Di Stéfano: por que craque que une Argentina e Espanha nunca jogou Copa do Mundo?
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Di Stéfano, um dos principais nomes do futebol mundial, é o elo maior entre as seleções de Espanha e Argentina, que decidem a final da Copa do Mundo de 2026. Nascido em Buenos Aires e uma bandeira do Real Madrid, o craque jogou partidas oficiais pelas duas equipes nacionais dos países, e a única grande lacuna da carreira é justamente o que estará em disputa no domingo, em Nova Jersey.
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Real Madrid
Não, não se trata de jogar uma final da competição, privilégio para poucos. Seria simplesmente entrar em campo numa partida de Copa do Mundo, e isso — com perdão aos mortais e pela redundância – parecia tarefa simples para um ídolo que cansou de figurar em listas de top-10 de melhores jogadores do mundo. Sejam elas oficiais ou extraoficiais. Em um levantamento divulgado pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), por exemplo, foi eleito o quarto maior jogador do mundo dentro do século 20.
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Três seleções e percalços dos mais diferentes
Nascido em Buenos Aires no dia 4 de julho de 1926, Di Stefano explodiu no River Plate em 1947 após ter sido emprestado ao Huracán por uma temporada. Liderou o time ao título argentino e foi artilheiro da competição, com 27 gols. Logo foi apelidado como “A Flecha Loira” e estreou na seleção argentina ainda em 47.
Jogou seis vezes pela Argentina, todas pelo Sul-Americano de seleções em 1947, e marcou seis gols.
O problema é que em 1949 os jogadores argentinos fizeram uma greve geral cobrando salário mínimo, extinção do passe e assistência médica para familiares. Ele, aliás, era um dos cabeças desses movimentos políticos. Como não tiveram seus pedidos atendidos, muitos argentinos começaram a deixar o país, e Di Stefano foi para o Millonarios, da Colômbia. Além disso, naturalizou-se colombiano.
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O futebol colombiano vivia momento de grande investimento, mas existia um problema. A federação local queria manter o amadorismo, enquanto os dirigentes dos principais clubes queriam implementar o profissionalismo. Atraíam estrelas como Di Stéfano com salários exorbitantes, mas burlavam regulamentos.
Com o impasse, vários clubes se desfiliaram da federação para organizar um campeonato nacional à parte. A formação da “liga pirata” trouxe empecilhos à participação da seleção colombiana em competições internacionais, em especial as eliminatórias da Copa do Mundo. Em contrapartida, não havia problema para atletas trocarem de seleções à época.
Di Stéfano fez 67 gols em 75 jogos pelo River Plate
Reprodução/El Gráfico
Fora da Copa de 1950 como argentino ou colombiano
A Argentina recusou-se a participar das eliminatórias da Copa de 1950 porque Jules Rimet, então presidente da Fifa, prometera que o país sediaria o Mundial de 42, cancelado por causa da Segunda Guerra Mundial. Não houve disputa também em 46 pelo mesmo motivo, mas a Copa de 50 não foi disputada em solo argentino, mas sim no Brasil.
Presidente da Argentina à época, Juan Domingo Perón proibiu o país de disputar as eliminatórias da Copa de 1950 não somente pela quebra da promessa de Rimet, mas também porque entendia que a seleção local, com craques como Di Stefano e outros jogando no exterior, não teria condições de ser campeã. O veto se estendeu ao Mundial de 1954.
Já a Colômbia não pôde disputar as duas eliminatórias que antecederam as Copas de 1950 e 1954 devido ao problemas da federação local com os clubes e a realização da liga pirata. Ou seja, mesmo com seis partidas oficiais pela Argentina e três amistosos vestindo a camisa amarela da Colômbia, Di Stéfano ficou dos dois Mundiais em questão.
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A primeira frustração com a Espanha
Depois de problemas burocráticos o impedirem de jogar duas Copas do Mundo, Di Stefano deixou o Millonarios em 1953, aos 27 anos, como ídolo, com 267 gols em 292 partidas. O destino seguinte seria o Real Madrid, onde se converteria em uma das maiores lendas do mundo.
Foi campeão cinco vezes da Champions League e em oito do Campeonato Espanhol na condição de protagonista, com 308 gols em 396 jogos. Mesmo com tudo que Cristiano Ronaldo conquistou, o site do Real Madrid se refere a ele em diferentes textos como o maior jogador de todos os tempos do clube.
Di Stefano naturalizou-se espanhol somente em 1957, já aos 30 anos. A chance de disputar a Copa do Mundo, enfim, era cristalina, e não existiam empecilhos no extracampo. A Espanha era muito favorita para avançar em disputa que tinha com a Escócia e a Suíça nas eliminatórias.
Di Stéfano, no centro dentre os agachados, em amistoso entre Espanha e Inglaterra, em 1960
Barratts/PA Images via Getty Images
Começaram mal no grupo, com um empate por 2 a 2 com os suíços e derrota por 4 a 2 para os escoceses. Goleou os rivais por 4 a 1 no dois jogos seguintes, mas os resultados foram insuficientes, e a Escócia classificou-se para a Copa de 1958, vencida pelo Brasil.
Passinho de Nilton Santos e Brasil dão fim ao sonho
Para a Copa de 62, a Espanha teve dificuldades novamente nas eliminatórias. Depois de passar pelo País de Gales, jogou repescagem com Marrocos e classificou-se após vitórias por 1 a 0 e 3 a 2. Nos quatro jogos, Di Stefano, mesmo aos 35 anos, marcou três gols e foi importantíssimo outra vez.
Di Stéfano, mesmo veterano, estava prestes a realizar o sonho de uma Copa do Mundo, mas sofreu uma lesão 17 dias antes do início da competição. A federação espanhola cogitou cortá-lo, porém resolveu levá-lo para o Chile contando com a participação dele na segunda fase. Faltou combinar com o Brasil.
Na última rodada do Grupo 3, Brasil e Espanha se enfrentavam em partida decisiva. Aos brasileiros bastava um empate, enquanto os espanhóis tinham de vencer para avançarem.
A Espanha fez 1 a 0 e sofreu um pênalti claro no início da etapa final, mas um lance de malandragem de Nilton Santos, que derrubou Enrique Collar dentro da área, ludibriou o árbitro. Depois de cometer a falta, a Enciclopédia do Futebol deu um passo para fora da área, e o juiz deixou de assinalar a penalidade.
Na sequência do jogo, Amarildo marcou duas vezes, o futuro bicampeão Brasil venceu por 2 a 1, e Di Stéfano voltou para a Europa sem cumprir o sonho de jogar a Copa do Mundo. Como diria o “poeta”, “azar da Copa do Mundo”. geRead More


