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Dia D: sócios do Avaí definem a venda da SAF e o futuro do clube

Dia D: sócios do Avaí definem a venda da SAF e o futuro do clube

O Dia D para o futuro do Avaí é nesta terça-feira. A partir das 19h, os sócios avaianos votam a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. O “sim” dá o aval para a empresa Kactus Capital comprar 90% do Leão da Ilha. O “não” cancela a negociação.
A construção desse momento histórico no clube começou antes da existência da Lei da SAF, quando o Avaí já debatia o tema.
— Essa discussão tem sido travada, na verdade, desde antes da existência desse modelo de constituição jurídica do futebol no Brasil. A gente criou travas estatutárias para proteger o clube, quando não se sabia o que era. Foram anos de discussões com seminários, palestras, pareceres de comissões financeiras, comissões específicas sobre SAF. Levamos o máximo de informação possível para o torcedor — disse Bernardo Pessi, presidente do Avaí, em entrevista ao ge.
— Fizemos tudo isso para que haja um máximo de transparência, para demonstrar que a gente está fazendo as coisas com calma, com bastante debate e discussão. Não tem letrinha pequena, muito pelo contrário, as informações estão sendo discutidas há muito tempo para que o sócio tome a decisão mais correta para o futuro do Avaí — acrescentou.
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Torcida em Avaí x Náutico
Fabiano Rateke/AFC
Em dezembro de 2025, começaram as movimentações de criação do novo CNPJ do Avaí, para abrir a possibilidade de vender a SAF do clube.
Na época, o Avaí tinha uma intenção de proposta da empresa Sunday Ventures, que, apesar da criação do CNPJ, não foi para frente.
No fim de junho, a Kactus Capital, que já tinha operações com o Avaí, de adiantamento financeiro de verbas da televisão, formalizou a proposta de R$ 400 milhões por 90% do clube, que está em votação nesta terça-feira.
— Infelizmente, a gente não conseguiu seguir com aquele parceiro [Sunday Ventures]. Coincidentemente, conseguimos avançar com a Kactus Capital, que já era um parceiro de mais tempo. Temos operações com a Kactus rodando de outros tempos e isso permitiu com que a gente tivesse um nível de confiança alto nessa proposta. Com bastante objetividade conseguimos uma proposta que atende as necessidades do clube e que dá nível de garantia suficiente para que a gente consiga apresentar ao torcedor — explica Pessi.
Presidente Bernardo Pessi em coletiva do Avaí
Leandro Boeira/Avaí F.C.
Antes do Avaí, porém, a Kactus esteve muito próxima de comprar a SAF do Figueirense, maior rival do Leão da Ilha.
Foram 20 dias entre a preferência do Alvinegro pela proposta do concorrente e a oferta oficial da Kactus ao Avaí.
— Fechada a transação lá [no Figueirense], voltamos para o mercado e começamos a buscar o que é interessante para a gente. A economia de Florianópolis, é muito importante para nós como fundo de investimento internacional. É uma cidade que tem uma atratividade econômica para quem mora fora do país. A nossa tese já estava aprovada dentro dos nossos investidores então foi tudo mais fácil — explica Rafael Matheus, sócio e co-fundados da Kactus Capital, em entrevista ao ge.
— A oferta que nós fizemos para o Avaí foi maior, porque ele é um clube de Série B. O endividamento tá mais controlado porque já existe uma recuperação judicial, um passivo tributário melhor negociado e uma dívida extraconcursal — acrescentou.
Rafael Matheus e Darius Alamouti, sócios proprietários da Kactus Capital
Reprodução/Redes Sociais
O Avaí, equanto clube associativo, é democrático. As decisões precisam ser aprovadas por votação do Conselho Deliberativo e dos sócios para serem homologadas. Como é o caso da votação desta terça-feira.
O Conselho Deliberativo já aprovou a venda da SAF à Kactus Capital. Agora, é a vez dos sócios.
A votação dos sócios avaianos é nesta terça-feira, a partir das 19h (de Brasília), de forma presencial na Ressacada. Não há quórum mínimo de sócios para iniciar a deliberação, e o resultado é por maioria simples.
Podem participar da votação todos os sócios adimplentes, acima de 16 anos, que tenham pelo menos um ano de associação ininterrupta.
Em entrevista ao ge, Gisele Zunino, conselheira do Avaí, reclama da forma como o contrato foi apresentado aos sócios, para lerem antes da votação.
O contrato da venda da SAF do clube foi disponibilizado somente presencialmente na Ressacada, em horário comercial, e mediante a assinatura de um termo de confidencialidade para ter acesso.
