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Governo Trump proíbe novos robôs humanoides chineses para proteger desenvolvimento de IA nos EUA

Governo Trump proíbe novos robôs humanoides chineses para proteger desenvolvimento de IA nos EUA

 Robôs humanoides são exibidos durante o lançamento do robô humanoide U1, produzido pela UWORLD, uma marca da UBTECH Robotics, em Shenzhen, na província de Guangdong, na China, em 30 de junho de 2026.
Adek Berry/AFP
Os Estados Unidos divulgaram nesta terça-feira (28) medidas que restringem a importação de novos robôs e inversores de energia chineses. Segundo o governo de Donald Trump, o objetivo é proteger o avanço da inteligência artificial (IA) no país contra riscos à segurança nacional e trazer de volta indústrias estratégicas com forte potencial de crescimento.
As regras, divulgadas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), proíbem a importação de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados na China, além de inversores de energia conectados — equipamentos que permitem a integração de fontes renováveis e baterias às redes elétricas e aos sistemas de data centers.
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As restrições indicam que o governo Trump busca proteger a cadeia de produção ligada à inteligência artificial nos EUA contra riscos de interrupções, roubo de dados e ataques cibernéticos atribuídos à China, além de incentivar empresas a transferirem suas fábricas para o país.
“Esses dispositivos poderiam criar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos que poderiam prejudicar a segurança econômica e nacional dos EUA e gerar um risco à segurança cibernética que ameaçaria a infraestrutura crítica americana”, afirmou a comissão em comunicado.
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“A FCC continuará a fazer sua parte para proteger as cadeias de suprimentos críticas dos Estados Unidos”, acrescentou o presidente da FCC, Brendan Carr, em nota à imprensa.
A embaixada da China em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Robôs humanoides, equipados com “cérebros” baseados em IA, devem ser amplamente adotados nos setores de consumo e industrial, segundo previsões de analistas. Ao mesmo tempo, a rápida expansão dos data centers nos EUA dependerá de fontes confiáveis de inversores de energia.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, alertou que empresas chinesas de IA podem sofrer sanções dos EUA por suposto roubo de propriedade intelectual americana.
Autoridades norte-americanas também buscam evitar um cenário semelhante ao dos minerais de terras raras — insumos essenciais para a fabricação de tecnologias e amplamente controlados pela China. Pequim tem usado esse domínio para obter vantagens no cenário internacional.
FCC deve isentar fornecedores não chineses
Após as medidas anunciadas nesta terça-feira, a expectativa é que a FCC isente muitos fornecedores não chineses das restrições, assim como fez com as recentes proibições envolvendo drones e roteadores estrangeiros, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters.
As medidas entraram em vigor assim que foram publicadas e se aplicam apenas a modelos de robôs e inversores que ainda não chegaram ao mercado. No entanto, a FCC também tem autoridade para revogar autorizações de venda de modelos já aprovados para comercialização nos EUA.
O presidente Donald Trump é apontado como responsável por ampliar a atenção internacional sobre o desafio tecnológico representado pela China durante seu primeiro mandato, ao reforçar preocupações sobre o roubo de propriedade intelectual por empresas chinesas e possíveis casos de espionagem estatal envolvendo gigantes chinesas de telecomunicações, como a Huawei.
Mas, até o momento, Trump tem adotado uma abordagem mais moderada em seu segundo mandato, apesar do uso agressivo de controles de exportação sobre minerais de terras raras por Pequim no ano passado.
Fabricante chinês de robôs na mira
A expectativa é que a proibição afete a Unitree, líder mundial no segmento de robôs humanoides, com pouco menos de um quinto da participação no mercado global, segundo a Counterpoint Research.
A empresa, uma das três companhias chinesas que dominam um setor emergente e em rápida expansão, foi recentemente incluída na lista do Pentágono de supostas empresas chinesas apoiadas pelas Forças Armadas, um possível sinal de medidas mais duras por parte dos EUA.
A Unitree firmou recentemente uma parceria com a Nvidia para usar o chip Blackwell, de última geração, da fabricante de chips de IA como o “cérebro” de um de seus robôs. A Nvidia afirmou que os dados coletados pelos robôs permanecerão nos EUA e que os principais clientes da Unitree são instituições acadêmicas e de pesquisa americanas.
Defensores de uma postura mais dura em relação à China temem que os robôs possam ser usados para espionar setores estratégicos dos EUA, coletando dados para Pequim ou comprometendo funções essenciais.
Os robôs “coletam dados que poderiam ser usados por agentes mal-intencionados para vigiar americanos, aprimorar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou assumir o controle remoto dos equipamentos”, disse a FCC nesta terça-feira.
A China é a maior fabricante mundial de inversores, com o setor liderado pela Sungrow Power Supply e pela Huawei, empresas que já sofrem pesadas sanções dos EUA. Pequim vem ampliando sua presença no mercado ocidental de inversores ao reduzir os preços.
A Unitree, a Sungrow e a Huawei não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.g1 > Mundo Read More