Saída, finanças e SAF: ex-CEO do Santa Cruz faz raio-x do clube
Ex-CEO do Santa Cruz fala sobre saída do clube
Dias após deixar o Santa Cruz em comum acordo, o ex-CEO do clube, Pedro Henriques, conversou com a reportagem do ge e falou sobre a saída, questão financeira, SAF, Arruda e outros temas que ele acompanhou no período no Tricolor.
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Pedro Henriques chegou ao Santa Cruz em abril de 2025, com a missão de ser o CEO da transição para o modelo SAF no clube. Ele permaneceu por mais de um ano, mas saiu sem a mudança efetivada no modelo de gestão no Tricolor.
Presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues conversa com o CEO Pedro Henriques.
Marlon Costa/AGIF
Na visão de Pedro Henriques, o atraso para a conclusão da SAF impediu que os avanços projetados pudessem ser feitos e, por isso, não fazia mais sentido a sua continuidade, tendo em vista que o Santa Cruz precisa priorizar outras coisas no momento – vide pagamento de funcionários e atletas.
– Conseguimos desenvolver algumas ações na medida do possível e dentro da realidade do Santa Cruz. Fizemos um diagnóstico, uma proposta de organograma que pudesse ser desenvolvido, mas, infelizmente, o andamento da negociação da SAF, que poderia gerar a chegada de receita para destravar as mudanças que gostaríamos, acabou mais lenta do que todo mundo imaginava – iniciou.
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– Nesse contexto de dificuldade para a implementar conceitos e ideias, talvez não fizesse sentido para o próprio Santa Cruz e nem para mim a gente continuar. Tem que entender as prioridades, como manter a folha em dia e as obrigações do clube. Acredito que quando o clube finalizar esse processo da SAF, vai dar continuidade a isso – completou.
O ex-CEO ainda afirmou que deixa um legado a ser seguido dentro do Santa Cruz, a partir de um diagnóstico feito durante este período de trabalho e que poderia ser implementado com a melhora no quadro financeiro do Tricolor.
Apesar disso, contudo, Pedro Henriques admitiu um sentimento de frustração, embora também avalie que tenha feito o que estava ao seu alcance mediante as condições apresentadas.
– Me gera uma certa frustração. Claro que gostaria de ter feito mais, entregue mais. Certamente, essa é a sensação também do clube, mas a gente tem que ter os pés no chão e reconhecer o timing. Prefiro falar das coisas boas, porque quando não está ao nosso alcance, não tem muito o que fazer – explicou Pedro.
– A gente não tinha a infraestrutura em determinadas situações, a capacidade de investimento, mas fico contente em ter participado do acesso. Vou dormir tranquilo de ter feito o meu melhor dentro das condições que a gente tinha – completou.
Pedro Henriques, Bruno Rodrigues, Alex Brasil e Moisés Von Ahn em coletiva no Arruda
Evelyn Victória/Santa Cruz
Salários atrasados
O ex-CEO tricolor também conviveu com atrasos salariais durante o período no clube, principalmente em 2026. Ele preferiu não detalhar quantos meses o Santa Cruz deixou de pagar e disse que foi feito um acordo para o Tricolor quitar o valor de forma “tranquila”.
Ainda segundo Pedro Henriques, a questão financeira não foi o determinante para sua saída, embora reconheça que é um ponto de desgaste. Contudo, se mostrou confiante no cumprimento das parcelas por parte do Tricolor.
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– Nunca é a melhor coisa e era algo que a gente já imaginava que poderia acontecer, dentro do que estava rolando no Santa Cruz. Estava preparado psicológica e financeiramente para parar isso. Para mim, não foi o fator preponderante para a decisão, embora tenha sido um desgaste. Mudei de cidade com minha família, então você tem seus custos que pesam – iniciou Pedro.
– Mas tenho certeza que pesa para quem tem um estofo financeiro menor, então minha preocupação sempre foi para que o clube pagasse essas pessoas. O importante é que a gente fez um acordo. Não quero prejudicar o fluxo de caixa do clube e atrapalhar que pague especialmente os funcionários. Esse acordo está feito e confio que o presidente vai quitar o acordo, que dá uma tranquilidade grande para o Santa Cruz pagar – completou.
No momento, o Santa Cruz deve ao elenco dois meses de direitos de imagem e um mês de CLT, além de atraso com os funcionários.
E A SAF?
Questionado sobre o processo da conclusão da SAF do Santa Cruz, Pedro Henriques afirmou que é um tema conduzido pelo presidente Bruno Rodrigues e quem o auxilia.
Bruno Rodrigues, presidente do Santa Cruz, ao lado do CEO Pedro Henriques
Marlon Costa/AGIF
O ex-CEO tricolor também afirmou que, ainda em 2025, havia dito que a previsão inicial para a implementação da SAF não seria cumprida, em virtude dos trâmites burocráticos do processo.
Pedro Henriques também negou que tenha qualquer laço com os investidores da Cobra Coral Participações S/A, que negociam o distrato para deixar o controle da SAF do Santa Cruz, e diz que torce para a resolução do tema o quanto antes.
O dirigente ainda lembrou que foi contratado por Vinícius Diniz, um dos investidores da Cobra Coral Participações S/A e que deixou o negócio ainda em julho do ano passado.
– A minha expectativa, inicialmente, era de ter uma SAF implementada em cinco meses. Foi o que me foi proposto antes de eu chegar. Mas, a partir do momento que a gente foi vendo que a realidade era mais difícil do que a gente imaginava, a gente tem que se adaptar a isso – disse Pedro.
– Acho que o clube tem que focar em pagar em dia, quem está tem que tentar fazer a melhor entrega possível no futebol. Tem essa conversa de perspectivas de mudança de investidor… Mas tem que dar um passo de cada vez dentro da realidade do clube – finalizou.
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