— Eu não sou contra a SAF, mas não concordo com a maneira como ela vem sendo conduzida. Esse é um contrato que deveria ser público, aberto, inclusive, para a imprensa. É um assunto muito sério, que vai mudar o caminho do clube. É uma decisão muito importante para ser tomada num período tão curto. Os conselheiros tiveram seis dias úteis, em horário comercial, para ler o contrato, os sócios tiveram nove dias.
— Foi falado muito sobre SAF, sim, só que tem uma diferença entre falar sobre a SAF e falar sobre o contrato específico da SAF para o Avaí. É nesse aspecto que eu falo que, para mim, tá sendo muito rápido e que as pessoas não conseguem analisar. Se eu pudesse convidar as pessoas para votar, pediria que antes elas lessem o documento, independentemente do voto delas.
Gisele também defende que a data e a forma da votação deveria ser diferente, para ter um quórum maior de torcedores presentes.
De acordo com a conselheira, ela pediu o Bernardo Pessi que fosse em um domingo, com duração do dia todo, como são realizadas as votações para eleger o presidente do Avaí.
— A data é muito ruim, tem muita gente que não consegue chegar pra pra votar. A maioria das pessoas que eu converso que são a favor da SAF, falam que são por medo, que não veem outra solução. Talvez, [as pessoas não vão votar] por não querer se responsabilizar da decisão. As pessoas têm que entender que não votando, elas também estão escolhendo. Então, não adianta ficar em casa, não votar e, depois, independentemente do que aconteça reclamar do resultado — completou.
Avaí
Vivi Marques/Avaí F.C.
A proposta da Kactus Capital ao Avaí
A empresa Kactus Capital oferece R$ 400 milhões por 90% da SAF do Avaí. No contrato, a Kactus se compromete a arcar com todas as dívidas do Avaí, que já somam mais de R$ 290 milhões.
— Pra gente que é acostumado a trabalhar com ativos estressados isso é uma oportunidade. Acho que a gente consegue fazer uma negociação melhor para dívida. A gente tá assumindo toda a dívida, seja ela R$ 300 ou 600 milhões. Já iniciamos a due diligence para poder entender sobre a nossa ótica qual é realmente o endividamento do clube. Mas não, não é algo que nos assusta — disse Rafael Matheus
Além do pagamento das dívidas, o investimento da Kactus será dividido em:
R$ 75 milhões no projeto desportivo do Avaí (R$ 25 milhões nos três primeiros anos de SAF);
R$ 20 milhões para investimento na categoria de base em dez anos;
R$ 5 milhões para infraestrutura do clube em cinco anos;
Assumir os custos da operação e manutenção do clube no dia a dia.
— Os R$ 25 milhões são aporte, é dinheiro novo. O clube tem receita, ela tá muito abaixo do que a gente espera para um clube do tamanho do Avaí. Então, muito do que a gente vai empregar é gestão, trazer expertise, governança sobre os números para que a gente possa, primeiramente, aumentar essa receita e, no paralelo, nosso aporte para que consiga levar o Avaí de volta para Série A, que aí sim é quando o negócio do futebol começa a ficar muito mais sustentável — falou Rafael.
— Uma das principais linhas de receita pra gente é a torcida do Avaí, que é muito apaixonada, independente de estar na Série A, B ou C. Isso é algo que nos motiva. Nós não temos pretensão nenhuma de deixar o Avaí caso seja rebaixado — acrescentou.
CFA e Ressacada – Avaí
Leandro Boeira / Avaí F.C.
Além disso, a Kactus promete uma folha mínima para os jogadores, de acordo com a série que o Avaí estiver disputando. Pra Série B, R$ 2,5 milhões mais impostos. Na Série A, no mínimo, R$ 7 milhões mais impostos.
Antes da votação definitiva da venda da SAF, a Kactus realizou um empréstimo de R$ 2,5 milhões ao Avaí.
— No primeiro momento, a gente tá preocupado com a permanência do Avaí na Série B. Nossos esforços estão muito voltados nesse sentido, por isso houve uma antecipação de crédito de caráter emergencial para que pudesse melhorar a situação de atleta, de comissão, de todo mundo — contou Rafael.
De acordo com o presidente Bernardo Pessi, no contrato, o Avaí tem garantias, como:
1/3 garantido das cadeiras do conselho de administração do clube;
Garantia de veto em decisões capitais, como alterações no nome do clube, cores, hino, estádio e cidade;
Poder de veto para qualquer outra negociação que a Kactus queira fazer com outros investidores, entrada, saída e substituição de qualquer relação negocial;
Garantia integral do patrimônio do Avaí (Ressacada e centro de treinamento).
— Foi um pedido nosso ter pelo menos 10% das cotas da SAF para torcedores do Avaí. A gente quer todo mundo dentro desse projeto, que as pessoas que torcem pelo clube façam parte desse processo dessa nova jornada — completou Rafael.
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