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Bragantino chega ao mata-mata do Brasileiro Sub-20 e quer manter evolução para brigar por título

Bragantino chega ao mata-mata do Brasileiro Sub-20 e quer manter evolução para brigar por título

Fernando Oliveira comenta chances do Bragantino no mata-mata do Brasileiro Sub-20
O Red Bull Bragantino está, pelo segundo ano consecutivo, no mata-mata do Brasileiro Sub-20. Após o vice-campeonato em 2025, a equipe sonha, obviamente, em conquistar o troféu neste ano. Mas, para isso, quer manter a evolução que apresentou na primeira fase do torneio e evita pensar já na decisão. O foco está no presente, na primeira partida das quartas de final.
Nesta quarta-feira, 8, o Bragantino faz o jogo de ida das quartas contra o Athletico-PR, às 15h, no CT do Caju, em Curitiba. O ge acompanha o duelo em tempo real – clique aqui. A partida de volta está marcada para a próxima quarta-feira, 15, às 21h, no Centro de Performance e Desenvolvimento, em Atibaia.
Bragantino sub-20 no Brasileiro da categoria
Fernando Roberto/Red Bull Bragantino
Em conversa com o ge, o técnico do Bragantino sub-20, Fernando Oliveira, fez um balanço da campanha do time na primeira fase. O Braga avançou na quarta posição, com dez vitórias, quatro empates e cinco derrotas. A equipe tem o segundo melhor ataque da competição, com 49 gols, atrás apenas do Palmeiras, que marcou 54.
Fernando Oliveira destaca que a equipe oscilou na primeira fase, mas apresentou evolução no decorrer da etapa. Essa constância ele quer potencializar na fase mata-mata.
– A gente chega forte, como a gente chegou no ano passado, mas por caminhos diferentes. Acho que a nossa sabedoria está em entender quais foram esses caminhos que nos deram a condição de chegar nesse momento. Desta forma, minimizar os erros que cometemos na primeira fase e potencializar aquilo que nos deu a condição de classificar – afirmou.
Fernando Oliveira, técnico do Bragantino sub-20
Fernando Roberto/Red Bull Bragantino
Durante a conversa, o treinador analisou o Athletico-PR, que foi adversário também na semifinal de 2025, fez um balanço do trabalho com a categoria e a falou sobre a formação de atletas para o profissional. Confira abaixo como foi a entrevista:
ge – Qual avaliação faz da fase de classificação do Brasileiro Sub-20?
Fernando Oliveira: Com relação ao balanço da primeira fase, a gente julga ela como positiva. Não só pela possibilidade de classificação para a próxima fase, mas, em especial, pela capacidade que a gente teve de superar o desafio que a primeira fase foi apresentando para a gente.
No início da competição, tivemos uma oscilação a nível de desempenho. Quando você oscila a nível de desempenho, você não consegue os resultados que a competição exige. Mas os meninos tiveram a capacidade de, jogo a jogo, ir encontrando as soluções que a competição foi exigindo para que, consequentemente, passassem a ser mais consistentes. Essa consistência foi nos dando a condição de voltar a jogar bem e conseguir os resultados para disputar a segunda fase do Brasileiro. Sabíamos também da importância de disputar a segunda fase. Mais do que isso, de voltar a disputar e ser consistente em torneios nacionais.
Fernando Oliveira, técnico do Bragantino sub-20, faz balanço da 1ª fase do Brasileiro
ge – Queria que você falasse também um pouco sobre a questão do conjunto. O Bragantino já vem tendo bons resultados no sub-20 nos últimos tempos, foi vice-campeão brasileiro em 2025. Qual a importância dessa continuidade para este momento da equipe?
Fernando Oliveira: Em relação à característica e à composição da categoria sub-20, acho que ela é uma oportunidade da gente manifestar as principais práticas que o Red Bull vem fazendo na sua divisão de base. Por uma questão óbvia, por se tratar da categoria mais velha da nossa divisão de base, a gente sempre tem uma responsabilidade de conseguir representar bem tudo aquilo que o Red Bull vem fazendo ao longo dos anos.
Essa também é uma forma de potencializar tudo aquilo que tem sido feito. A gente fica feliz que, nesse momento e nos últimos dois anos, a gente tenha conseguido levar para dentro do campo tudo aquilo que o Red Bull, em algum momento, projetou enquanto desenvolvimento de base. A gente sabe que, às vezes, o resultado não é tão linear quanto a qualidade do processo, mas a gente acredita que, quanto mais a gente faz as coisas da forma que deve ser feito, o resultado se aproxima.
A gente se sente privilegiado na categoria sub-20 de conseguir essa consistência, para que isso potencialize e reforce tudo aquilo que o Red Bull Bragantino vem desenvolvendo nos últimos anos. Quando o trabalho é bem feito em diferentes frentes, o resultado é uma questão de oportunidade para que consigamos potencializar essas práticas.
