Recorde de artilheiro, WO e média de gols alta… Histórias da decisão do 3º lugar nas Copas do Mundo
Rodrigo Coutinho analisa disputa do terceiro lugar entre França e Inglaterra
Apesar de ser uma tradição que ocorre desde a segunda edição, em 1934, a decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo muitas vezes é vista como a partida mais desinteressante da competição.
Afinal, reúne os dois perdedores das semifinais, que estiveram perto de decidir o título, mas que precisam “juntar os cacos” para entrarem em campo mais uma vez. Missão que dessa vez cabe a França e Inglaterra.
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França e Inglaterra decidem terceiro lugar da Copa de 1930
Imagem feita por IA
Mas ao longo dos Mundiais, a decisão do terceiro lugar já reservou boas histórias. Como o gol mais rápido das Copas, o recorde de gols de um jogador em uma única edição, além de representar, em alguns casos, a melhor colocação de um país na competição.
O ge levantou algumas dessas curiosidades:
Vitória por WO
Na primeira edição da Copa do Mundo não havia previsão de uma disputa de terceiro lugar entre os derrotados das semifinais. No entanto, durante a competição, a ideia foi sugerida pelo comitê organizador. Mas, inconformada com a atuação do árbitro brasileiro Gilberto de Almeida Rêgo na semifinal contra o Uruguai, a Iugoslávia se recusou a disputar a partida. Com isso, os Estados Unidos terminaram “herdando” a terceira posição, melhor colocação do país até hoje na história.
As histórias esquecidas da primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai
Decisão “indireta” pelo terceiro lugar
Outra Copa do Mundo que não previa uma decisão de terceiro lugar foi a de 1950, no Brasil. Até porque ela sequer previa uma final. Pelo regulamento, único na história dos Mundiais, o título seria decidido em um quadrangular.
Mas quis o destino que na última rodada apenas Brasil e Uruguai chegassem com chance de título e se enfrentassem no Maracanã, com os brasileiros jogando pelo empate (a derrota virou o Maracanazo). Assim, Espanha e Suécia, já sem chances, jogaram paralelamente, no mesmo dia e horário, no Pacaembu, valendo o terceiro lugar.
Os suecos venceram os espanhóis (que jogavam pelo empate) por 3 a 1, em uma partida com a presença de pouco mais de 11 mil torcedores, e ficou com o terceiro lugar.
Suécia e Espanha decidem o terceiro lugar da Copa do mundo de 1950, em São Paulo
Agência AP
Quadra de Fontaine
Até hoje, o maior artilheiro da história das Copas em uma única edição é o francês Just Fontaine, com 13 gols em 1958, na Suécia. Marca alcançada graças à decisão do terceiro lugar, quando a França venceu a Alemanha por 6 a 3, com quatro gols de Fontaine.
Se não fosse isso, o atacante ainda seria o artilheiro daquela edição, mas com nove gols, mesmo número do brasileiro Ademir de Menezes, artilheiro da Copa de 1950, e do português Eusébio, em 1966. Fontaine também ficaria atrás do húngaro Sándor Kocsis, goleador do Mundial de 1954, com 11 gols, e do alemão Gerd Müller, que fez 10 em 1970.
Morre Just Fontaine, maior artilheiro de uma só edição de Copa do Mundo
Orgulho de ser terceiro
Se para França e Inglaterra, ambas campeãs mundiais, disputar o terceiro lugar não significa muita coisa, para outros países esse jogo representou a melhor campanha em Copas do Mundo, como a Áustria, terceiro lugar em 1954, o Chile, em 1962, Portugal, em 1966, Polônia, em 1974 e 1982, Turquia, em 2002, e a Bélgica, em 2018.
Além disso, outras seleções que viriam a ter melhores colocações no futuro, tiveram na disputa do terceiro lugar seus primeiros grandes feitos em Copas. É o caso do Brasil, terceiro lugar em 1938, com o artilheiro Leônidas da Silva, da Alemanha, terceira em 1934, da França, terceira em 1958 e 1986, e da Croácia, que antes de ser vice em 2018, foi terceiro lugar na Copa de 1998, a primeira que disputou.
Croácia comemora terceiro lugar na Copa de 1998, na França
Ross Kinnaird /Allsport
Gol mais rápido das Copas
A disputa do terceiro lugar também possui um recorde. Afinal, o gol mais rápido da história dos Mundiais saiu na decisão do bronze da edição de 2002, quando o turco Sükür precisou de apenas 11 segundos para balançar as redes da Coreia do Sul. Os turcos venceram por 3 a 2.
Hakan Sukur – o gol mais rápido das copas
Países que mais disputaram o terceiro lugar
Seleção com mais presença em finais de Copa do Mundo, com oito, a Alemanha também é a que mais vezes decidiu o terceiro lugar. Foram cinco vezes, com quatro vitórias e uma derrota. Com a decisão deste ano, a França igualou o Brasil na segunda posição, com quatro disputas.
Os brasileiros venceram a Suécia, em 1938, e a Itália, em 1978, e foram derrotados pela Polônia, em 1974, e pela Holanda em 2014 por 3 a 0, quatro dias depois do histórico 7 a 1 para a Alemanha.
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Média de gols igual a das finais
Curiosamente, a média de gols das decisões do terceiro lugar é rigorosamente a mesma das finais: 3,8 gols por partida. Além disso, nunca houve um 0 a 0 na disputa da medalha de bronze, placar que já foi registrado uma vez na decisão do título, na Copa de 1994, vencida pelo Brasil sobre a Itália nos pênaltis. Por sinal, também nunca houve uma disputa de penalidades valendo o terceiro lugar.
Croácia vence Marrocos e fica em terceiro lugar na Copa
As disputas do terceiro lugar nas Copas
1934: Alemanha 3×2 Áustria
1938: Brasil 4×2 Suécia
1954: Áustria 3×1 Uruguai
1958: França 6×3 Alemanha
1962: Chile 1×0 Iugoslávia
1966: Portugal 2×1 União Soviética
1970: Alemanha 1×0 Uruguai
1974: Polônia 1×0 Brasil
1978: Brasil 2×1 Itália
1982: Polônia 3×2 França
1986: França 4×2 Bélgica
1990: Itália 2×1 Inglaterra
1994: Suécia 4×0 Bulgária
1998: Croácia 2×1 Holanda
2002: Coreia do Sul 2×3 Turquia
2006: Alemanha 3×1 Portugal
2010: Alemanha 3×2 Uruguai
2014: Brasil 0x3 Holanda
2018: Bélgica 2×0 Inglaterra
2022: Croácia 2×1 Marrocos
Obs: A Copa de 1930 não teve uma decisão de terceiro lugar e a de 1950 foi decidida em um quadrangular final geRead More


