Análise: o Sport mudou de treinador, mas nada mudou
Sport 3 x 3 Botafogo-SP | Melhores momentos | 17ª rodada | Brasileirão Série B 2026
Os últimos jogos do Sport escancaram, rodada após rodada, a mensagem de que o desempenho do time se transformou em um “museu de grandes novidades”, parafraseando o famoso verso do cantor Cazuza. Pois, assim como sugere em tom de crítica social o verso da canção, as novidades são, na verdade, a repetição de problemas e vícios do passado.
O Sport enfrenta este dilema: trocou de técnico pela segunda vez na temporada, demitindo dessa vez Márcio Goiano para acertar a chegada de Gilmar Dal Pozzo, mas os erros continuam à vista.
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Sport 3 a 3 Botafogo-SP
Rafael Vieira/AGIF
O número de jogos é pequeno, são apenas dois à frente do time, mas o retorno do treinador catarinense não parece ter gerado o efeito imediato na equipe. Pelo contrário.
O Sport foi a campo na estreia de Dal Pozzo, contra o Criciúma, com uma zaga reformulada por um novo esquema tático e não apresentou bom futebol. Agora, contra o Botafogo-SP, no empate em 3 a 3 conquistado no fim de jogo, na Ilha do Retiro, pareceu ter se desconfigurado.
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A despeito da melhora no segundo tempo, em especial no quesito ofensivo, o Rubro-negro se vê em looping, cometendo os mesmos problemas da “Era Márcio Goiano”. Sofre com erros na defesa, cria pouco e, acima de tudo, depende quase que exclusivamente do talento individual.
Coletiva do técnico Gilmar Dal Pozzo após Sport 3 x 3 Botafogo-SP
As virtudes coletivas, que outrora se sobressaíam, deixaram de aparecer. Permissivo, o Sport não demonstra apetite para o jogo. Ou espera para despertar quando é golpeado – como aconteceu na sexta-feira. Mas esta postura é insuficiente em qualquer cenário, quiçá pensando em acesso.
Contra o Botafogo-SP, o Sport errou 91 dos 420 passes (20%) que trocou e viu o adversário ser muito mais combativo na marcação, efetuando nove desarmes. O Rubro-negro, que precisou remar para buscar três gols e empatar o jogo, roubou menos bolas – seis vezes, segundo estatísticas do ge.
Pelo quarto jogo seguido, o Sport também sofreu gols de bola aérea. Já são oito assim.
E voltou a tropeçar em casa. Em nove partidas, venceu três, empatou cinco e perdeu uma. É somente o oitavo melhor mandante da Série B. Com exceção do Operário-PR, todos os clubes do G-6 também ocupam a ponta da tabela a nível de desempenho em casa.
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Para se ter uma ideia, ainda no primeiro tempo a cabeçada de Biel, defendida por Victor Souza, foi o único lance de perigo rubro-negro – e construído pelos pés de Barletta, oásis ofensivo da equipe. Enquanto o time paulista já havia marcado duas vezes e chegava com facilidade.
Técnico Gilmar Dal Pozzo em Sport x Botafogo-SP
Paulo Paiva/Sport Club do Recife
As vaias efusivas da torcida do Sport no intervalo e no final da partida respondem à atuação geral: não será um, dois ou três gols que vão maquiar a realidade.
Porque as experiências com Roger Silva, demitido com uma derrota, e Márcio Goiano, com quatro, deixaram a lição: não se cultua resultado esquecendo o desempenho, uma vez que são eixos complementares de um trabalho.
Há seis jogos, o Sport não apresenta nem um, nem outro.
Caberá a Gilmar Dal Pozzo e à diretoria (re) encontrar um caminho nesta Série B. Ou trilhar um novo.
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