Análise: perder até quando tenta superar a si própria é retrato fiel da derrocada sem trégua da Ponte
A fase da Ponte Preta já não se explica apenas pelos resultados – e se revela, sobretudo, na forma como eles acontecem. A derrota por 2 a 0 para o Fortaleza, no Castelão, na última quinta-feira, escancarou um padrão: até quando apresenta sinais de que pode, ao menos momentaneamente, superar os problemas extracampo, o time acaba perdendo.
Foi a nona derrota em dez jogos — a quinta consecutiva — em uma campanha que afunda a equipe na vice-lanterna da Série B, com apenas oito pontos em 16 partidas. Mais do que números, o que se consolida é a sensação de um time preso em um espiral negativo sem fim.
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Lance de Fortaleza x Ponte
Leonardo Moreira/Fortaleza EC
Contra o Fortaleza, a Ponte apresentou algo diferente no primeiro tempo. Diante da falta de opções, Márcio Zanardi apostou em uma escalação mais física, priorizando a marcação. A equipe respondeu com competitividade: conseguiu segurar o adversário, encurtar espaços e até criar algumas situações, mas faltou qualidade no momento de definir.
Já na volta do intervalo, o cenário que acompanha a Ponte ao longo de 2026 se fez presente. O time caiu de rendimento, perdeu organização e voltou a expor fragilidades que já se tornaram conhecidas. Quando Zanardi precisou usar o banco de reservas – seja por necessidade física ou tentativa de mudar o jogo, a equipe se desestruturou ainda mais e não conseguiu acompanhar o ritmo do jogo.
O primeiro gol do Fortaleza, aos 14 minutos da etapa final, com Miritello em uma jogada que teve Danilo Barcelos facilmente batido por Luiz Fernando na ponta e Palacios errando no posicionamento, escancarou outro traço do momento alvinegro: a dificuldade emocional. A ansiedade em buscar a reação, somada à necessidade urgente de vencer, deixou o time perdido em campo.
O segundo gol, já na reta final, aos 39, em chute de Maílton de fora da área que contou com a colaboração de Guilherme Viana, apenas confirmou um desfecho que já parecia encaminhado.
Esse comportamento dentro das partidas não é isolado. Ele dialoga diretamente com o cenário fora de campo.
A Ponte atravessa a crise mais grave de sua história, com salários atrasados desde meados do ano passado e um ambiente de instabilidade política e financeira. O reflexo é visível: um time que joga pressionado, que carrega o peso da situação e que encontra dificuldades para sustentar qualquer reação ao longo dos 90 minutos.
Ponte sofre a quinta derrota seguida na Série B
Leonardo Moreira/Fortaleza EC
A tentativa de reorganização em campo esbarra constantemente nesse contexto. Zanardi, diante de um elenco limitado e instável, tenta encontrar alternativas, mas lida com um grupo que oscila não apenas tecnicamente, mas também emocionalmente.
O resultado é um time que vive em dilema permanente: quando consegue competir, não finaliza bem; quando sofre o primeiro golpe, não reage; quando tenta mudar, se perde ainda mais.
A derrota para o Fortaleza, portanto, não é um ponto fora da curva — é a confirmação de um padrão. Um triste padrão.
Com o fantasma do rebaixamento para a Série C cada vez mais presente, a Ponte sabe que o tempo correr contra si. A combinação entre futebol fragilizado e gestão em crise amplia a distância não só na tabela, mas também na relação com o torcedor, cansado de ver o clube envolvido em notícias negativas.
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A projeção para a sequência da Série B, hoje, é a pior possível. Sem respostas consistentes da diretoria para as dificuldades extracampo, a equipe segue refém de um ciclo em que até os indícios de melhora acabam engolidos pela repetição dos erros.
Hoje, a Ponte perde até quando parece capaz de competir. E esse talvez seja o retrato mais fiel de uma crise que não dá sinais de trégua. geRead More


