Empregados são resgatados de alojamento precário no Ceará: ‘Só comia quem fosse trabalhar’
Trabalhadores do Maranhão são resgatados em alojamento precário na Grande Fortaleza
Quinze trabalhadores do setor da construção civil foram resgatados nesta terça-feira (21) em condições precárias no município de Maranguape, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A denúncia foi feita por uma das vítimas ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF), que realizou o resgate.
Siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp
De acordo com Nestor Bezerra, presidente do sindicato, os trabalhadores são do estado do Maranhão e mudaram para o Ceará após uma proposta de emprego que garantia salário e casa para morar. No entanto, eles estavam sem receber o pagamento há cerca de 20 dias e viviam sem água encanada, alimentação adequada e em situação “degradante’.
Trabalhadores não tinham água encanada e dependiam de depósito com água suja.
Divulgação/STICCRMF
LEIA TAMBÉM:
Ceará tem 3 cidades entre as 10 mais violentas do Brasil em 2025
Pelo 2º ano, Maranguape (CE) é a cidade mais violenta do Brasil
“Quando a gente chegou, nos deparamos com os trabalhadores em uma situação bem degradante mesmo. Era uma casa sem nada, nem água nem fogão. Só as redes deles e as mochilas no chão. Nove desses 15 estavam desesperados porque tinham sido ameaçados [pelo encarregado das obras]. Diziam que iam botar facção para matar eles. Estavam desesperados”, relatou Nestor ao g1.
Os homens tinham, em média, 30 anos de idade. Eles trabalhavam em um empreendimento em Maranguape. De acordo com o sindicato responsável pelo resgate, a empresa havia contratado um empreiteiro para cuidar dessa obra. Este seria o homem responsável por deixar as vítimas em situação vulnerável.
Casa onde trabalhadores viviam era suja e sem móveis.
Divulgação/STICCRMF
Após o resgate, o grupo foi levado até uma delegacia da cidade para registrar um boletim de ocorrência (BO). Em nota, a Polícia Civil disse que apura as circunstâncias do caso. “O caso foi registrado por meio de um Boletim de Ocorrência (BO), protocolado na terça-feira (21), pela Delegacia de Polícia Civil de Maranguape”.
“Conversamos com o delegado, que deu todo o suporte para a gente e mandou uma viatura buscar as coisas deles porque estavam com medo de ir na casa”. Segundo Nestor, os trabalhadores agora estão em local seguro e aguardam retorno para o Maranhão.
‘Só comia quem fosse trabalhar’
Cozinha não era equipada e eles não podiam preparar alimentação.
Divulgação/STICCRMF
Segundo Nestor Bezerra relatou, a residência onde os trabalhadores estavam ficava próximo do local de trabalho. Era uma casa precária, sem água potável, móveis ou alimentação básica. Eles chegavam a passar dias inteiros com fome e dormiam em redes espalhadas pelo local.
Os trabalhadores mantinham contato com a família através de telefones compartilhados entre eles. No entanto, sem acesso à Internet wi-fi e redes móveis, as ligações e mensagens foram ficando mais escassas.
“Quando a empresa traz o trabalhador, é para dar todas as condições: café da manhã, água potável, água para tomar banho. Na casa não existia bebedouro, geladeira, nem água encanada. Eles estavam à mercê da própria sorte.”
Segundo o presidente da STICCRMF, as refeições eram fornecidas pelo empreiteiro da obra, mas o homem dizia que “só comeria quem fosse trabalhar”. “Passaram a última terça-feira sem comer”, exemplificou Nestor.
“A gente chamou a empresa, que disse que ia pagar as rescisões deles e o translado para irem para casa. De hoje até amanhã, vão estar efetuando os pagamentos deles. Eles vieram no intuito de ganhar o dinheiro deles e mandar pra família, mas se depararam com essa situação. Um deles me relatou que chegou aqui pesando 110 quilos, mas agora está com 87kg”.
Trabalhadores não tinham móveis no alojamento, dormiam em redes e guardavam suas roupas em malas e varal improvisado.
Divulgação/STICCRMF
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: g1 Read More