Fernando Oliveira, técnico do Bragantino sub-20
Fernando Roberto/Red Bull Bragantino
ge – Como vê essa nova fase do Brasileiro Sub-20? Como você vê o time para essa fase de mata-mata?
Fernando Oliveira: O que vai nos dar a condição de saber lidar com esse tipo de competição e com esse tipo de momento é vivenciar isso com frequência. Ninguém se prepara para viver mata-mata, momentos decisivos, se você vivencia isso de forma esporádica. Inclusive, esse era um dos nossos desafios no Brasileiro. Que a gente conseguisse a nossa classificação porque seria importante por tudo, pelo fator competitivo, por tudo que a gente desenvolve enquanto mentalidade vencedora nos jogadores e no clube. Mais do que isso, oportunizar aos nossos jogadores a viver momentos como esse com mais frequência. Preparar o jogador para o mais alto nível é expor os jogadores a um nível de competitividade que permita eles evoluirem, amadurecerem e encontrarem soluções para lidar com esse tipo de desafio.
Por se tratar de um grupo que recentemente jogou uma final de Brasileiro, nos dá algumas condições de encontrar soluções que sejam mais palpáveis. Isso não vai garantir que a gente consiga jogar uma final novamente, mas a gente acredita piamente que é só vivendo isso com frequência que vamos nos preparar da melhor forma possível.
Os resultados positivos nas carreiras do jogador de base está para além de jogar a final de Brasileiro de base, mas, em especial, de encontrar soluções para que eles possam se formar da melhor forma possível. Para que, quando estiverem no profissional, tenham tido uma formação profunda e que sustente o alto desempenho.
Fernando Oliveira, técnico do Bragantino sub-20, analisa mata-mata do Brasileiro Sub-20
ge – Como você vê o Athletico-PR, adversário que ficou logo abaixo na classificação? É uma equipe semelhante a que vocês enfrentaram no ano passado?
Fernando Oliveira: Acabamos de falar de consistência a nível de trabalho de base e de resultado, acho que o Athletico-PR é um grande exemplo para a gente. Trata-se de uma escola que, nos últimos anos, tem transitado muito com bons resultados tanto a nível de formação de jogadores quanto a nível de campanhas. O Athletico-PR nos últimos anos, está sempre presente em semifinais de competições nacionais, em finais. Isso em diferentes categorias, porque também reforça a formação de base do Athletico-PR como um todo.
Sem dúvida, será um grande confronto. Apesar de a gente ter tido sucesso contra o Athletico-PR na competição passada, isso não nos garante nada porque são momentos diferentes. O Athletico-PR é um clube que está acostumado a jogar esse tipo de mata-mata. A gente teve oportunidade, no ano passado, de ir muito bem nos dois confrontos que tivemos contra eles, tanto na estreia do Brasileiro quanto na semifinal do Campeonato Brasileiro. Este ano, a gente já havia jogado contra eles aqui. Inclusive, eles tiveram resultado positivo contra a gente.
A expectativa agora está muito monitorada no que diz respeito aos jogos. É uma característica diferente quanto a equipe do que a gente enfrentou no ano passado, mas o Athletico-PR também traz algumas coisas que são de DNA do próprio clube. Isso não vai mudar. A competição mudou o formato, então vamos jogar uma fase de dois jogos. A gente precisa encarar esse jogo aqui no Paraná como um jogo extremamente decisivo para que possamos fazer um grande jogo. Conseguir um resultado positivo para, no segundo jogo, conseguir a nossa classificação.
Palacios e Talles na partida entre Bragantino e Botafogo, pelo Brasileiro Sub-20
Fernando Roberto/Red Bull Bragantino
ge – Vocês, obviamente, estão chegando nessa fase e acredito que o sonho seja conquistar o título. Mas como você vê todos os times que estão no mata-mata, as chances da equipe neste ano de conquistar o título?
Fernando Oliveira: Normalmente, há um discurso nesse tipo de torneio de falar que agora é uma nova competição. Não acredito muito nisso, porque não posso menosprezar ou desvalorizar tudo aquilo que as equipes fizeram em 19 rodadas. Por mais que exista um novo formato, acredito piamente que aquilo que você conseguiu fazer de positivo na primeira fase te dá como potencial de força. Aquilo que você oscilou, você precisa levar para essa próxima etapa como potencial de minimizar essa oscilação.
No ano passado, a gente chegou nessa fase com uma derrota. Agora, a gente chega com mais derrotas. Precisamos entender o que foi que nos deu a condição nesse ano de não conseguir em muitos momentos encontrar o resultado desejado. Esse sentimento também que vai nos permitir não apresentar tanta vulnerabilidade em momentos decisivos.
Como treinador da categoria sub-20, não posso me cegar e vender para os atletas que agora é uma nova competição. A gente pode cair numa cilada de repetir erros que a gente cometeu na primeira fase. Esses erros, numa fase de mata-mata, podem custar mais caro do que foi nas 19 rodadas. A gente chega forte, como a gente chegou no ano passado, mas por caminhos diferentes. Acho que a nossa sabedoria está em entender quais foram esses caminhos que nos deram a condição de chegar nesse momento. Desta forma, minimizar os erros que cometemos na primeira fase e potencializar aquilo que nos deu a condição de classificar.
