Flamengo-PI apresenta plano para quitar dívidas na Justiça e poderá voltar a inscrever atletas
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O Flamengo-PI apresentou ao Tribunal Regional do Trabalho, 22ª região (TRT-22), um plano para iniciar o processo de quitação dos seus débitos trabalhistas. A Justiça deferiu o pedido de centralização das execuções.
Com isso, o clube vai voltar a poder a inscrever, registrar e contratar atletas profissionais e amadores, além de revogar eventuais decisões judiciais anteriores que impediam a participação do ECF em competições organizadas ou chanceladas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Federação de Futebol do Piauí (FFP).
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Escudo Flamengo-PI
Divulgação/E.C. Flamengo
Entenda a movimentação do Flamengo-PI na Justiça
O Flamengo-PI apresentou uma petição ao TRT-22 e argumentou que a existência de diversas execuções em varas distintas dificultava a administração das dívidas, provocava bloqueios simultâneos de receitas e comprometia a continuidade das atividades esportivas.
Como solução, o clube solicitou a unificação dos processos, a suspensão de medidas isoladas e a criação de um plano organizado para quitação dos débitos.
Entre as propostas apresentadas pelo Rubro-Negro está a destinação de 50% de todas as receitas futuras para o pagamento dos credores trabalhistas.
O Flamengo-PI também informou que pretendia utilizar a cota de incentivo financeiro do Governo do Estado, por meio da Secretaria dos Esportes (Secepi), como aporte inicial ao plano de pagamento.
Confira abaixo as solicitações do Flamengo-PI ao NUAPE (Núcleo de Apoio à Execução) do TRT da 22ª Região:
Centralize todas as execuções trabalhistas existentes contra o clube;
Determine a remessa dos processos em fase de execução ao núcleo;
Suspenda medidas executivas isoladas enquanto durar a centralização;
Estabeleça um controle único dos atos de constrição patrimonial;
Autorize a continuidade das atividades esportivas, inclusive a inscrição de atletas em competições;
Retenha 50% dos valores provenientes de cotas e repasses institucionais para formação de um fluxo organizado de pagamento dos credores;
Autorize um plano unificado de pagamento, supervisionado pelo NUAPE, utilizando parte das receitas do clube para quitar progressivamente as execuções;
Determine que futuras ações trabalhistas, após o trânsito em julgado, sejam incorporadas à execução centralizada;
Adote todas as medidas necessárias para garantir uma execução organizada, isonômica e eficiente.
A petição busca convencer o TRT de que a centralização das execuções trabalhistas no NUAPE permitirá organizar os pagamentos aos credores sem inviabilizar as atividades do Flamengo-PI, preservando sua continuidade esportiva.
Flamengo-PI participou do Piauiense Série B 2025
Weslley Douglas
Decisão da Justiça por meio do NUAPE
Ao analisar o pedido do Flamengo-PI, o NUAPE deferiu a centralização das execuções e determinou que a CBF retenha e repasse 50% de todos os valores destinados ao ECF para uma conta judicial vinculada ao processo piloto.
A determinação alcança receitas como cotas de participação, direitos de transmissão, premiações, ajudas de custo, incentivos financeiros e demais repasses destinados ao clube.
Além disso, a CBF deverá informar à Justiça, no prazo de 15 dias, a existência de valores disponíveis ou previstos para pagamento ao Flamengo-PI, detalhando a origem, o montante e a data prevista para liberação.
A decisão busca conciliar a continuidade das atividades esportivas com o pagamento das dívidas trabalhistas, concentrando os processos em um único núcleo e estabelecendo um fluxo permanente de arrecadação para satisfação dos credores.
Essa ação do Flamengo-PI pode ser considerada o primeiro passo do planejamento do clube para a participação no Campeonato Piauiense Série B 2026. O ECF não estava apto a participar do estadual sub-15, sub-17 e sub-20 por conta desse empecilho na Justiça trabalhista.
Histórico do Flamengo-PI nas quatro linhas
Após rebaixamento, atletas do Flamengo-PI fazem desabafo coletivo sobre situação do clube
O rebaixamento do Flamengo-PI no Campeonato Piauiense é um dos capítulos mais marcantes — e negativos — da história recente do clube. A queda ocorreu em 2022, quando o Rubro-Negro teve a pior campanha de sua trajetória no estadual.
Naquela edição, o Flamengo-PI terminou na última colocação, com uma campanha extremamente ruim: somou apenas um ponto em 14 jogos, com um empate e 13 derrotas, sem conquistar nenhuma vitória.
Essa sequência colocou o time na Série B do Campeonato Piauiense e marcou o início de um período de crise dentro e fora de campo, com diversos imbróglios envolvendo a parte política do clube.
Time do Flamengo-PI, Série B do Piauiense 2023
Sávio Ryan/Flamengo-PI
Desde então, o Flamengo-PI passou a disputar consecutivamente a Segunda Divisão estadual a partir de 2023, tentando retornar à elite do futebol piauiense.
2023: o clube voltou às competições após o rebaixamento e teve desempenho modesto, com uma vitória, dois empates e três derrotas.
2024: a situação se agravou, com o Flamengo-PI sem vencer, acumulando dois empates e seis derrotas.
2025: o time seguiu na Série B buscando reação. Mesmo com dificuldades, conseguiu encerrar um longo jejum de vitórias durante a competição, tentando se manter competitivo na luta pelo acesso.
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Cenário político do Flamengo-PI
E desde a queda em 2022, o clube também passou por crises políticas e intervenções judiciais. Na oportunidade, o então presidente, Rubens Gomes, deixou o cargo e o clube passou a ser administrado por interventores: Jorge Cury foi o primeiro.
Após a administração provisória de Jorge Cury, o clube passou por novas eleições, e em 2023, André Russo foi eleito como presidente do Flamengo-PI. Contudo, em março do ano passado, a Justiça afastou Russo da gestão do ECF, por conta de possíveis irregularidades no último pleito.
Na sequência, a Justiça nomeou Carlos Alberto Paz como o interventor do clube. E após três meses de intervenção judicial, Luciano Benigno se candidatou à presidência e foi eleito junto com o seu vice, Benilton Lavor.
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