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Rival do Palmeiras, Felipe Vizeu busca retomada no Peru e sonha reeditar trio com Vini Jr. e Paquetá

Rival do Palmeiras, Felipe Vizeu busca retomada no Peru e sonha reeditar trio com Vini Jr. e Paquetá

Vizeu diz que quer voltar ao Flamengo para reeditar trio com Vini Jr e Paquetá
Felipe Vizeu está vivendo uma nova fase no futebol. Após início no Flamengo, artilheiro e campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, além de momentos importantes substituindo Paolo Guerrero, suspenso por doping, o atacante rodou o Brasil e o mundo até parar no Sporting Cristal, do Peru.
Nesta terça-feira, ele enfrentará o Palmeiras pela segunda vez nesta edição da Copa Libertadores. A primeira, em São Paulo, terminou com derrota do Sporting Cristal por 2 a 1, mas agora, em Lima, o clube peruano busca uma vitória para manter a liderança do Grupo F e sonhar com a vaga nas oitavas de final.
– Com o Palmeiras a gente tem que ter total respeito. É como eu falo, os jogadores que estão ali são espelhos para nós hoje em dia. É claro que às vezes eu vejo os meninos que estão na frente (Flaco e Vitor Roque), são mais jovens que eu, só que têm uma carreira brilhante, já chegaram em final de Libertadores. Às vezes os times vêm jogar contra nós por uma bola e às vezes conseguem. E por que não a gente? A gente tem que saber jogar o jogo, temos que ser experientes ali, inteligentes, ter humildade e reconhecer os adversários que estão aí pela frente – disse.
Vizeu conta preleção de Zé Ricardo antes de título da Copinha e celebra vida do avô
A caminhada de Vizeu no clube peruano começou com Paulo Autuori. O treinador deixou o Sporting Cristal dias antes da estreia na Libertadores, mas a chegada de um velho conhecido não mudou o bom ambiente encontrado por lá. Zé Ricardo, que cuidou de Vizeu na base e no profissional do Flamengo, foi o escolhido.
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Em casa, o centroavante busca voos ainda maiores para realizar alguns sonhos na carreira, revelados de maneira exclusiva ao ge. As histórias vão das rabiscadas ao som de Mc Cabelinho com Lucas Paquetá, a vontade de reeditar o trio com ele e Vini Jr, e bastidores inéditos da treta com o zagueiro Rodolpho, após mostrar o “dedo do meio” para o companheiro.
Felipe Vizeu em ação pelo Sporting Cristal contra o Palmeiras
Riquelve Nata/Sports Press Photo/Getty Images
Rabisca, Vizeu!
Os primeiros passos de Vizeu no futebol foram complicados. Natural de Três Rios, no interior do Rio de Janeiro, ele começou na base do América-MG, mas foi assaltado em Belo Horizonte e viveu momentos difíceis, com dois anos sem ver a família.
Duas competições mudaram a vida do atacante. No Coelho, ele soube aproveitar a oportunidade para chegar ao Flamengo em 2013. Três anos depois, a Copa São Paulo Futebol Júnior, que terminou com o título rubro-negro em final sobre o Corinthians, consagrou Vizeu na base.
Ele terminou como melhor jogador daquela edição da Copinha, mas, após a final, sentiu o gosto agridoce com a perda do avô, o único da família a se tornar profissional no futebol.
O avô acompanhou toda a campanha, e a família mandava vídeos dele comemorando os gols. Ele só não recebeu na final, justamente quando faleceu. A conversa com o pai após o título foi uma das mais dolorosas da vida, mas Vizeu encontrou motivos para sorrir, dedicando o título para a nova “estrelinha”.
Felipe Vizeu e Lucas Paquetá em início pelo Flamengo
Divulgação
– Quando acabou a Copa de São Paulo, eu recebi o troféu de melhor jogador da Copinha, cheguei no carro e falei pro meu pai que queria dar o troféu para o meu avô, meu pai já começou a encher o olho de lágrima ali na hora. Na hora eu achei que ele estivesse orgulhoso, sabe? Quando a gente parou pra almoçar, que a gente almoçou e aí depois que ele me contou. Foi um baque, mas ele descansou. Teve câncer por muito tempo – explicou.
A ascensão do centroavante aos profissionais do Flamengo, depois da conquista da Copinha, coincidiu justamente com o início de um dos artistas mais ouvidos do Brasil nos últimos anos: o MC Cabelinho. Vizeu e Paquetá escutavam bastante o cantor de funk, especialmente a música “Toda Hora”, hit da época.
Cabelinho e Vizeu até dividiram o mesmo bordão. O “Cabelinho tá onde”, ou “Vizeu tá onde” embalava o vestiário e as rabiscadas do atacante ao lado de Lucas Paquetá.
– Tem um amigo que é músico compositor e usa muito isso. Hoje ele usa mais que eu, até brinco que ele “roubou” o meu bordão. Fico feliz quando as pessoas falam isso pra mim. O Gabriel quando chegou aqui, a primeira coisa que ele falou foi: “Vizeu tá onde? Vizeu tá aí!”.
