Entenda a tática da bicampeã Espanha que reduziu a Argentina a dois chutes em 120 minutos
Espanha 1 x 0 Argentina | Melhores momentos | Final | Copa do Mundo 2026
A Espanha é bicampeã mundial após vencer a Argentina por 1 a 0, na prorrogação, com gol de Ferran Torres aos 105 minutos.
A vitória veio ao melhor estilo espanhol: com posse de bola, muita pressão na marcação e controle. Muito controle. Poucas vezes na história vimos o outro lado ser tão dominado a ponto de ser ncolhido no próprio campo e terminar o jogo com apenas duas finalizações em 120 minutos.
Entenda por que craque da Espanha dedicou título a Neymar
Uma odisseia real: mãe de Nico cruzou grávida e a pé o deserto do Saara
“Comece a falar menos, idiota”: entenda bronca de Otamendi em Rodri
Os números do relatório oficial da FIFA mostram o tamanho do controle. A Espanha teve 60,2% de posse, completou 789 passes e finalizou 20 vezes, 12 no alvo. A Argentina teve duas finalizações, ambas na prorrogação, e nenhuma exigiu defesa de Unai Simón. Lionel Messi, um dos maiores da história, teve apenas 35 toques na bola finalizou uma vez, aos 116 minutos, com o chute bloqueado.
Espanha é campeã mundial
Reuters
Tanto domínio assim veio de um estilo de jogo aplicado fielmente. Essa final entra para a história como um time que se fez valor na força do coletivo e da tática para anular um individual muito melhor do outro lado. Vamos aos detalhes:
Levanta a taça! Por vários ângulos, o momento de comemoração da Espanha
Como a Espanha anulou Messi?
Nada de marcação individual como a famosa vez que Zico foi anulado por Gentile na Copa de 1982. Nada de marcação dobrada. A Espanha fez algo simples para fazer Lionel Messi parecer mais um em campo: cortou a fonte de ligação dele: os passes vindo do meio.
A marcação era coletiva e começava pelos atacantes. Oyarzabal corria em curva para fechar o ângulo direito de Dibu Martínez. Com isso, a Argentina não saía pelo lado onde Messi costuma esperar a bola. O próximo passo era fechar o meio e deixar apenas o zagueiro pela esquerda livre. Na imagem, Olmo avançava sobre o volante mais próximo. Baena, Lamine Yamal e Rodri controlavam as opções seguintes.
Espanha direcionava saída para o lado esquerdo e fechava o meio
Rperodução
A Espanha levava a bola argentina para o setor escolhido e acelerava a pressão. Quando o passe chegava ao lado, dois ou três jogadores se aproximavam. A Argentina recebia cercada e com poucas saídas. Sem pontas tradicionais no 4-4-2/4-3-1-2 montado por Scolani, sobrava a Nico González ou aos laterais a tarefa de conduzir a bola. Sem efeito, já que a Espanha era tão rápida a ponto de ter superioridade numérica em todos os setores do campo.
Espanha direcionou Argentina a jogar pelos lados, onde não tinha pontas tradicionais
Reprodução
A pressão funcionava porque a defesa subia junto e o meio alternava muito rapidamente entre sufocar lá na frente ou proteger a defesa. Dois dados mostram como a Espanha foi melhor sem a bola
Após perder a bola, a Espanha precisava de 10,23 segundos, em média, para recuperá-la. A Argentina levava 22,34 segundos.
Os espanhóis venceram 95 segundas bolas (as rebatidas), contra 69 da Argentina
Outro dado ainda mais espantoso é sobre o bloco alto: a última linha espanhola ficou, em média, a 50 metros do próprio gol. O time ocupava 36 metros de comprimento, com os setores próximos. Com isso, a Espanha empurrou a Argentina para ficar no seu próprio campo e se distanciar cada vez de Messi, que não volta nunca para buscar a bola.
