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França faz de Marrocos um ‘time qualquer’ e é a grande favorita ao título

França faz de Marrocos um ‘time qualquer’ e é a grande favorita ao título

A seleção marroquina é uma ótima equipe. Há consenso sobre isso desde a última Copa do Mundo. A partir de tal convicção, o domínio massacrante que a França teve sobre os Leões do Atlas na tarde desta quinta-feira, nas quartas de final do Mundial, é assustador. E levanta a seguinte dúvida: como parar o time francês? Uma equipe sem pontos fracos tão visíveis nesta Copa.
Os franceses têm conseguido ser letais em diferentes cenários. Seja com a posse de bola por mais tempo ou em contragolpes. Diante de adversários que marcam muito atrás ou tentam uma pressão alta. Respondem bem defensivamente também.
Bono impediu uma derrota pior. Pegou um pênalti e fez ótimas defesas na 1ª tempo. Fez Marrocos sobreviver por cerca de 60 minutos de jogo, mas sucumbiu a uma finalização perfeita de Mbappé, que voltou a se igualar a Messi na artilharia da competição. Doué, Koné e Upamecano tiveram excelentes atuações, assim como Dembelé, autor do segundo gol francês.
Escalações
Didier Deschamps ainda não teve Tchouaméni em suas melhores condições. Koné seguiu no time. Na ponta-esquerda, Doué recuperou espaço. Barcola foi para o banco. Mohamed Ouahbi também não teve Chadi Riad e Saibari 100%. Mazraoui atuou na zaga. Salah-Eddine assumiu a lateral-esquerda. Na frente, Talbi foi a novidade. Entrou na ponta-esquerda. El Khannouss atuou de ”falso nove”.
Como França e Marrocos iniciaram o duelo pelas quartas de final da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
O calor de mais 30 graus e o sol escaldante da tarde de Boston poderiam supor um começo de partida em ritmo mais lento. Não foi o que a França buscou desde os primeiros minutos. Os europeus assumiram as rédeas do jogo com a bola no campo de ataque, empurrando os 11 marroquinos praticamente contra a própria área.
Até mesmo El Khannouss, em tese o homem mais avançado do time, marcava basicamente como um volante. O congestionamento defensivo não impediu que a França criasse as suas oportunidades. Mexia a bola rapidamente, buscava combinações por dentro com Mbappé, que circulava bastante na intermediária. Mas também tinha ações contundentes com Dembelé e Doué pelos flancos.
Outro que se destacava era Koné. Seja na distribuição dos passes ou nas rápidas recuperações dentro da intermediária ofensiva. Este comportamento, aliás, era um padrão francês, e fazia com que a posse africana ficasse muito longe da área adversária. A bola logo era retomada. Bono impediu uma derrota parcial de sua seleção. Fez duas ótimas defesas ainda aos três minutos.
Pouco depois, em uma das raras vezes em que Marrocos conseguiu avançar, um outro ponto perigoso dos Le Bleus entrou em ação. A capacidade de explorar espaços em ataques rápidos. Mbappé recebeu de Doué e foi ao chão após driblar Mazraoui dentro da área. Na cobrança do pênalti, no entanto, o camisa 10 bateu fraco e não conseguiu tirar de Bono, que encaixou a bola.
Bono – França x Marrocos – Copa do Mundo – Quartas de Final
REUTERS/Dylan Martinez TPX IMAGES OF THE DAY
Mesmo bastante pressionado em diversos momentos, Marrocos evitou rifar a bola em ligações diretas. Foi fazer isso muito mais na reta final da 1ª etapa. Antes, teve em Bouaddi, que só perdeu uma bola desta forma, alguém que tentava atrair pressões e avançar com passes curtos e combinações. Salah-Eddine foi outro a se destacar neste ponto. Geralmente saía da esquerda e vinha para o meio.
El Aynaoui recuava entre os zagueiros quando o bloco de marcação francês não era tão alto. Brahim Diaz e Talbi trabalhavam quase sempre bem abertos. A ideia parecia ser envolver e progredir com aproximações, até achar um passe em profundidade para Hakimi ou El Khannouss, que na maioria das vezes se projetavam por dentro da defesa francesa.
Os bicampões mundiais, no entanto, reagiram muito e não correram riscos. Depois dos 35 minutos, Doué, no lance em que desarmou Bouaddi no campo de ataque, e Digne, chegaram perto de marcar. Bono voltou a impedir. No potente chute de longe do lateral-esquerdo, a bola explodiu no travessão depois do leve desvio do goleiro.
França x Marrocos – Copa do Mundo – Quartas de Final
REUTERS/Paul Childs
Marrocos conseguiu algumas escapadas em contragolpes nos primeiros minutos do 2º tempo. Por mais que não tenha finalizado com perigo nenhum deles, méritos da defesa francesa, sobretudo Upamecano, foi um respiro. O contexto geral do jogo, no entanto, não mudou. O cerco aos marroquinos resultou em finalizações perigosas assim que a etapa complementar começou.
Doué, o melhor do quarteto ofensivo até então, já tinha obrigado Bono a fazer boa defesa em chute da entrada da área. Na sequência, serviu ao golaço de Mbappé. Aproveitou um ganho de rebote de Rabiot na intermediária ofensiva. e tocou para o camisa 10 bater com perfeição impressionante no canto esquerdo de Bono, mesmo acossado por Issa Diop.
Mohamed Ouahbi sacou El Khannouss e Bouaddi. Botou Rahimi e Amrabat, mas não demorou a ver sua equipe sofrer o segundo gol. Bastou sair um pouco de trás para dar espaço a Olise, Mbappé e Dembelé em conexão que terminou na finalização de Dembelé no canto esquerdo de Bono.
Mbappé – França x Marrocos – Copa do Mundo – Quartas de Final
REUTERS/Jeenah Moon
Koné, Mbappé e Doué foram sacados até os 30 minutos. Zaire-Emery, Mateta e Barcola entraram. Mohamed Ouahbi fez outras três trocas até o fim do jogo. Salah-Eddine, Brahim Diaz e Talbi deram lugar a El Ouahdi, Yassine e Amine Sbai. Marrocos conseguiu pressionar na reta final e, enfim, fez Maignan trabalhar. Depois assustou em cabeçada de El Aynaoui na rede pelo lado de fora.
A França não deixou de encaixar contragolpes perigosos, principalmente com Barcola pela esquerda. Bono voltou a trabalhar bem para deter arremates dele e de Mateta. Foi o principal destaque do jogo! Malo Gusto substituiu Koundé na última troca de Deschamps, treinador que pode igualar Vittorio Pozzo, comandante da Itália em 1934 e 1938. Há muitos motivos para crer nisso. geRead More