Análise: estreia com derrota precisa servir de lição para Dal Pozzo corrigir rota do Sport
Criciúma 1 x 0 Sport | Melhores momentos | 16ª rodada | Série B 2026
O Criciúma não precisou de muito para vencer o Sport por 1 a 0, pela 16ª rodada da Série B, embora o placar não reflita a superioridade dos catarinenses na partida – principalmente no primeiro tempo.
A estreia de Gilmar Dal Pozzo no comando do Leão terminou com uma derrota que deixa, acima de tudo, uma lição para a sequência do trabalho: implementar um novo modelo de jogo exige tempo, principalmente quando ele vem acompanhado de mudanças na estrutura e na escalação da equipe.
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Contratado para corrigir os problemas do Sport, Dal Pozzo promoveu mudanças significativas logo em sua primeira escalação. Abandonou o 4-3-3 utilizado desde o início da Série B para montar a equipe em um 5-3-2.
A ideia, por si só, não é necessariamente equivocada. O sistema com três zagueiros faz parte da identidade do treinador e pode, inclusive, ser uma alternativa para o Sport ao longo da temporada. O problema foi tentar implementá-la com poucos dias de treinamento.
Gilmar Dal Pozzo, técnico do Sport
Sport Recife
O técnico chegou ao Recife na última quarta-feira e teve apenas três dias de treino antes da estreia. Era pouco tempo para modificar o esquema e exigir que os jogadores assimilassem novos posicionamentos e movimentações coletivas.
Além de alterar o posicionamento dos jogadores, Dal Pozzo recolocou De Pena entre os titulares pela primeira vez desde a nona rodada e manteve Zé Marcos na equipe – apesar das más atuações dos atletas nos últimos jogos.
O reflexo apareceu em campo. O Sport fez um primeiro tempo muito abaixo: teve dificuldades na saída de bola, pouco produziu ofensivamente e continuou deixando espaços na defesa.
Ao tentar acelerar a mudança de modelo, acabou perdendo justamente as características que ainda o mantinham competitivo.
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Sport perfilado para entrada em campo contra o Criciúma
Caio Marcelo Fotografia
Mesmo com limitações coletivas, o Sport se mantinha competitivo porque seus jogadores conheciam a estrutura da equipe. Barletta e Perotti, autores de 13 dos 18 gols do Leão na Série B, frequentemente resolviam partidas por meio da qualidade individual.
Na estreia de Dal Pozzo, nem isso apareceu. A mudança de esquema e de posicionamento deixou o time perdido, com jogadores ainda sem assimilar as novas funções. As individualidades perderam força e a nova proposta ofensiva também não fluiu.
Nem mesmo a defesa funcionou. A presença de um terceiro zagueiro não trouxe mais segurança. O Sport continuou cedendo espaços, teve dificuldades para controlar as ações do Criciúma e passou boa parte da primeira etapa sendo dominado.
Assista coletiva do técnico Gilmar Dal Pozzo após Criciúma 1×0 Sport
O Sport já apresentou sinais de melhora no início do segundo tempo, mesmo ainda atuando com três zagueiros. O time, no entanto, passou a controlar a partida apenas após Dal Pozzo retirar um dos defensores e reorganizar a equipe em uma estrutura mais próxima da normalmente utilizada. A reação, porém, não evitou a derrota.
O jogo também deixou outro recado ao treinador: insistir em jogadores que não vivem bom momento pode dificultar ainda mais a implementação de um novo modelo de jogo. De Pena e Zé Marcos foram exemplos claros no jogo.
De Pena em Criciúma x Sport
Caio Marcelo Fotografia
A derrota, portanto, deixa mais ensinamentos do que conclusões definitivas. O esquema com três zagueiros não precisa ser descartado. Pelo perfil de Dal Pozzo, é natural que ele faça parte do processo de reconstrução da equipe.
Mas a mudança de formação tende a ser mais eficiente de forma gradual, sem abrir mão, de imediato, das características que mantiveram o Sport competitivo até aqui.
Com o tropeço, o Leão permanece com 25 pontos e vê a distância para o G-2 aumentar de dois para cinco pontos. Em uma Série B equilibrada, reduzir rapidamente a margem de erro passa a ser mais importante até que implementar as ideias do novo treinador.
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