Rússia ameaça Kiev com novos ataques e pede que estrangeiros deixem a cidade um dia após bombardeio em larga escala
Rússia faz ataque em grande escala contra Kiev
A Rússia afirmou, nesta segunda-feira (25), que planeja lançar novos bombardeios contra Kiev e reiterou o apelo para que estrangeiros e diplomatas abandonem a cidade, um alerta que o ministro das Relações Exteriores transmitiu ao chefe da diplomacia americana, Marco Rubio.
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“O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, manteve uma conversa telefônica com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio”, informou a chancelaria russa em comunicado.
“Lavrov chamou a atenção para um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Rússia de 25 de maio, no qual se recomendava aos Estados Unidos, juntamente com outros Estados com missões em Kiev, que garantissem a remoção de seu corpo diplomático e de outros cidadãos da capital ucraniana”, acrescentou.
Morador de Kiev assiste prêdio em chamas após ataque russo no domingo (24)
REUTERS/Stringer
A Rússia lançou dezenas de drones e mísseis contra a Ucrânia durante o fim de semana, causando a morte de quatro pessoas, deixando dezenas de feridos e provocando danos em toda a capital ucraniana.
Entre as armas utilizadas, a Rússia empregou um míssil hipersônico Oreshnik, que, segundo Moscou, pode viajar a dez vezes a velocidade do som e tem capacidade para transportar ogivas nucleares (leia mais abaixo).
A ofensiva ocorreu dias depois de Moscou acusar Kiev de atacar uma escola profissionalizante na região ucraniana de Lugansk, ocupada pela Rússia, causando a morte de 21 pessoas. O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou que seu Exército respondesse a esse ataque.
A Rússia já havia pedido a cidadãos estrangeiros e diplomatas que deixassem Kiev no início deste mês, quando ameaçou lançar ataques massivos contra o centro da cidade se a Ucrânia perturbasse um desfile militar na Praça Vermelha.
Destruição e sofrimento de moradores
Danos foram registrados em 40 locais em vários distritos da capital, incluindo edifícios residenciais, disse o chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko, em uma publicação no Telegram.
Um prédio escolar foi danificado por um ataque enquanto pessoas estavam abrigadas no local, disse o prefeito Vitalii Klitschko. Autoridades locais relataram que supermercados e armazéns em toda a cidade também foram danificados.
“Foi uma noite terrível, e nunca houve nada parecido em toda a guerra”, disse a moradora de Kiev Svitlana Onofryichuk, de 55 anos, que trabalha há 22 anos no mercado atingido.
No distrito de Shevchenko, um prédio residencial de cinco andares foi atingido, provocando um incêndio, e uma pessoa morreu, informou o serviço estatal de emergência da Ucrânia.
Míssil Oreshnik
Esta é a terceira vez que o míssil, capaz de transportar ogivas nucleares ou convencionais, é usado na Ucrânia. A Rússia atingiu a cidade de Bila Tserkva, na região de Kiev, com o míssil, disse Zelensky. O alvo não ficou imediatamente claro.
A Rússia usou pela primeira vez o Oreshnik, equipado com múltiplas ogivas, contra a cidade ucraniana de Dnipro em novembro de 2024. O míssil foi usado uma segunda vez em janeiro, na região ocidental de Lviv.
O presidente Vladimir Putin afirmou que o Oreshnik, que significa “aveleira” em russo, viaja a 10 vezes a velocidade do som, ou Mach 10, e é capaz de destruir bunkers subterrâneos “três, quatro ou mais andares abaixo”.
A arma viaja “como um meteorito” e é imune a qualquer sistema de defesa antimísseis, disse Putin, acrescentando que vários desses mísseis, mesmo equipados com ogivas convencionais, poderiam ser tão devastadores quanto um ataque nuclear.
Como é o Oreshnik, sistema russo de mísseis hipersônicos com capacidade nuclear usado em ataque contra a Ucrânia
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