que escreve, eu não escrevo, não. Ele sempre escreve frases para me motivar no jogo. “Se tiver difícil, bata mais forte”, essas coisas aí. Mas é ele que escreve – disse Duda.
Mesmo tão jovem, Duda já fala com clareza sobre como tenta controlar a pressão dentro das quadras.
– Às vezes é difícil controlar a minha cabeça, mas eu acho que eu lido muito bem com isso. Quando eu começo a pensar demais no futuro ou no passado, eu lembro, “tem que voltar para o presente, o futuro ainda não existe” – afirmou.
As frases escritas pelo pai
Com o crescimento da carreira, Sullevan passou a acompanhar a filha nas viagens e assumiu também o papel de treinador. Além dos treinos e do planejamento das competições, ele criou um ritual, com frases escritas na raques para ajudar a jovem em quadra.
Sullevan explica que os recados variam entre mensagens emocionais e orientações técnicas. Na entrevista, a frase colocada na raquete era “eu posso todas as coisas”.
– Eu sempre gostei de passar essa energia para ela. Algumas frases motivacionais, às vezes alguma coisa mais técnica, mais específica. Mas a minha ideia é que algum dia ela escreva essa frase, uma coisa que faça sentido para ela naquela semana. Quando você escreve, o sentido é outro – afirmou.
– O Sullevan que escreve, eu não escrevo, não. Ele sempre escreve frases para me motivar no jogo. “Se tiver difícil, bata mais forte”, essas coisas aí. Mas é ele que escreve – disse Duda.
Raquete de Duda com mensagem “eu posso todas as coisas”
Everton Franco/RPC
A convivência intensa faz com que os papéis de pai e treinador se misturem constantemente. Duda admite que as discussões fazem parte da rotina.
– É a mesma pessoa sempre para mim. Às vezes a gente briga no treino, daí uma hora eu discuto com ele, discuto comigo, daí a gente fica brigando, daí tem que ir para minha mãe resolver – brincou.
– Nós tentamos nos organizar e já conversamos a respeito de separar o treinador do pai, a filha da jogadora, mas no final das contas acaba misturando. É muito difícil no dia a dia você separar porque você está ali numa intensidade de trabalho, muitas viagens. Então as funções acabam se misturando – disse o pai e treinador.
A rotina da promessa brasileira inclui longos períodos longe de casa, treinos em dois períodos e até adaptações na vida escolar.
– A gente treina duas horas de manhã, duas horas da tarde. Às vezes passa disso, vai para duas horas e meia – comentou Duda.
Duda Gomes com o pai e treinador, Sullevan, ao fundo
Everton Franco/RPC
Olho em Paris e também em Wimbledon
Em Paris, além da disputa juvenil, Duda poderá circular pelas áreas reservadas aos profissionais e acompanhar de perto alguns dos principais nomes do circuito mundial.
– Acho que esse é o grande aprendizado. Eles fazem isso para que o tenista júnior possa conviver um pouquinho com quem já está lá no profissional e aprender o máximo possível – explicou Sullevan.
A jovem já tem até quem queira observar mais de perto em Roland Garros.
– Eu achava que o Alcaraz ia, mas agora eu acho que eu dou vontade de ver o Sinner mesmo. Ver os profissionais jogando na quadra central, ver eles comendo, deve ser legal – comentou.
Depois da experiência em Paris, Duda também disputará torneios em Wimbledon. E é justamente na grama inglesa que mora o maior sonho da carreira.
– Ganhar Wimbledon – resumiu a paranaense.
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