Entre 2016 e 2018, Vizeu viveu momentos especiais com a camisa do Flamengo. Entre gols na estreia do Brasileirão, decisões continentais e despedida de gala, com bola na rede no primeiro toque na bola, o centroavante foi importante em momentos complicados da equipe. Por isso, sente que a gratidão entre jogador e clube é mútua.
“Vizeu tá onde?”: atacante brinca com bordão de Mc Cabelinho que virou marca registrada
Comemoração histórica
Quando assumiu a vaga de titular por causa da suspensão por doping de Guerrero, o centroavante protagonizou um dos momentos mais inusitados dos últimos anos no futebol brasileiro. Ao marcar o terceiro gol do Flamengo na vitória sobre o Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, Vizeu comemorou mostrando o dedo do meio para o zagueiro Rodolpho, companheiro de equipe.
A cena viralizou e chocou quem acompanhava a partida, diante da reação sem precedentes. Mais maduro, Vizeu relembra o ocorrido com certa “vergonha” e explica que a raiva começou após um ruído de comunicação em cobrança de escanteio.
Felipe Vizeu faz gesto obsceno e xinga Rhodolfo em comemoração
GloboEsporte.com
– Tinha acontecido uma situação que alguns jogadores estavam voltando da seleção, o Trauco estava na seleção peruana e não tinha treinado, chegou direto para jogar. Eu estava ajustando com ele num escanteio e acabou saindo errado, na hora queriam jogar para cima de mim. O Rodolpho estava um pouco nervoso, achando que eu era o culpado.
– O problema foi que o gol saiu logo em seguida, eu estava com aquela raiva, porque eu sabia que não era o culpado e tive aquela reação. Para falar a verdade, em um momento algum eu pensei, imaginei o que eu estava fazendo. Tanto que quando eu vou sair para o intervalo, alguns jogadores me tiram porque a imprensa estava vindo. Mas eu estava saindo normal, sabe?
Vizeu diz que não esperava repercussão por comemoração xingando companheiro no Flamengo
A “treta” foi resolvida ainda no vestiário, e Vizeu fez questão de abraçar Rodolpho ao marcar logo no compromisso seguinte do Flamengo, contra o Junior Barranquilla, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana. O centroavante fez três dos quatro gols do clube carioca na eliminatória que confirmou vaga na decisão do torneio.
Vai voltar para o Brasil?
Esse é o principal desejo de Felipe Vizeu. E não é só o retorno ao Brasil, mas para um destino específico: a Gávea. Vestir a camisa do Flamengo novamente, ao lado dos amigos Lucas Paquetá e Vinicius Júnior.
Quando desembarcou no Rio de Janeiro, Paquetá enviou uma mensagem para Vizeu, brincando que só faltava ele para reeditar a dupla dos tempos da base.
Dois viraram três com a chegada de Vini Jr, mas a estadia durou menos de um ano, já que Vizeu e Vini foram vendidos a Udinese e Real Madrid, respectivamente, no início de 2018. Paquetá ficou um pouco mais, e só deixou o Flamengo em 2019, negociado com o Milan.
– Agora só falta o seu (sonho de voltar pro Flamengo), falou assim pra mim. Mas a gente sempre tem contato. Eu, o Vini, o Paquetá. O Paquetá eu falo bem mais. O Paquetá eu joguei desde que eu cheguei, a mesma idade que eu. Nós três formávamos um trio. Agora mesmo nesse jogo da Libertadores, o Paquetá estava jantando depois do jogo que eles jogaram aqui contra o Cusco e me mandou um vídeo depois de ver o meu gol contra o Cerro Porteño. Tenho a maior gratidão pela amizade deles e pelo carinho também, que continuou.
Além do Flamengo, Vizeu vestiu a camisa de outros cinco clubes brasileiros. São eles: Grêmio, Ceará, Atlético Goianiense, Criciúma e Remo. No Tricolor Gaúcho, ele teve a oportunidade de trabalhar com Renato Gaúcho, enquanto marcou gols importantes, como o do acesso em 2023, na equipe catarinense.
“Paizão”: Vizeu relembra resenhas com Renato no Grêmio e não se incomoda com brincadeiras
Nas duas, contudo, o atacante acabou sendo atrapalhado por lesões, a mais grave com a camisa do Grêmio, que o afastou dos gramados por mais de seis meses. Mesmo assim, ele revelou que guarda boas memórias das passagens.
– Renato é 20/10, é paizão. Para grupo, é um cara sensacional. Ele fala a língua do jogador, jogou, não é à toa, nos entende. Eu tive meus momentos felizes no Grêmio, triste por causa da minha lesão no joelho, me atrapalhou muito, estava bem.
– Tenho o maior respeito, carinho. Minha filha nasceu também lá, em Criciúma. Eu falo, eu tenho meu pezinho lá. A gente tem residência fixa, passei a amar mesmo. 2023 foi um ano maravilhoso, um ano em que eu fiz um dos gols do acesso, depois fiz outro gol importante contra o Botafogo no ano seguinte, contra o São Paulo também. Carinho da torcida, carinho do povo catarinense.
Vizeu já marcou um gol nessa Libertadores, o da vitória sobre o Cerro Porteño, na estreia do Sporting Cristal. Agora, a equipe peruana recebe o Palmeiras, nesta terça-feira, em Lima, para seguir sonhando com uma vaga nas oitavas de final.
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