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Muito além das remadas: a surpreendente economia dos vikings — que enfrentam o Brasil na Copa

Muito além das remadas: a surpreendente economia dos vikings — que enfrentam o Brasil na Copa

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Após avançar às oitavas de final da Copa do Mundo, o Brasil enfrenta uma seleção que costuma levar para as arquibancadas um dos símbolos mais conhecidos da história nórdica: a remada viking.
Mas, muito antes de inspirar cantos nas arquibancadas — e séculos antes de jogadores como Erling Haaland chamarem atenção dentro de campo —, os vikings já comandavam uma rede comercial que se estendia por milhares de quilômetros.
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Conhecidos pelas expedições militares, os vikings também construíram parte de sua prosperidade por meio do comércio, segundo estudos reunidos no livro Viking-Age Trade: Silver, Slaves and Gotland (“O comércio na Era Viking: prata, escravos e a ilha de Gotland”, em tradução livre), de pesquisadores das universidades de Oxford e Cambridge.
Muito além da Escandinávia
Um dos motores da economia viking era a prata. Entre os anos 800 e 1000 d.C., centenas de milhares de moedas conhecidas como dirhams, cunhadas em regiões do atual Iraque, Norte da África e Ásia Central, chegaram ao norte da Europa.
Boa parte desse metal chegava à ilha de Gotland, atual território da Suécia. Com dezenas de portos, a ilha funcionava como ponto de encontro entre as rotas comerciais do Leste e do Oeste europeu e, por isso, concentra a maior quantidade de tesouros de prata da Era Viking já encontrada por arqueólogos.
Mas essas moedas não funcionavam como o dinheiro de hoje. Seu valor não dependia do número gravado, e sim da quantidade de prata que continham. Por isso, comerciantes costumavam pesá-las, dobrá-las ou fazer pequenos cortes para verificar a pureza do metal.
“Um observador experiente conseguia estimar, até certo ponto, o grau de adulteração da prata pela coloração de uma superfície recém-cortada. Da mesma forma, ao dobrar uma peça, era possível perceber aproximadamente se ela era feita de prata mais pura ou de uma liga com maior quantidade de metais comuns”, dizem os historiadores.
Em alguns centros comerciais, oficinas especializadas refinavam a prata para aumentar sua pureza antes que ela voltasse a circular no comércio ou fosse transformada em joias.
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Reprodução
Nem toda a riqueza veio do comércio
Os pesquisadores argumentam que o comércio de peles, por si só, não explica o enorme volume de prata que chegou à Escandinávia durante a Era Viking.
A hipótese defendida no livro é que uma parcela significativa dessa riqueza foi obtida por meio do tráfico de pessoas escravizadas, que teria desempenhado papel central nas rotas comerciais da época.
De acordo com os historiadores, populações eslavas (habitantes de regiões que hoje fazem parte de países como Ucrânia, Polônia, Belarus e oeste da Rússia) eram capturadas e levadas para mercados ao longo do rio Volga e do Império Cazar, onde eram vendidas em troca de prata.
👥 Mulheres jovens e meninos estavam entre as pessoas mais valorizadas nesse comércio, voltado principalmente ao trabalho doméstico e à exploração sexual.
Os autores destacam que a escravidão não era apenas uma atividade econômica, mas também um dos pilares da organização social viking.
Em uma sociedade baseada na honra e nos laços familiares, quem era escravizado perdia não apenas a liberdade, mas também qualquer proteção jurídica e o reconhecimento de pertencimento a uma comunidade.
“O escravo era socialmente morto. Sem parentesco reconhecido e sem valor de honra, não possuía os direitos que definiam um homem livre”, resumem os historiadores.
A posse de pessoas escravizadas também funcionava como símbolo de riqueza e prestígio. Além de desempenharem trabalhos nas fazendas e nas residências, esses homens e mulheres reforçavam o status de seus proprietários.
Relatos históricos citados pelos pesquisadores mostram, por exemplo, que comerciantes transformavam parte dos lucros obtidos com o tráfico humano em joias de ouro e prata usadas por suas esposas para demonstrar prosperidade.
Onde as rotas vikings se encontravam
Toda essa circulação de prata — também de peles e pessoas escravizadas — só era possível graças a uma ampla rede comercial. Um dos principais pontos de conexão desse sistema era a ilha de Gotland.
Localizada no Mar Báltico, Gotland ligava as rotas vindas do leste europeu e da Ásia aos mercados do Mar do Norte e do Atlântico. Descrita pelos pesquisadores como um verdadeiro “mega-empório” da Era Viking, a ilha reunia cerca de 50 portos e pontos de desembarque distribuídos ao longo da costa.
⚒️ Além de redistribuir a prata que chegava do Oriente, artesãos produziam em larga escala artigos como contas de vidro e pentes feitos com chifres de cervos e alces — matéria-prima que precisava ser importada, já que esses animais sequer viviam na ilha.
Mas a viagem da prata não terminava ali. Segundo os pesquisadores, o metal continuava circulando rumo ao oeste europeu e alcançava regiões como Irlanda e Inglaterra, evidenciando o alcance dessa rede de comércio.
“A prata, as pessoas escravizadas e Gotland foram elementos interligados no funcionamento do que apropriadamente se convencionou chamar de ‘diáspora viking'”, escrevem os historiadores.
Na avaliação dos autores, essas rotas comerciais conectavam o Oriente Médio e a Ásia Central ao Atlântico Norte, formando uma rede que atravessava grande parte da Europa e ajuda a explicar como os vikings construíram uma economia mais ampla do que a imagem tradicional dos guerreiros costuma sugerir.
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REUTERS/John Sibleyg1 > EconomiaRead More