Fernando Oliveira quer Bragantino pensando jogo a jogo no Brasileiro Sub-20
ge – Dá para sentir que vocês estão bem focados, pensando nesse momento agora nessas quartas. Falei de brigar por títulos, mas você está pensando primeiramente na classificação…
Fernando Oliveira: Esse ponto que você traz, eu estou tendo a oportunidade de disputar meu oitavo Brasileiro como treinador. Nos dois últimos, em 2024 e 2025, tive a oportunidade e o privilégio de jogar duas finais por clubes diferentes. Se você me perguntar se em algum momento dessa trajetória, se eu vislumbrei a final a qualquer custo, a resposta é não. Esse não é o papel meu, por mais que a gente tenha o desejo de querer ganhar. Mas o nosso papel está em aproveitar cada passo que essa caminhada permite, enquanto treinador e jogador, viver de forma profunda. Quando você bota o olhar em algo que ainda não é real e não está tão palpável, você perde a oportunidade de apresentar práticas mais profundas para desenvolver jogador e você mesmo.
É claro que a gente pensa em jogar os grandes jogos e as finais. Mas o nosso papel também está em trazer o equilíbrio para os atletas e a gente viver jogo a jogo, viver momento a momento, e aproveitar as oportunidades que a competição e a vida vão nos oferecendo.
ge – Você falou da sua trajetória, chegando às finais do Campeonato Brasileiro Sub-20. Falando sobre seu desempenho no Bragantino, você tem mais de 70% de aproveitamento, 50 vitórias… Qual que avaliação que você faz do seu momento?
Fernando Oliveira: Sem dúvida, é uma avaliação positiva nesse sentido. Mas, como eu falei com os atletas, engraçado que só fico sabendo disso quando alguém aqui da assessoria, alguém que tá mais em contato com os números, me fala. Acho importante porque isso também fortalece o trabalho como todo do clube. É claro que eu, na figura como treinador, tenho uma representatividade nesse sentido. Mas não consigo fazer nada disso sozinho e em um clube que talvez não fosse fértil para fazer. Os resultados que culminam na categoria sub-20 é manifestação de tudo que acontece dentro do clube. É claro que eu tenho uma responsabilidade nesse sentido, mas não me sinto super herói nem mais capacitado para fazer isso sozinho. Fico feliz e contente de conseguir representar da melhor forma possível um clube sério, um clube que tem identidade, um clube que investe em formação de pessoas. Mas nunca foi o foco pensar nos números.
Como eu falo com os atletas: eu já trabalhei com jogadores de base que tinham números expressivos em diferentes frentes e esses números não permitiram aos atletas darem os próximos passos. Também já vi atletas que não foram os mais vencedores na base e puderam viver do futebol do mais alto nível. A gente tem que ter muita clareza quais são os números que fazem sentido. A gente vai buscar sempre ter números expressivos e positivos, mas o sentimento está sempre focado e voltado para aquilo que realmente a gente consegue controlar. Quando você está em um clube sério e que você tem práticas positivas e saudáveis, o resultado vai aparecer por uma via ou por outra.
Técnico do Bragantino sub-20, Fernando Oliveira comenta relação entre base e profissional
ge – Como é que está seu trabalho com o Mancini, de transição de uma categoria para o profissional?
Fernando Oliveira: Em relação à aproximação da gente, enquanto departamento de base e profissional, ela é bem concreta, bem real. Além da aproximação física do nosso CT, de estar treinando no mesmo espaço, o Red Bull Bragantino tem como sua filosofia a promoção de jogadores jovens. Já tem um tempo que temos a menor a média de idade do Campeonato Brasileiro. Isso traz uma responsabilidade para mim, enquanto treinador da categoria sub-20. Seria um erro da minha parte não estar desenvolvendo jogadores na categoria sub-20 que possam dar os próximos passos a médio e curto prazo. É um clube que precisa de jogadores nessa perspectiva, porque na sua filosofia e essência isso é muito forte.
Minha responsabilidade nesse processo é, além de oferecer jogador profissional, oferecer jogadores que apresentem desempenho que o profissional exija. Já estive em outros clubes que, às vezes, você até oferece número alto de jogadores, mas esse número alto não justifica o desempenho que o profissional precisa. Como a gente está em um clube onde isso é um caminho muito fluido e muito claro, isso traz uma responsabilidade e uma aproximação minha para com todo o processo.
Sempre que possível, a gente está dialogando sobre, discutindo o momento do jogador, a etapa que o jogador está passando, qual o melhor momento para o jogador jogar na base… Essa conversa é diária, acontece de forma sistematizada ou não. Me sinto privilegiado de ter um caminho pavimentado enquanto instituição que está para além das figuras dos treinadores.
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