“Veterano” de Série B, Pará freia ansiedade por acesso no São Bernardo: “Meta é bater 45 pontos”
Aos 7 min do 2º tempo – gol de cabeça de Pará do São Bernardo contra a Ponte Preta
Peça fundamental do São Bernardo, líder da Série B do Campeonato Brasileiro, o lateral-esquerdo Pará participou do acesso no ano passado, foi titular em todos os jogos desta edição até o momento e é referência no elenco.
Além da importância na ótima campanha na competição, na qual o time do ABC Paulista é líder, no recorte anual Pará é o segundo em número de jogos disputados em 2026.
Em entrevista exclusiva ao ge, o jogador comentou o bom momento da equipe, mas alertou que não há nada ganho e que o time deve manter os pés no chão.
– Estamos em um momento muito bom na Série B. Todo mundo está vendo o nosso empenho, a nossa dedicação. Nosso grupo é um grupo forte e com jogadores de qualidade. Mas a competição é muito difícil. A Série B tem muitas armadilhas. Temos que manter os pés no chão, que ainda tem muito pela frente – disse o jogador.
Pará comemora gol na vitória contra a Ponte Preta, pela Série B
Foto: Reprodução
Dá para pensar em título?
Primeiro colocado geral, o estreante São Bernardo vem de quatro vitórias seguidas, além de contar com o melhor ataque de toda a Série B: são 14 gols marcados em oito jogos disputados.
Apesar da surpreendente campanha até o momento, Pará entende que o time deve se concentrar em objetivos mais realistas com a realidade de um clube que acabou de chegar na segunda divisão.
– A Série A, eu acho que ainda não é o momento. Temos muito chão pela frente. Claro, estamos fazendo uma campanha muito boa, mas a gente não precisa colocar essa pressão diante de nós. O clube que acabou de vir da Série C. Temos que buscar o nosso primeiro objetivo, bater os 45 pontos e deixar o clube onde está, na Série B. Depois de bater os 45 pontos, a gente pode sonhar com algo grande – opinou.
Londrina x São Bernardo
Rafael Martins/Londrina EC
Experiências e virtudes de um campeão
Disputar a Série B é uma novidade na história do São Bernardo, mas na do lateral-esquerdo é um dos principais capítulos. Pará disputou a segunda divisão nacional em outras três oportunidades. No Botafogo-SP, em 2019, no Guarani, em 2018, e no América MG, em 2017, sua primeira vez disputando a competição e já conquistando o título.
Na ocasião, a equipe mineira não era favorita ao título, já que havia sido lanterna na Série A no ano anterior e disputava com o Internacional, que havia sido rebaixado de forma surpreendente. Mesmo assim, Pará e o clube mineiro se superaram e conquistaram o título na última rodada.
O lateral falou sobre a sensação de vencer a Série B e como tenta transmitir sua experiência para os jogadores do São Bernardo hoje em dia.
– Quando eu vou para os clubes, eu procuro sempre deixar um legado, não só de título, mas também como pessoa, como profissional. Graças a Deus, nos clubes que eu passei, consegui deixar meu nome escrito na história. Foi assim no Mirassol, no Operário e agora no São Bernardo, conseguindo o acesso para a Série B logo no meu primeiro ano. Estamos fazendo histórias, a cada dia uma nova, e queremos continuar até o final da competição – revelou Pará.
Pará, após conquistar o título da Série B com o América-MG, em 2017
Foto: Reprodução
Vivência no Japão
Apesar de acumular diversas passagens por grandes clubes no Brasil, como Cruzeiro, Athletico-PR, Bahia e Mirassol, um dos anos mais marcantes na carreira de Pará foi no Japão, jogando pelo Vegalta Sendai, em 2020.
No clube japonês foram 15 partidas disputadas na temporada, a maioria como reserva. O que mais marcou o jogador não foi o seu desempenho individual, mas sim a qualidade técnica dos atletas japoneses.
– Foi uma experiência incrível, totalmente diferente. A adaptação no começo foi bastante complicada, porque o futebol japonês é um futebol com bastante intensidade. Eu nunca vi a intensidade dos caras, a qualidade técnica que os jogadores do Japão têm é surpreendente. Eu me arrisco a dizer que qualidade técnica dos caras é um pouquinho maior do que a nossa. Eles gostam de ir para cima sem medo, sem nada – argumentou o jogador.
Além de falar sobre a qualidade geral do futebol japonês, Pará também revelou qual foi o jogador que mais o surpreendeu enquanto jogava por lá.
– Um cara que me impressionou quando eu enfrentei foi o Mitoma, que hoje é do Brighton, e na época estava no Kawasaki Frontale. Ele era sensacional, fora da curva, graças a Deus não cheguei a marcar ele diretamente – revelou.
Mitoma comemora em goleada do Japão sobre o Peru
Kenichi Arai
Aprendizado com os japoneses
Além das quatro linhas, o lateral também se surpreendeu com o povo japonês e argumentou como o futebol brasileiro poderia aprender com a educação e o respeito apresentado por eles.
– Tudo lá era muito diferente. A culinária, que eu e minha família amamos, mas principalmente a educação e o respeito das pessoas. No primeiro jogo que a gente jogou, contra o Urawa Reds, perdemos de 5 a 1. Depois da partida a gente pegou o trem-bala, o Shikansen, e o torcedor pediu para tirar foto, abraçar, totalmente diferente. Aqui no Brasil não tem isso. Se você perde, o cara te xinga de tudo que é possível. A gente tem muito a aprender com eles – conta Pará.
*Colaborou sob supervisão de Diego Ribeiro
Torcida Japão x Croácia
Getty Images geRead More