Com a linha alta, o meio e o ataque pressionava sem medo, pois havia cobertura imediata. O lado direito sempre ganhava mais atenção. Na esquerda, o zagueiro saía, carregava e não conseguia fazer nada. Veja na imagem:
Espanha sufocou a saída da Argentina e teve mais a bola
Reprodução
Messi fez 21 movimentos para receber e foi encontrado nove vezes. Tentou 13 quebras de linha, completou cinco e terminou com uma finalização bloqueada. Sua participação ocorreu longe da área e quase sempre sob pressão.
+ Após defender seleções rivais, Iñaki celebra Nico: “Você fez milhões de imigrantes sentirem orgulho”
+ Veja quanto os jogadores da Espanha vão receber pelo título da Copa do Mundo
+ Do pequeno povoado à multa bilionária no Barcelona: a ascensão de Cubarsí até o título da Copa
+ A Copa de Lamine Yamal: joia se consolida em Espanha campeã e prevê “melhor versão” para futuro
Um carrossel de sincronia com a posse de bola
Com tanta pressão, a Espanha conseguiua recuperar e fazer o seu carrossel com a posse de bola criar chances e mais chances. Na final, Rodri atuou mais perto dos zagueiros, com Fabián Ruiz um pouco mais recuado e Dani Olmo ocupando o espaço às costas dos volantes argentinos.
A movimentação criava uma opção livre a cada avanço da marcação. Aqui um exemplo: os laterais abertos e a bola com Rodri. Olmo, o meia-volante do 4-2-3-1 espanhol, teve partida inesquecível: ele parecia estar em todos os cantos, sempre buscando o espaço livre. É o que os espanhóis chamam de “homem livre”.
Rodri mais próximo da zaga e Olmo com mais movimentação
Reprodução
Tudo isso de forma extramente rápida. Rodri poderia avançar, desde que Ruiz ocupasse seu lugar. Se Olmo avançava, Oyarzabal recuava. Veja que o sistema não é rígido: é extremamente mutável, como um carrossel: cada peça ocupa o lugar de outra de forma automática.
Vamos explicar com um dos melhores lances do primeiro tempo:
Rodri decide avançar. Sua posição não é estática.
Fabián Ruiz avança com Rodri e atrai a marcação de um volante da Argentina
Com Lamine aberto, Pedro Porro ataca por dentro e atrai outro volante da Argentina
Com Cucurella aberto, Baena decide jogar por dentro com Olmo
RESULTADO: A Argentina precisa marcar o lado e abre uma CRATERA para Oyarzabal receber e quase fazer o gol
Lance de destaque foi criado com diversas movimentações
Reprodução
A Espanha realizou 605 movimentos para receber passes, quase o dobro dos 312 da Argentina. Foram 333 ofertas no terço final, contra 78. Olmo liderou os movimentos entre as linhas, com 31, enquanto Fabián foi quem mais apareceu à frente da bola para sustentar a construção.
A circulação tinha direção. A Espanha completou 182 quebras de linha, contra 87 da Argentina. Cubarsí acertou 32 de 33, Porro completou 28 e Rodri, 27. A equipe recebeu 251 vezes no terço final, que nada mais é do que o ataque. A Argentina, 52.
Isso significa que a Espanha criou um volume de jogo cinco vezes maior do que a Argentina de Lionel Messi. Não é pouco.
Na prorrogação, Pedri deu mais velocidade por dentro, Nico Williams atacou o lado esquerdo e Ferran Torres aumentou a presença na área. O gol reuniu três jogadores que começaram no banco e manteve o roteiro coletivo da atuação.
Mas não faz sentido falar dos nomes. O bicampeonato nasceu da ocupação dos espaços e da coordenação entre os jogadores. Cada movimento atraía um marcador, abria uma linha de passe ou preparava a recuperação seguinte. A Espanha controlou a final por conta do time, não do nome.
Uma vitória incontestável do futebol coletivo.
Mais Lidas geRead More


