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O Inter insiste em ser rebaixado, e nada parece capaz de impedi-lo

O Inter insiste em ser rebaixado, e nada parece capaz de impedi-lo

Athletico-PR 2 x 0 Internacional | Melhores momentos | 20ª rodada | Brasileirão 2026
Se um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, também é verdade que o Inter parece correr atrás de tempestades elétricas. Depois de se livrar do rebaixamento do jeito que vimos na temporada passada, o time colorado parece redobrar o esforço para, enfim, conseguir jogar a Série B.
Hoje, o Inter é o primeiro clube fora do Z-4, com a mesma pontuação do Vasco, o 17º colocado. Ainda pior que a posição na tabela é a perspectiva do time. Na verdade, do clube. Não lembro de outro momento de tamanha desolação — equipe, direção e torcida parecem entregues, à deriva pelas marolas do Guaíba.
A questão não é mais se o clube vai entrar na zona de rebaixamento, mas quando vai entrar. E, quando se confirmar o que parece inevitável, se terá alguma capacidade de reação para sair de lá. Hoje, nada indica que o time de Paulo Pezzolano seja capaz de resistir à força da gravidade — é a única equipe que não conquistou um ponto sequer depois da parada para a Copa. São quatro derrotas seguidas, e os próximos adversário são Flamengo e Palmeiras.
O que mais assusta é a melancolia que se espalhou pelo ambiente vermelho. Sem dinheiro, a direção passa a impressão de estar contando as horas (e os pontos) para o fim do campeonato — em dezembro, haverá eleições. As categorias de base estão devastadas, e a dívida chega na casa de um bilhão de reais. Presidente mais longevo da história, Alessandro Barcellos não encontra soluções capazes de, ao menos, manter um time competitivo.
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Maxi Franzoi/AGIF
Na torcida, há mais resignação do que revolta. Prova disso é o público presente no Beira-Rio, que diminui a cada rodada — contra o Cruzeiro, foram doze mil testemunhas oculares. A atmosfera é tão desoladora que, após a derrota para o Athletico-PR, o vice–presidente Victor Grunberg disse que entende se, contra o Flamengo, na próxima quarta-feira, o torcedor não quiser comparecer. O clube não consegue mais nem manter um discurso de mobilização.
Mas há muitos times ruins no campeonato, pode ponderar algum Confúcio de Alvorada. Mas quase todos que brigam para fugir do Z4 têm alguma vantagem em relação ao Inter — dinheiro, elenco, poder de reação. Com dinheiro, o Vasco corre atrás de jogadores para o time titular. O Grêmio tem um elenco muito mais qualificado, o que fica evidente pelas duas posições primordiais do futebol — goleiro e centroavante. E o Santos, bem, o Santos talvez esteja à altura do Inter — no caso, a altura de um rodapé.
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O elenco colorado é um espantalho montado ao longo do tempo por técnicos que já se foram, com ecos ainda dos tempos de Eduardo Coudet. Nos últimos dois jogos, houve falhas individuais gritantes de três jogadores do setor defensivo. E o ataque, desde o começo do campeonato, se mostra tão letal quanto um cotonete.
O atual inquilino da casamata, Paulo Pezzolano, que em alguns momentos conseguiu extrair aspectos positivos de um time limitado, tem forte tendência a contrariar seus próprios êxitos. Os melhores momentos da equipe aconteceram com uma postura reativa, ideia totalmente oposta ao time que naufragou diante do Cruzeiro. Ao mesmo tempo, o técnico uruguaio parece ser o último pilar que ainda pode impedir a casa de desmoronar.
Mais do que uma crise técnica, o Inter passa por um colapso existencial. Com uma direção perdida, um time sem personalidade (em todos aspectos) e uma torcida sem ânimo sequer para reclamar, é bastante difícil imaginar que o Inter consiga novamente desviar do caminho que leva para a Série B. Até porque, desta vez, nem dá para invocar o poder místico de Abel Braga, pois ele já está no Beira-Rio. geRead More