Barra brava x hooligans: arquibancadas pulsantes movimentam Argentina x Inglaterra
Rodrigo Coutinho analisa Inglaterra e Argentina, que se enfrentam pela semifinal da Copa
Atlanta, nesta quarta-feira, receberá uma semifinal de Copa do Mundo com dois grupos de torcedores que tremem estádios. De um lado, a cultura de “barras bravas” impacta o lado da Argentina com canções e trapos (faixas ou panos). Do outro, o “hooliganismo”, mesmo que com menor relevância, ainda está inserido em parte da cultura de estádios da Inglaterra. As seleções duelam às 16h (de Brasília) por uma vaga na final com muito apoio da arquibancada.
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Torcedores de Argentina e Inglaterra brigam em duelo na Copa do Mundo de 1986, no México
Billy Stickland/Allsport
A expectativa é de casa cheia em Atlanta para a semifinal da Copa do Mundo. Argentinos lotaram os estádios durante a competição e foram maioria em todos os jogos disputados pela atual campeã mundial. Os ingleses, sempre presentes, festejaram com suas músicas depois das vitórias.
Barra-brava, trapo e violência
La 12 (Boca Juniors), Los Borrachos del Tablón (River Plate), La Butteler (San Lorenzo), La Guardia Imperial (Racing)… não são poucas as barras conhecidas no Brasil. O movimento de torcedores organizados dos argentinos começou no fim da década de 1950. Recebeu o nome após um episódio de violência, quando um torcedor foi morto em uma partida entre Vélez Sarsfield e River Plate.
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A violência anda colada às barras. Em mais de 70 anos, conflitos entre as torcidas protagonizaram brigas dentro e fora dos estádios, as canchas. Por causa disso, nos últimos anos, grande parte dos jogos do Campeonato Argentino não tem torcida visitante, por exemplo.
Não foram apenas os conflitos entre rivais que fizeram parte dessa história. La 12, a barra do Boca Juniors, é marcada por disputas internas e diferentes facções. Em 2013, dois torcedores xeneizes morreram em um jogo com o San Lorenzo. As barras também se envolvem politicamente nos clubes e nos negócios em dias de jogos.
Torcida Boca Juniors x River Plate
REUTERS/Joaquin Salguero
Seria injusto resumir as barras bravas apenas como grupos violentos de torcedores. As festas nas arquibancadas são vistas, ano após ano, no Campeonato Argentino, na Sul-Americana e na Libertadores. Por anos, os hermanos dominaram as competições internacionais com o apoio de uma arquibancada que vibrava e era um 12º jogador. Poucos clubes brasileiros não sentiram medo em La Bombonera, por exemplo.
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As barras não apoiam apenas cada clube, cada bairro, mas também o país. Apaixonados pela seleção argentina, torcedores acompanham a atual campeã mundial pelo mundo e exaltam a cultura de apoio incondicional. Nos Estados Unidos, lotaram estádios na campanha atual. O mesmo foi feito no Catar, na Rússia, no Brasil e em edições anteriores da Copa. Trapos e bandeiras apontam a origem de grupos de torcedores.
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São muitas canções para a seleção argentina, muitas delas versões de algumas cantadas por clubes. Em 2022, cantaram por Maradona no céu, Messi na Terra e por “La Tercera”. Agora, em 2026, repetem os personagens, pedem a quarta estrela na camiseta e cantam pelas Ilhas Malvinas.
Hooliganismo: violência no Reino Unido e punições
Bêbados, vândalos e violentos: era assim que a Europa chamava os torcedores ingleses que viajavam pelo continente em jogos da Taça dos Campeões Europeus (atual Champions League) durante as décadas de 1970 e 1980.
Confronto entre policiais e torcedores do Liverpool em Heysel, na final da Champions de 1985
Peter Robinson – PA Images via Getty Images
Os hooligans eram fãs que provocavam desordem pública em diversas cidades europeias. Paris foi vítima de torcedores do Leeds United durante a final europeia de 1975. Bruxelas, na Bélgica, em 1985, ficou marcada por um episódio conhecido como Tragédia de Heysel. O contexto era de jovens de classe trabalhadora captados por grupos de extrema-direita em uma época de mudanças estruturais e econômicas no Reino Unido. O ódio era um caminho fácil, a violência também.
Em Heysel, torcedores do Liverpool abriram uma fenda no velho estádio e invadiram o setor com torcedores da Juventus. Uma hora de puro terror na arquibancada. Os ingleses agrediram e pressionaram os italianos nas grades. O saldo foi de 39 mortes. Aquela partida, final da Taça dos Campeões Europeus, foi disputada mesmo com o ocorrido.
O futebol inglês pagou pela tragédia. A Uefa baniu os times ingleses de suas competições por tempo indeterminado – eles só voltariam em 1990.
Hillsborough
Em 15 de abril de 1989, a semifinal da FA Cup entre Liverpool e Nottingham Forest, no Estádio Hillsborough, em Sheffield, foi palco do maior desastre do futebol inglês. Noventa e cinco torcedores do Liverpool morreram pisoteados, enquanto 766 ficaram feridos. Uma vítima morreu no ano seguinte, enquanto outra faleceu em 2021, após ficar 32 anos em estado vegetativo por conta da tragédia.
tragédia de hillsborough
Getty Images
Para o governo de Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido entre 1979 e 1990, não havia outra opção a não ser reformular completamente o futebol.
Em janeiro de 1990, o “Relatório Taylor”, feito para investigar a Tragédia de Hillsborough, determinou que todos os estádios de Inglaterra e Escócia deveriam ser compostos 100% por assentos, sem espaço para torcer em pé. Algo incomum em um futebol britânico de puro caos e pouca organização. Com a criação da Premier League, em 1992, os preços aumentaram, e a cultura mudou de vez.
Policiamento reforçado em Atlanta
Existe muita tensão em um confronto entre argentinos e ingleses. Em 1986, se enfrentaram nas quartas de final da Copa do Mundo, quatro anos depois do fim da Guerra das Malvinas. Brigas foram vistas na arquibancada do Estádio Azteca, no México. Maradona, em campo, fez de mão no primeiro e ampliou com um dos gols mais bonitos da história do esporte.
Em Argentina x Inglaterra, em 1986, Maradona marcou de mão o gol que ficou conhecido como “La Mano de Dios”
Reprodução
O Departamento de Polícia de Atlanta terá reforço para a segurança da cidade. Ao ge, informou que “pessoal e recursos adicionais” serão utilizados e “estrategicamente designados” em áreas próxima ao jogo e de grande fluxo de pessoas.
Antes do início da Copa, o chefe de polícia de Atlanta, Darin Schierbaum, disse que 750 policiais estavam previstos para atuar nos dias de jogos – sendo que 250 deles eram reforços de outras agências. A polícia local também conta com uma unidade de policiais treinados para operar drones para monitoramento da região central da cidade, onde fica o estádio e a Fan Fest da Fifa. geRead More


