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Análise: Confiança vai para o ‘tudo ou nada’ ao promover Ricardo Resende no fim da Série C

Análise: Confiança vai para o ‘tudo ou nada’ ao promover Ricardo Resende no fim da Série C

No jogo de poker, um dos movimentos clássicos – e mais conhecidos – é o ‘all-in’. Basicamente, é quando o jogador aposta todas as suas fichas em uma única rodada, em uma jogada que coloca sua continuidade na disputa em risco. Em bom português, o ‘tudo ou nada’.
É justamente para o ‘tudo ou nada’ que o Confiança vai na reta final da Série C. Ao anunciar na última quarta-feira a saída do técnico Thiago Gomes e promover o auxiliar Ricardo Resende a efetivo nas últimas cinco rodadas, o time proletário dá uma cartada alta e, de certa forma, surpreendente, pela salvação.
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Ricardo Resende será o técnico do Confiança na reta final da Série C
Sérgio Luís/ADC
Vale lembrar que a situação do Confiança na Série C já é de desespero. A cinco rodadas do fim da competição e com rodadas recentes desastrosas, o Dragão é o 19º colocado com 11 pontos, abrindo o Z-2 e a quatro pontos do Barra, 18º colocado.
De quebra, quem vem logo acima em 17º é o Itabaiana, com 16 pontos. E na próxima rodada, em 25 de julho, ambos se enfrentam em um clássico carregado de tensão na Arena Batistão. O jogo pode representar uma sobrevida importante ou um golpe duríssimo para as pretensões azulinas.
Diante deste cenário, a troca serve como uma busca pelo fato novo através de alguém que já conhece o ambiente.
É importante ressaltar, em meio a tudo isso, que o trabalho de Thiago Gomes “não deu liga” – nas palavras do próprio após a derrota para o Botafogo-PB. Foram sete jogos e apenas uma vitória, além de dois empates e quatro derrotas.
Thiago Gomes comanda treino do Confiança
Sérgio Luís/ADC
Thiago chegou ao Confiança em maio com a proposta de ter um time ofensivo, buscando sempre o gol. O setor ofensivo não engrenou, com quatro gols nas sete partidas, e a defesa continuou sendo vazada e repetindo erros de momentos anteriores, especialmente em bola aérea.
Mas apesar de um trabalho que não encaixou como se imaginava, Thiago Gomes é apenas uma parte de uma engrenagem que não funcionou na temporada do Confiança. Ele foi o terceiro treinador efetivo do ano, com uma média de apenas 30% de aproveitamento entre todos eles.
Desde o início com Luizinho Vieira, passando por Cláudio Caçapa e agora com Thiago, o elenco não deu a resposta esperada. Os problemas dizem muito mais sobre o planejamento em si do que necessariamente sobre detalhes específicos de técnicos.
E aí entra o contexto da promoção de Ricardo Resende. Contratado este ano para ser o auxiliar permanente do Confiança, ele já assumiu o time de forma interinamente em oito partidas.
Curiosamente, tem um bom aproveitamento de 58,3% – apenas uma delas foi na Série C, ao vencer o Maranhão por 2 a 1. É justamente nisso que a SAF proletária se apega.
Ao promover Ricardo, a diretoria busca um profissional que conhece o ambiente, já trabalhou com o elenco como efetivo e teve bons números, evitando um grande choque que poderia vir com um outro treinador.
Porém, agora o contexto é outro. A maioria das partidas de Ricardo no comando da equipe foram no cenário de Campeonato Sergipano; agora, a missão é conquistar pontos em um ambiente de muita pressão para evitar o que seria um desastroso rebaixamento à Série D.
Confiança x Barra – Série C do Brasileiro
Robert Derik
Por fim: independentemente do resultado desta escolha, o planejamento do Confiança não deu certo. É verdade que a ideia da SAF era trabalhar com um crescimento a longo prazo, mas definitivamente não estava nos planos estar tão imerso na briga contra a queda a cinco rodadas do fim, especialmente em um ano onde apenas dois são rebaixados.
A escolha do técnico, de certa forma, reflete isso. Quando Luizinho Vieira foi demitido em fevereiro, e Ricardo Resende assumiu de forma interina, o CEO da SAF, Diogo Lemos, deixou claro publicamente que a ideia era ter um profissional tarimbado na Série C, desenvolvendo o estilo de jogo desejado pela nova gestão, e o auxiliar seria uma mera solução temporária.
Cinco meses depois, com outros dois treinadores e resultados bem abaixo do esperado, a solução temporária virou o ‘all-in’ para salvar 2026. Uma decisão que joga ainda mais pressão em uma diretoria que vem sendo bastante cobrada por todo o saldo da temporada.
O Confiança tem condições de reverter o cenário, mas sabe que será uma dura missão na reta final da Série C. Para o torcedor que teve um ano tão difícil, resta aguardar que o ‘tudo ou nada’ resulte em um fim positivo. geRead More