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Ortega escancara não ter qualquer interesse em maquiar a sua ditadura

Ortega escancara não ter qualquer interesse em maquiar a sua ditadura

 Presidente da Nicarágua anuncia que país não terá mais eleições
Nada mais emblemático do que um ditador no quarto mandato consecutivo anunciar o fim das eleições na Nicarágua justamente nas comemorações de uma revolução que derrubou, há 47 anos, uma outra ditadura. Trata-se de Daniel Ortega.
Há 20 anos no poder, o ex-líder guerrilheiro que ajudou a derrubar o regime Somoza transformou-se no algoz dos nicaraguenses, instaurando, com a mulher Rosario Murillo e os filhos, uma dinastia própria no país.
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“Que se esqueçam disso, aqui na Nicarágua não haverá mais eleições para que eles tentem tomar o governo e o poder”, decretou.
Quando determinou, no sábado (18), que ergueria um muro de leis para impedir que a oposição assumisse o poder, Ortega, de 80 anos, falou como se houvesse eleições livres no país.
➡️ Desde que retornou ao comando da Nicarágua, em 2007, ele trabalhou com afinco para desmantelar todas as instituições, por meio de reformas na Constituição e repressão brutal aos opositores.
Boa parte dos dissidentes lutou com ele para em 1979 pôr fim ao regime Somoza, que vigorava no país há 42 anos, se distanciou do ex-guerrilheiro, ao constatar que ele se afastava do sonho utópico da juventude, impondo à Nicarágua um novo retrocesso autoritário.
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua
Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
De reforma em reforma, Ortega e Rosario Murillo — ela como copresidente — concentraram o poder absoluto, estabelecendo a reeleição indeterminada e a ampliação do mandato de cinco para seis anos. Pressupunham-se novas eleições em novembro de 2027, mas o ditador achou por bem aboli-las para afastar o que chamou de golpistas.
Nas últimas eleições, o regime prendeu os principais candidatos e afastou-os do pleito para que Ortega pudesse ser aclamado sem concorrentes. Após serem libertados, cerca de 200 opositores foram mandados para o exílio e transformados em apátridas.
👉 Estima-se que a ditadura tenha cassado a cidadania de 500 opositores, além de encerrar mais de 5 mil ONGs e fechar 30 universidades e 58 veículos de comunicação. Como afirmou o ex-candidato Felix Maradiaga, ainda que movido pelo medo e pela paranoia, após ter sequestrado as instituições estatais, Ortega anseia por mais controle.
“Ele sabe que, mesmo em uma competição imperfeita, mas com um mínimo de liberdade, o sandinismo não teria chances reais de vencer”, escreveu Maradiaga em artigo publicado no jornal “Confidencial”.
Ao determinar a extinção de um processo eleitoral que já carecia de legitimidade e foi execrado pela comunidade internacional, Ortega escancara não ter qualquer interesse em maquiar a sua ditadura.
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