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Há 50 anos, Cruzeiro superou perdas para encerrar hegemonia portenha na Libertadores

Há 50 anos, Cruzeiro superou perdas para encerrar hegemonia portenha na Libertadores

Inédito: Relembre conquista do Cruzeiro na Libertadores de 1976
Há cinquenta anos, o clube que já tinha paralisado o Brasil ao bater o Santos de Pelé, também rompeu barreiras e se tornou o segundo brasileiro a conquistar a América. No dia 30 de julho de 1976, o Cruzeiro Esporte Clube aparecia firme no cenário do futebol internacional, erguendo pela primeira vez a taça da Libertadores.
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O Cruzeiro não era estreante na competição. A geração vencedora da Taça Brasil foi responsável por representar o clube pela primeira vez na Libertadores, em 1967. O clube também esteve em 1975, já com a base que seria campeã no ano seguinte.
Comandado por Zezé Moreira, o Cruzeiro fez uma campanha que beirou à perfeição. Disputou 13 jogos, perdendo um, empatando outro e vencendo 11. O último deles considerado como um dos maiores da história do clube. Não só pelo título, mas também pelo enredo.
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O formato era diferente, com duas fases disputadas em grupos. O Cruzeiro foi soberano em ambas. Conquistou 11 dos 12 pontos possíveis na primeira etapa (cada vitória valia dois pontos, na época), passando pela segunda com 100% de aproveitamento.
O River Plate, por outro lado, sofreu um pouco mais. Teve disputa apertada com o Estudiantes, na primeira fase, e precisou de um jogo desempate contra o Independiente, na segunda.
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O primeiro duelo da final demonstrou a soberania do Cruzeiro, que venceu por 4 a 1, no Mineirão. Bastava um empate na Argentina para ficar com a taça. Começou perdendo, buscou igualdade, mas levou um gol na reta final: 2 a 1 para o River. Saldo de gols não era critério para desempate, e um terceiro jogo foi disputado em campo neutro.
Cruzeiro campeão de 1976
Reprodução/Site Oficial do Cruzeiro
O local escolhido foi o estádio Nacional de Santiago, no Chile. Desfalcado por Jairzinho e já sem Dirceu Lopes em boa parte da campanha, o time abriu 2 a 0, mas levou o empate, que levaria a decisão para prorrogação.
Até que Joãozinho, aos 43 do segundo tempo, cobrou falta que garantiu a vitória e o título. Um ato de “rebeldia” do atacante, descumprindo ordem do técnico Zezé Moreira, já que Nelinho era o cobrador oficial da equipe e ostentava status de ser um dos melhores do mundo nesse fundamento.
Perdas e rearranjos
O treinador Zezé Moreira era figura experiente no futebol. Antes de chegar a Belo Horizonte, tinha passado por outros gigantes do Brasil, além do Uruguai e de Portugal. Mas, principalmente, na seleção brasileira, na Copa do Mundo de 1954. Currículo colocado à prova por dificuldades no Cruzeiro.
O treinador precisou lidar com perdas importantes ao longo da caminhada do título cruzeirense. A primeira, na verdade, antes mesmo do início da Libertadores. Dirceu Lopes era referência técnica da equipe e já um grande ídolo, mas sofreu grave lesão no Tendão de Aquiles, com indicativo de que não participaria da temporada.
Zezé, então, pediu a contratação de Jairzinho, o “Furacão” da Copa de 1970. Com participação ativa do treinador, o jogador foi contratado e e terminou o torneio como um dos destaques, com 11 gols marcados. Expulso no segundo jogo contra o River Plate, ele não esteve em campo na finalíssima de Santiago.
Morte de Roberto Batata inspira título do Cruzeiro na Libertadores de 1976
Mas, bem antes de o Cruzeiro chegar à capital chilena, houve uma perda ainda maior. Não só no time, mas principalmente na história do clube. Titular da equipe e uma referências daquele elenco, Roberto Batata morreu em acidente de carro, aos 26 anos.
A fatalidade aconteceu exatamente depois de um dos jogos do time na Libertadores. A delegação voltou do Peru, onde tinha vencido o Alianza Lima, e Batata viajou em direção ao Sul de Minas para encontrar com a esposa e o filho. No caminho de ida, colidiu frontalmente com um caminhão e morreu na hora.
Escalação do Cruzeiro na final: Raul; Nelinho, Moraes, Darci Menezes e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos, Eduardo Amorim; Joãozinho, Ronaldo e Palhinha.
Cruzeiro em grupo seleto
O título colocou o Cruzeiro como o sétimo campeão da história da Libertadores, sendo apenas o segundo brasileiro, depois de 17 edições disputadas. Antes dele, apenas o Santos de Pelé tinha erguido a taça, em 1962 e 1963.
A conquista do Cruzeiro, portanto, colocou fim a uma sequência de 14 anos do Brasil sem conquistar a América. Período marcado por absoluta soberania de clubes argentinos e uruguaios, que dominavam o cenário e, por isso, se colocam até os dias atuais entre os maiores campeões.
Antes do título cruzeirense, o Independiente conquistou seis Libertadores, seguido por Estudiantes e Peñarol, com quatro cada. Racing, da Argentina, e Nacional, conquistaram o torneio uma vez naquele período.
Os jogos na Libertadores de 76
Primeira fase
Cruzeiro 5×4 Internacional
Olimpia 2×2 Cruzeiro
Sportivo Luqueño 1×3 Cruzeiro
Cruzeiro 4×1 Sportivo Luqueño
Internacional 0x2 Cruzeiro
Cruzeiro 4×1 Olimpia
Em 1976, Cruzeiro bate o Internacional por 5 a 4 na primeira fase da Copa Libertadores
Segunda fase
LDU 1×3 Cruzeiro
Alianza Lima 0x4 Cruzeiro
Cruzeiro 7×1 Alianza Lima
Cruzeiro 4×1 LDU
Final
Cruzeiro 4×1 River Plate
River Plate 2×1 Cruzeiro
Cruzeiro 3×2 River Plate
Autores dos gols na Libertadores
Palhinha – 13 gols (artilheiro da competição)
Jairzinho – 12 gols
Joãozinho – 8 gols
Nelinho – 6 gols
Roberto Batata e Ronaldo – 2 gols cada
Darci Menezes, Eduardo Amorim e Zé Carlos – 1 gol cada
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